SóProvas


ID
1660243
Banca
IDECAN
Órgão
Prefeitura de Ubatuba - SP
Ano
2014
Provas
Disciplina
Português
Assuntos

Livro: um objeto anacrônico?
    Num artigo publicado em 2007, José Mindlin escreveu que o livro “tanto pode continuar sua trajetória de mais de 550 anos, como pode desaparecer em sua forma atual; mas apesar do risco de uma afirmação categórica, não tenho dúvidas em afirmar minha convicção de que vai permanecer”. [...]
    Concordo com o otimismo de Mindlin, cuja biblioteca eu tive o privilégio de conhecer: uma biblioteca tão grandiosa e rica que você se sente inibido de escrever até um bilhete.
    Há livros que servem apenas de entretenimento. E há livros cujo conteúdo e linguagem são bem mais complexos; por exemplo, alguns dos livros que José Mindlin relia e cultuava: Grande Sertão: Veredas, os volumes de Em busca do tempo perdido, Os ensaios, de Montaigne... Esses livros pedem e até exigem um leitor sofisticado, apaixonado e corajoso. Do livro mais fácil ao mais complexo, há algo em sua elaboração, algo essencial que diz respeito ao pensamento, a um modo particular de ver o mundo ou de imaginá‐lo. Deixando a subjetividade de lado – mas não totalmente à margem –, penso que o livro eletrônico já é em certos países um concorrente ao livro de papel. Talvez seja mais exato dizer, ainda citando Mindlin, que “a leitura encontrou formas paralelas de existência”. Ou seja, o texto na tela é uma das alternativas ao livro.
Para um leitor compulsivo que viaja muito, é preferível levar um e‐book no bolso a carregar uma mala de livros. Mas para um leitor razoavelmente sedentário – e aí entram a subjetividade e as delícias do gosto – é mais prazeroso escolher um livro na estante de sua casa ou de uma biblioteca e lê‐lo com interesse e paixão, anotando frases ou trechos que expressam uma ideia, reflexão, cena ou diálogo relevantes.
    Apesar do avanço da tecnologia eletrônica – que um dia nos permitirá ler textos flutuando no ar –, o livro de papel ainda tem algo de artesanal, na sua concepção e impressão. Talvez no futuro ele seja um objeto de culto e prazer de uma imensa minoria de seres anacrônicos. Mas quem – a não ser cartomantes e poderosas mentes apocalípticas – pode prever o futuro?
    Não oponho qualquer resistência ao livro digital, muito menos ao computador, que facilitou a vida de todo mundo. Afinal qualquer texto de Kafka, na tela ou no papel, será um texto de Kafka. A questão mais funda e, no limite, sem resposta, é saber se no futuro haverá leitores de Kafka.
    Outro dia soube que uma edição eletrônica de um dos meus livros já estava disponível. Minha reação foi tão fria quanto a luz branca da tela. Porque nessa edição eletrônica não consigo sentir o processo da escrita desse texto: as várias versões do manuscrito e as sugestões indicadas pelos editores. Um processo até certo ponto artesanal, que a edição de um livro exige: da fonte a ser usada no miolo à escolha da capa, os textos da orelha e da quarta capa, o tipo de papel, etc. Talvez muitos jovens de hoje não sintam falta desse processo que é ao mesmo tempo artesanal e tecnológico. Mas para um dinossauro que ainda usa caligrafia para esboçar a primeira versão de um texto, o lado artesanal é importante. Além disso, esta frase de um conto de Machado de Assis faz pleno sentido se lida no papel: “Sim, minha senhora... As palavras têm sexo”.
    Uma amiga embriagada por novidades eletrônicas me disse que ao manusear um e‐book ela pode escutar o farfalhar das folhas de papel e até sentir o cheiro da tinta, como se a tela tivesse sido impressa. “Tudo é incrivelmente parecido com um livro”, ela disse.
    Bom, se o e‐book é uma espécie de duplo ou sósia virtual do livro de papel, então este viajante imóvel prefere o original. [...]
(HATOUM, Milton. O Estado de S. Paulo, 30 abr. 2010. Caderno 2. Adaptado.)

“... então este viajante imóvel prefere o original" (9º§). Sem levar em consideração o contexto, a expressão sublinhada, nessa frase, é exemplo de uma figura de linguagem denominada

Alternativas
Comentários
  • paradoxo

    cs/

    substantivo masculino

    1.

    pensamento, proposição ou argumento que contraria os princípios básicos e gerais que costumam orientar o pensamento humano, ou desafia a opinião consabida, a crença ordinária e compartilhada pela maioria.

    2.

    aparente falta de nexo ou de lógica; contradição.

    "pregar o amor e espancar os filhos é um paradoxo."

    --------------------------------------------------------------------------------------- 
    .
     Como poderia, um viajante ser imóvel? Trata-se de um paradoxo.

  • Gab b)

     

    a) Perífrase: é a substituição de um nome por uma expressão que o identifique. Alguns autores chamam de antonomásia a perífrase que substitui nome próprio, 

    Ex: Ele conheceu o  poeta dos escravos ( Castro Alves); Naquela jaula, estava  o rei dos animais. (leão).

     

    b) Paradoxo: é uma afirmação ou opinião que à primeira vista parece ser contraditória, mas na realidade expressa uma verdade possível.  

    Ex: "Eu sou um velho moço."

     

    c) Catacrese: uso especial, por analogia, de uma palavra, devido à falta ou desconhecimento de termo apropriado,

    EX: Dente de alho,  barriga da perna ...

     

    d) Anacoluto: Quebra da estrutura sintática de que resulta um termo ficar sem função na frase.

    Ex: EU,  pouco me importa esse assunto. ( Eu: sem função sintática).

     

    Renato Aquino, Português para Concursos, 22ª edição, págs 252- 256.

     

     Bons Estudos!! 

  • o vocábulo viajante expressa uma ideia de algo que se move, alguém que viaja, alguém que se move fazendo viagens, logo viajante imóvel é um paradoxo.

  • antítese opõe palavras que já são de natureza opostas, enquanto o paradoxo opõe ideias opostas entre si, como visto no termo viajante imóvel 

  • b) paradoxo. 

     

     

    Paradoxo - consiste esta figura, também chamada oxímoro, em usar, intencionalmente, um contrassenso. Exemplo:

     

    "Feliz culpa, que nos valeu tão grande Redentor." (Santo Agostinho)

     

    FONTE: CEGALLA

  • Paradoxo são ideias contrárias impossíveis de acontecer.

    Amor é um fogo que arde sem se ver,

    É ferida que dói, e não se sente;

    É um contentamento descontente,

    É dor que desatina sem doer. Camões

     

    Nunca desista! Lá na frente, tudo valerá a pena.

  • Tô até emocionada por ter acertado uma questão da IDECAN