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ID
5577940
Banca
FUMARC
Órgão
PC-MG
Ano
2021
Provas
Disciplina
Criminologia
Assuntos

Sobre a teoria criminológica da associação diferencial, analise as assertivas abaixo:

I. O comportamento delituoso se aprende do mesmo modo que o indivíduo aprende também outras condutas e atividades lícitas, em sua interação com pessoas e grupos e mediante um complexo processo de comunicação.

II. O delito não é algo anormal nem sinal de uma personalidade imatura, senão um comportamento ou hábito adquirido, isto é, uma resposta a situações reais que o sujeito aprende.

III. A pobreza e a classe social são fatores suficientes para a explicação da tendência de alguém para o crime, no contexto das teorias da aprendizagem.

IV. O indivíduo aprende assim não só a conduta delitiva, senão também os próprios valores criminais, as técnicas comissivas e os mecanismos subjetivos de racionalização (justificação ou autojustificação) do comportamento desviado.

São CORRETAS apenas as assertivas:

Alternativas
Comentários
  • ALTERNATIVA B (somente a III está incorreta)

    ASSOCIAÇÃO DIFERENCIAL

    É considerada uma teoria de consenso, desenvolvida pelo sociólogo americano Edwin Sutherland (1883-1950), inspirado em Gabriel Tarde.

    Lembra Nestor Sampaio (2019) que a teoria da associação diferencial apregoa que o comportamento do criminoso é aprendido, nunca herdado, criado ou desenvolvido pelo sujeito ativo.

    Sutherland não propõe a associação entre criminosos e não criminosos, mas sim entre definições favoráveis ou desfavoráveis ao delito.

    Nesse contexto, a associação diferencial é um processo de apreensão de comportamentos desviantes, que requer conhecimento e habilidade para se locupletar das ações desviantes. Isso é aprendido e promovido por gangues urbanas, grupos empresariais, aquelas despertadas para a prática de furtos e arruaças, e estes, para a prática de sonegações e fraudes comerciais.

    Edwin Sutherland então passa a estudar esses comportamentos e fundamenta a sua teoria da associação diferencial ao demonstrar um novo conceito, específico para as pessoas que, por determinadas características, não se espera que venham a cometer certos delitos. É uma nova categoria de criminosos, que ele chamará de criminosos do colarinho branco. A expressão white-collar crime (crime do colarinho branco) é cunhada no final dos anos 30.

    O crime do colarinho branco é cometido no exercício da profissão e pode ter consequências tão gravosas como quaisquer outras condutas criminosas. Seus efeitos não são sentidos de forma direta ou imediata pela comunidade como o é, por exemplo, um assalto ou agressão pessoal, mas de forma difusa. São cometidos por poderosos e, muitas vezes, recebem tratamento brando, resultado de um misto de medo, admiração e respeito que os legisladores e o sistema de justiça nutrem por essas figuras.

    Essa concepção de crime do colarinho branco contribuiu para dar uma nova interpretação sobre os reais fatores que determinariam a prática delituosa. Os autores desses crimes são pessoas bem sucedidas e com boa situação econômica, não se podendo mais identificar a criminalidade somente com base na pobreza ou na falta de inserção social. 

  • Teoria da Associação Diferencial (Sutherland)

    A Teoria da Associação Diferencial assim como as demais teorias foi influenciada pela Escola de Chicago, mas Sutherland apesar de ter consciência dessa influência se insurgiu no sentido de que a Escola de Chicago não soube em sua teoria explicar por que que o crime ocorre fora da área de desorganização social e por que os indivíduos que possuem grande poder aquisitivo cometem crimes. Com essa intenção de novos estudos a Teoria da Associação Diferencial Sutherland visa dar uma nova explicação do porquê que os indivíduos cometem crimes. Para a Teoria da Associação Diferencial, o crime nada mais é que um processo de aprendizagem. (Cuidado – O examinador pode inovar e na hora da prova fazer menção a essa teoria da seguinte forma: “Segundo a Teoria da Aprendizagem.... ” ). Ao entender que o crime é um processo de aprendizagem, Sutherland tenta expor seu pensamento de que assim como tudo na vida, os indivíduos agem conforme suas experiências pessoais. Para Sutherland não é a desorganização social, o ambiente ou outra influnêcia material que vai explicar a criminalidade, mas sim a relação que o individuo tem com determinada pessoa ou grupos de pessoas. A Teoria da Associação Diferencial tem essa terminologia porque os processos para seguir condutas lícitas são exatamente os mesmos para seguir condutas ilícitas. Sutherland ao desenvolver sua teoria cria a expressão (mencionada anteriormente) “crimes de colarinho-branco”, que seriam crimes cometidos no âmbito da profissão por pessoas de respeitabilidade e elevado status social. Para o autor da Teoria, não é somente pobres que cometem crimes e, é exatamente nesse contexto que ele critica os estudos apresentados pela Escola de Chicago.

    Principais pontos dessa Teoria para lembrar na hora da prova:

    ✓ Crime como processo de aprendizagem;

    ✓ Sutherland;

    ✓ Crimes de colarinho-branco;

  • Os indivíduos que fazem parte desse ciclo onde ocorre a aprendizagem, que pode ser no ambiente familiar, empresarial, entre outros, são dotados de alta respeitabilidade e prestígio social. Além do mais, as próprias leis dificultam a punição desses indivíduos, e os efeitos dos delitos cometidos são complexos e difusos porque a sociedade não os sente diretamente.

    Resposta Letra B.

  • O erro do item III (A pobreza e a classe social são fatores suficientes para a explicação da tendência de alguém para o crime, no contexto das teorias da aprendizagem) é apontar a pobreza e a classe social como fatores suficientes, do ponto de vista das teorias da aprendizagem. Perceba que diversos outros elementos são analisados para tentar entender a tendência de alguém para o crime, até porque são teorias, no plural, com análises complexas e diversificadas, por mais que estejam dentro de um grupo.

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    Fonte: meus resumos ( ayslanalves.com/resumos )

  • Em síntese: sua mãe estava certa ao dizer que não era para andar com o amiguinho que era má companhia.

  • Teoria da Associação Diferencial ou da “aprendizagem”:

    >> Encontra-se inserida nas Teorias do Consenso (da integração ou funcionalistas);

    >> Idealizada por Edwin H. Sutherland (1939/1940);

    >> Conforme Sutherland, a pobreza e a biologia não explicam os crimes; as práticas criminosas decorrem de processos de aprendizagem e de experiências vividas, independentemente da classe social nas quais as pessoas estejam inseridas.

    >> A aprendizagem dos valores criminais pode acontecer em qualquer cultura ou classe social;

    !!! Dela decorre o conceito de "criminalidade de colarinho branco" (“White-Collar Criminality”) - que são aqueles delitos praticados por pessoas respeitáveis e de elevado status social.

    Gabarito: letra B

    A vontade não permite indisciplina.

  • Teoria da Associação Diferencial Obs.:  A mais cobrada em concursos. •  1930 em diante, EUA; •  Edwin Sutherland; •  Crime é uma questão de aprendizado; •  A conduta criminosa se aprende, como qualquer outra atividade; •  O aprendizado se produz por interação com outras pessoas (processo de comunicação); •  A parte mais importante do aprendizado se dá nos grupos pessoais íntimos: esses grupos ensinam e legitimam ações criminosas. Obs.:  Crime do Colarinho Branco (White Collar Crime):
  • Teoria da Associação Diferencial ou da aprendizagem

    ➝Idealizada por Edwin H. Sutherland (1939/1940);

    ➝ as práticas criminosas decorrem de processos de aprendizagem e de experiências vividas, independentemente da classe social nas quais as pessoas estejam inseridas (Ninguém nasce criminoso)

    o comportamento criminoso dos indivíduos tem sua gênese pela aprendizagem, bem com o contato com padrões de comportamento favoráveis à violação da lei.

    ➝ Dela decorre o conceito de "crime de colarinho branco" (White-Collar Criminality) - delitos praticados por pessoas respeitáveis e de elevado status social.

    ➝ O delito não é algo anormal nem sinal de uma personalidade imatura, senão um comportamento ou hábito adquirido, isto é, uma resposta a situações reais que o sujeito aprende.

  • GABARITO LETRA "B"

    Teoria da associação diferencial:

    - Desenvolvida por Edwin Sutherland.

    - O crime é um comportamento aprendido e não um fenômeno social exclusivo das classes menos favorecidas.

    - Criou a expressão “crimes do colarinho branco”, contrapondo-se a necessariedade entre pobreza e delinquência.

    FONTE: Meus resumos.

    "Se não puder se destacar pelo talento, vença pelo esforço."

  • GABARITO - B

    A teoria da associação diferencial contesta a capacidade de explicação dos crimes do colarinho branco por parte das teorias criminológicas que focavam a apreciação do fenômeno criminal apenas na desorganização social, na pobreza, enfim, nas mazelas sociais, porquanto tais explicações se distanciavam da realidade dos crimes do colarinho branco. Para esta teoria, o crime não é um fenômeno social exclusivo das classes menos favorecidas, mas sim um comportamento decorrente de um processo de aprendizagem dos valores criminais. Ou seja, a conduta criminal se aprende através das relações íntimas do indivíduo com pessoas do seu meio social, seja ele rico ou pobre.

    A associação diferencial é uma expressão que contém dois conceitos importantes:

    • Associação: associação de um determinado grupo social que se identifica e possui regras próprias, diferentes dos demais (daí o nome diferencial).

    • Aprendizagem: o comportamento criminoso é aprendido através da interação com o grupo social.

    Bons Estudos!