SóProvas


ID
1690360
Banca
NC-UFPR
Órgão
COPEL
Ano
2015
Provas
Disciplina
Português
Assuntos

O texto a seguir é referência para a próxima questão.
Caetano e o ‘mal’ uso da crase
Na terça-feira, Caetano Veloso postou nas redes sociais um vídeo no qual corrige uma frase escrita pelo pessoal que trabalha com ele.
O trecho era este: “Homenagem à Bituca”. Bituca é o apelido do grande Milton Nascimento. No vídeo, Caetano não se limita a dizer que o “a” não deve receber o acento grave (ou acento indicador de crase). O Mestre dá a explicação completa (e perfeita) da questão.
Aproveito o “barulho” que o caso ger ou para trocar duas palavras sobre o tema com o caro leitor. Comecemos pela palavra “crase”, que não vem ao mundo como o nome do acento. De origem grega, “crase” significa “fusão, mistura”. Ao pé da letra, podese dizer que Coca-Cola com rum ou leite com groselha são casos de crase, já que são fusões.
Em gramática, crase vem a ser a fusão de duas vogais iguais, o que ocorre, por exemplo, na evolução de muitas palavras do latim para o português. Quer um exemplo? O verbo “ler”. Sim, o verbo “ler”. Na evolução do latim para o português, saímos de “legere” e chegamos a “ler”, mas antes passamos por “leer” (que, por sinal, foi a forma que se fixou no espanhol, outra língua neolatina). Na evolução de “leer” para “ler”, as duas vogais se fundiram numa só, o que caracteriza a crase.
Como se vê, pode-se dizer que ocorreu crase na evolução de “legere” para “ler”. Esse caso de crase não é marcado com o acento grave.
Hoje em dia, quando se fala de crase, pensa-se basicamente na fusão da preposição “a” com um segundo “a”, que quase sempre é artigo definido feminino (atenção: “quase sempre” não equivale a “sempre”). Quando se escreve algo como “Você já foi à Bahia?”, por exemplo, emprega-se o acento grave para indicar a crase que de fato ocorre: a preposição “a”, regida pelo verbo “ir” (ir A algum lugar), funde-se com o artigo feminino “a”, exigido por “Bahia” (“Gosto muito dA Bahia”; “Ele mora nA Bahia”).
No caso da construção corrigida por Caetano (“Homenagem à Bituca”), é óbvio que o acento indicador de crase é mais do que inadequado, já que no trecho só existe um “a”, a preposição “a”, regida pelo substantivo “homenagem”; por ser substantivo masculino, “Bituca” obviamente rejeita o artigo feminino.
Os erros no emprego do acento grave são muitos e frequentes. Quer uma bela lista? Lá vai: “traje à rigor”, “Viajou à convite de...”, “carro à álcool/gás”, “Vender à prazo”, “à 100 metros”, “Vem à público”, “ir à pé”, “sal à gosto”, “Vale à pena ir lá”, “Parabéns à você”, “Atendimento à clientes” etc., etc., etc.
Alguns gênios sugerem pura e simplesmente a eliminação do acento grave. Lamento informar que a língua portuguesa escrita não sobrevive sem esse acento. [...]
Em tempo: como nada é tão ruim que não possa piorar, alguém postou no YouTube o depoimento de Caetano com este título: “Caetano Veloso grava vídeo repreendendo sua própria equipe de internet por mal uso da crase”. “Mal uso”? Não seria “mau uso”? Elaiá! É isso.
(Pasquale Cipro Neto, publicado em <http://www1.folha.uol.com.br/colunas/pasquale/2015/06/1647510-caetano-e-o-mal-uso-da-crase.shtml>. Acesso em: 25/06/2015. Adaptado)

A partir da explicação dada pelo autor, considere o uso do acento indicador de crase nas seguintes afirmativas:

1. Os dois saíram às compras no final da tarde.
2. Nas férias, gostava muito de ir à Pernambuco.
3. Os acidentes de trânsito relacionam-se à grande taxa de imperícia e imprudência dos motoristas.
4. Os refrigerantes serão servidos em copo devido à não devolução dos vasilhames.
5. Os novos casos impeliram os responsáveis à exceções no tratamento das condutas.

Está correto o uso do acento indicador de crase em:

Alternativas
Comentários
  • Resposta: C

    1) Os dois saíram às compras no final da tarde. CORRETA

    (crase diante de locução)

    2) Nas férias, gostava muito de ir à Pernambuco. ERRADA

    (não há crase diante se o artigo vier antes de palavra masculina)

    3) Os acidentes de trânsito relacionam-se à grande taxa de imperícia e imprudência dos motoristas. CERTA

    (O verbo relacionar pose ser bitransitivo, verbo pronominal e verbo transitivo direto.

    Ele será transitivo direto quando estabelecer uma conexão entre uma coisa e outra: acidentes de trânsito e grande taxa de imperícia e imprudência).

    4) Os refrigerantes serão servidos em copo devido à não devolução dos vasilhames. CERTA

    (de acordo com a regência a palavra DEVIDO exige a preposição “a”, quando tem o sentido de “por causa de”, “por motivo de”).

  • Resposta: C

    1) Os dois saíram às compras no final da tarde. CORRETA

    (crase diante de locução)

    2) Nas férias, gostava muito de ir à Pernambuco. ERRADA

    (não há crase diante se o artigo vier antes de palavra masculina)

    3) Os acidentes de trânsito relacionam-se à grande taxa de imperícia e imprudência dos motoristas. CERTA

    (O verbo relacionar pose ser bitransitivo, verbo pronominal e verbo transitivo direto.

    Ele será transitivo direto quando estabelecer uma conexão entre uma coisa e outra. Ex.: acidentes de trânsito e grande taxa de imperícia e imprudência).

    4) Os refrigerantes serão servidos em copo devido à não devolução dos vasilhames. CERTA

    (de acordo com a regência a palavra DEVIDO exige a preposição “a”, quando tem o sentido de “por causa de”, “por motivo de”).

  • GABARITO : C

    Diante da dificuldade, substitua o não consigo pelo : Vou tentar outra vez ! 

    RUMO #PCPR

  • GABARITO : C

    Diante da dificuldade, substitua o não consigo pelo : Vou tentar outra vez ! 

    RUMO #PCPR

  • easy peasy lemon squeezy

  • 4 -> DEVIDO À

    Como deve ser feita a regência da palavra "devido"?

    1) Exigência da preposição “a”

    Em primeiro lugar, vale saber que ele exige a preposição “a”, quando tem o sentido de “por causa de”, “por motivo de”.

    Exemplos:

    "São Paulo parou devido às fortes chuvas"

    "Devido ao excesso de peso, não pôde participar da competição"

    "Foi reprovado devido às faltas".

    2) Não antecede orações reduzidas de infinitivo

    Quando temos duas orações que são conectadas por uma causa ou motivo, é comum pensar em ligá-las usando o “devido” como conectivo. Porém, caso a segunda oração tenha um verbo no infinitivo (ou seja, um verbo que não foi conjugado), é preferível escolher outro conectivo.

    Exemplos:

    "Não saímos porque o mar estava agitado". Forma incorreta: "Não saímos devido o mar estar agitado"

    "Não serviu o prato porque o cozinheiro errou a receita"Forma incorreta: "Não serviu o prato devido ao cozinheiro ter errado a receita".

    3) Quando “devido” é adjetivo ou particípio

    Nesses casos, ele deve ser flexionado, concordando em gênero e número com o substantivo a que se refere.

    Exemplo:

    "O sermão lembrou o respeito devido aos pais"

    FONTE: novaescola.org

  • A questão é sobre crase e o candidato precisa analisar as frases e encontrar qual que tem palavra corretamente craseada.

    1. Os dois saíram às compras no final da tarde. 

    A crase foi usada para desfazer ambiguidade. CORRETA

    2. Nas férias, gostava muito de ir à Pernambuco. 

    Pernambuco é masculino e não aceita crase ( voltei DE pernambuco). INCORRETA

    3. Os acidentes de trânsito relacionam-se à grande taxa de imperícia e imprudência dos motoristas. 

    O verbo relacionar com sentido de estabelecer relação lógica, rege a preposição "a" e temos o artigo "a" que acompanha o nome feminino, portanto temos a crase. CORRETA.

    4. Os refrigerantes serão servidos em copo devido à não devolução dos vasilhames.

    Temos a regência da palavra DEVIDO, devido A. E temos o artigo definido que acompanha a palavra DEVOLUÇÃO, portanto temos a crase. CORRETA.

    Obs: devido com sentido de MOTIVO DE tem preposição.

     5. Os novos casos impeliram os responsáveis à exceções no tratamento das condutas.

    Não temos crase singular antes de palavras no plural. INCORRETA

    Após fazer a análise, temos a seguinte sequência: 1, 3, 4 corretas, com isso concluímos que somente a letra c tem essa resposta.

    GABARITO C

  • Decore os motivos pra não utilização da crase. Depois é só aplicar a Regra do Boi. É mais fácil que decorar todas as regras de uso e não uso da crase.

  • Melzinho na pepeta.