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ID
12193
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
ANATEL
Ano
2006
Provas
Disciplina
Português
Assuntos

1           Folha - O sr. concorda que muitas das restrições
impostas pelo Estado são impostas por pensamentos
"puritanos" de parte da sociedade?
4           Giannetti - A opinião pública pode, sim, se tornar
uma força tirânica e muito cerceadora, tanto quanto a
regulamentação estatal. São dois mecanismos diferentes de
7 coerção e de cerceamento.
             Na verdade, o que estamos aprendendo hoje é que o
cérebro humano é modular. Esses módulos do cérebro têm
10 motivações diferentes, e há um processo permanente de
negociação entre áreas do cérebro que nos motivam a fazer
coisas diferentes. O indivíduo está permanentemente e
13 internamente cindido, renegociando consigo mesmo o que ele
faz. E essa negociação é escorregadia.
            O que acontece é que, muitas vezes ciente dessa
16 dificuldade de agir tal como ele preferiria, pede que alguma
força de fora, o Estado, defina para ele os termos da transação.
Ele está tentando fazer um contrato com ele mesmo, por meio
19 do Estado.
 
Folha de S. Paulo, 23/10/2005.Trecho da entrevista concedida pelo economista Eduardo Giannetti (com adaptações).
 
Com relação a aspectos morfossintáticos do trecho de entrevista apresentado no texto acima, julgue os próximos itens.

Uma construção alternativa, igualmente correta e mais enfática, para o período "E essa negociação é escorregadia" (l.14) é a seguinte: Negociação essa que é escorregadia.

Alternativas
Comentários
  • O correto seria

    "Negociação esta que é escorregadia."

    Se meu comentário estiver errado, por favor corrijam.

    valeu
  • nao sei o que está errado aqui.. mas só pode ser o esta como o Breno falou... outro erro não vejo...
  • Não pode ser "esta" porque é catafórico. O "essa" foi bem empregado, pois retoma um termo ou ideia já exposta no texto. A ideia de negociação e o ermo negociação já tinham sido expostos no texto, portanto, foi retomado, corretamente, pelo pronome "essa".
    Como nesta farse: "Lia eu traduções de romances franceses, em edições populares vindas de Portugal, edições essas que nunca mais vi. "(A. F. Schmidt)



    Francamente, não sei onde está o erro.

    http://www.gramaticadigital.com.br/site.php?mdl=gramatica&op=cap09-05-pronomes_demonstrativos
  • Seria o "enfática"?
  •     Na verdade, o que estamos aprendendo hoje é que o
    cérebro humano é modular. Esses módulos do cérebro têm
    10 motivações diferentes, e há um processo permanente de
    negociação entre áreas do cérebro que nos motivam a fazer
    coisas diferentes. O indivíduo está permanentemente e
    13 internamente cindido, renegociando consigo mesmo o que ele
    faz. E essa negociação é escorregadia. ≠ esta

     

    Lembrando que além de haver o uso como termo anafórico (essa) ou catafórico (esta) há também o uso em relação à proximidade no texto:

    - Catáfora: Tenho estas coisas para fazer hoje: estudar, trabalhar e dormir.

    - Anáfora: “Um dia eu encontrei um relógio. Esse relógio foi um grande achado!”

    Compramos bananas, uvas e maçãs. Estas foram caras, essas baratas e aquelas estavam verdes.

    ou

    Ontem encontrei João e Paulo. Este é advogado e aquele, médico.

    - Esta: mais próximo (se usasse esta retomaria "renegociando"

    - Essa: do meio

    - aquela: mais longe 

     

    Agora na questão: 

    "Negociação essa que é escorregadia" retoma "renegociando" ≠ esta

     

    Logo, a reescrita não seria igualmente correta como diz a questão.

  • Na verdade, a construção mais enfática é a do período original do texto: "E essa negociação é escorregadia" (l.14).

    Pois o "E" introduz conjunção aditiva.

  • deveria ser: negociação ESTA que é tardia. a conjunção in tegrante leva para a frente o complemento da resposta, logo, deveria ser negociação ESTA que é tardia.

  • Acho que o erro está em "e seria mais enfática" tentando nos fazer pensar que o "que" seria uma partícula expletiva no sentido de:

    Batatas é que são mais gostosas. - Suj + é que + predicativo

    Batatas essas que (=batatas) são mais gostosas. -- Nesse caso da reescritura o "que" é pronome relativo

    Segue a minha análise sintática, se acharem um erro por favor indiquem aí:

    E (conj aditiva) essa negociação (suj) é (VL) escorregadia (varia- pred do suj).

    Reescrevendo:

    Negociação essa (não mudou nada, continua sendo suj e "essa" um adj adnominal) que (PRON RELATIVO =negociação) é (VL) escorregadia (pred do suj).

    Lembrando que esse = pron anafórico retoma termo

    este = pronome catafórico introduz ideia/algo

    Nesse caso, a meu ver, o esse tá agindo como complemento nominal do subst negociação, não está retomando nenhum termo.