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ID
1175347
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
Instituto Rio Branco
Ano
2014
Provas
Disciplina
História
Assuntos

     O Segundo Reinado compreende quatro décadas, abrangendo desde o golpe da Maioridade (1840) à Proclamação da República (1889) e determinando quatro períodos, que podem ser apontados como a mais longa fase da história política do Brasil. Houve um primeiro período, de organização, do Segundo Reinado — de 1840 a 1850 —, que primou pela repressão aos levantes regionais do período regencial, preparação do imperador e montagem do aparato legislativo para garantir a ordem constitucional. O segundo período — de 1850 a 1864 — caracterizou-se por certa estabilidade, quando se implementaram as primeiras iniciativas materiais de porte. No terceiro período — de 1864 a 1870 —, sobressaiu a campanha da guerra contra o Paraguai, transformada em questão nacional. O último período — de 1870 a 1889 — foi marcado não só pelo desenvolvimento econômico, mas também pelo aprofundamento das contradições, ampliado com a propaganda republicana.

Adriana Lopez e Carlos Guilherme Mota. História do Brasil: uma interpretação. São
Paulo: Editora SENAC São Paulo, 2008, p. 462-8 (com adaptações).

Tendo o texto acima como referência inicial, julgue (C ou E) os itens seguintes, considerando o quadro de crise que leva à queda do regime monárquico e a sua substituição pelo regime republicano.

O texto sugere que uma das principais causas do enfraquecimento do regime monárquico foi a sua incapacidade de reorientar os rumos da economia brasileira nos anos que se seguiram ao fim da Guerra do Paraguai: a queda brusca dos preços do café no mercado internacional acarretou retrocesso econômico e instabilidade política.

Alternativas
Comentários

  •  de 1870 a 1889 — foi marcado não só pelo desenvolvimento econômico, mas também pelo aprofundamento das contradições, ampliado com a propaganda republicana

  • Essa é uma questão de interpretação de texto, não de história do Brasil. 

  • É pertinente ressaltar que a vitória na Guerra do Paraguai fez com que ocorrece uma ascensão do prestígio dos militares que, influenciados pelo republicanismo e positivismo, instauraram a República em 1889.

  • No meu ponto de vista, o texto não diz, mas a maior contradição que pesava sobre o regime era aquela que opunha o setor mais dinâmico da economia nacional (ou seja, a economia cafeeira paulista...a província mais rica do Império) a um jogo político engessado pela tradição imperial (tendo os Estados de PE, RJ, BA e MG mais representantes na Câmara dos Deputados), em que São Paulo não desfrutava de espaço político no governo central correspondente a sua importância econômica. Essa era a maior contradição e que gerou terreno fértil para defensores do Federalismo.  Foi nesse contexto que surgiu o Partido Republicano Paulista, em 1872.

    Ou seja... houve discrepância entre poder político e poder econômico, que intensificou o desgaste da Monarquia, dando vigo à ideia federativa.

  • Outro ponto a ser levantado é que não é verdade a afirmação de que a queda brusca dos preços do café no mercado internacional acarretava retrocesso econômico. Conforme GREMAUD, Amaury (Formação econômica do Brasil), “a desvalorização da moeda nacional amortecia o impacto da queda do preço internacional do café sobre a renda interna dos cafeicultores. Em épocas de acelerada desvalorização da moeda (como a década de 90), o preço recebido em moeda nacional pelo cafeicultor chegou a aumentar em período de queda do preço internacional do café. Como nem todos os seus custos aumentavam na proporção da desvalorização da moeda nacional, o cafeicultor acabava amenizando os efeitos negativos da queda do preço internacional do café.

    Por isso, Furtado pode falar efetivamente em “socialização das perdas”: as perdas de um setor específico (o cafeeiro) eram transferidas, em grande medida, para a coletividade (principalmente, as populações urbanas) por meio do mecanismo cambial que provocava a desvalorização da moeda nacional em relação à Libra Esterlina. É certo que a desvalorização cambial, ao amenizar o impacto do declínio do preço internacional em termos de moeda nacional, evitava que muitos fazendeiros abandonassem a produção. Consequentemente, evitava o desemprego e a queda de renda no setor cafeeiro que, via multiplicador, se disseminaria em direção ao setor voltado ao mercado interno. “

  • ERRADO. "O texto sugere que uma das principais causas do enfraquecimento do regime monárquico foi a sua incapacidade de reorientar os rumos da economia brasileira nos anos que se seguiram ao fim da Guerra do Paraguai: a queda brusca dos preços do café no mercado internacional acarretou retrocesso econômico e instabilidade política."

    O próprio texto fala que o período de 1870-1889 foi marcado por desenvolvimento econômico.

  • "O texto sugere que uma das principais causas do enfraquecimento do regime monárquico foi a sua incapacidade de reorientar os rumos da economia brasileira nos anos que se seguiram ao fim da Guerra do Paraguai: a queda brusca dos preços do café no mercado internacional acarretou retrocesso econômico e instabilidade política."

    O próprio texto fala que o período de 1870-1889 foi marcado por desenvolvimento econômico.

    Gabarito: Errado

  • É difícil compreender o que o examinador buscou ao iniciar o item com "o texto sugere que", uma vez que o o texto é explícito ao falar que, no período seguinte à Guerra do Paraguai, o Brasil passou por um processo de desenvolvimento econômico: "o último período — de 1870 a 1889 — foi marcado não só pelo desenvolvimento econômico, mas também pelo aprofundamento das contradições, ampliado com a propaganda republicana". Ora, se o texto afirma que a crise política veio com as contradições e com a propaganda republicana, onde encontra o examinador espaço para imaginar uma sugestão dos autores a respeito de uma crise econômica? Mais parece, portanto, um exercício elementar de interpretação texto do que qualquer aferição de conhecimento histórico.

     

    De qualquer modo, como afirma o texto, entre 1870 e 1889 houve um importante crescimento econômico brasileiro, principalmente por conta de um novo ânimo da cafeicultura. Durante a década de 1870, a lavoura do café passou por uma importante expansão pela província de São Paulo, criando um importante polo produtor no Oeste paulista. Ao mesmo tempo, os tradicionais produtores fluminenses viram a queda vertiginosa da produtividade dos seus cafezais, ficando sem maiores chances de competir com o novo eixo econômico. Dessa nova configuração adveio uma das contradições fundamentais da última fase do Segundo Reinado: a elite política da corte já não coincidia com a nova elite econômica, que se sentia sub-representada na vida da aristocracia brasileira. Ou seja, apesar do desenvolvimento econômico, a dinâmica política da monarquia não foi capaz de absorver as transformações vividas na produção agrícola, criando uma distorção de representação e de interesses que se provou letal para o regime monárquico.

    (FONTE: TECCONCURSOS)