SóProvas


ID
1866379
Banca
Itame
Órgão
Câmara Municipal de Inhumas - GO
Ano
2015
Provas
Disciplina
Português
Assuntos

“Se cada segundo de nossa vida deve se repetir um número infinito de vezes, estamos pregados na eternidade como Cristo na cruz. Que ideia atroz!

No mundo do eterno retorno, cada gesto carrega o peso de uma insustentável leveza. Isso é o que fazia com que Nietzsche dissesse que a ideia do eterno retorno é o mais pesado dos fardos (das schwerste Gewicht).

Se o eterno retorno é o mais pesado dos fardos, nossas vidas, sobre esse pano de fundo podem aparecer em toda a sua esplêndida leveza.

Mas, na verdade, será atroz o peso e bela a leveza? O mais pesado dos fardos nos esmaga, nos faz dobrar sob ele, nos esmaga contra o chão. Na poesia amorosa de todos os séculos, porém, a mulher deseja receber o peso do corpo masculino. O fardo mais pesado é, portanto, ao mesmo tempo a imagem da mais intensa realização vital. Quanto mais pesado o fardo, mais próxima da terra está nossa vida, e mais ela é real e verdadeira.

Por outro lado, a ausência total de fardo faz com que o ser humano se torne mais leve do que o ar, com que ele voe, se distancie da terra, do ser terrestre, faz com que ele se torne semirreal, que seus movimentos sejam tão livres quanto insignificantes.

Então, o que escolher? O peso ou a leveza?

Foi a pergunta que Parmênides fez a si mesmo no século VI antes de Cristo. Segundo ele, o universo está dividido em duplas de contrários: a luz e a obscuridade, o grosso e o fino, o quente e o frio, o ser e o não ser. Ele considerava que um dos polos da contradição é positivo (o claro, o quente, o fino, o ser), o outro, negativo. Essa divisão em polos positivo e negativo pode nos parecer de uma facilidade pueril. Menos em um dos casos: o que é positivo, o peso ou a leveza?

Parmênides respondia: O leve é positivo, o pesado é negativo. Teria ou não razão? Essa é questão. Uma coisa é certa. A contradição pesado-leve é a mais misteriosa a mais ambígua de todas as contradições. ”

                                                                          “A Insustentável Leveza do Ser”

                                                                                          Milan Kundera, 1983 

Qual das figuras de linguagem abaixo é usada no texto de Milan Kundera?

Alternativas
Comentários
  • Metáfora – compara seres com outros seres

    Trata do emprego da palavra fora do seu sentido básico, recebendo nova significação por uma comparação entre seres universos distintos.

    Exemplos:

    Senti a seda do seu rosto em meus dedos.

    Deixar-se devorar pelas garras do polvo tecnológico, que nos cerca por todos os lados...

    Evanildo Bechara – uma fera da gramática – é o melhor atualmente.

    Trânsito: A cadeia alimentar.


    Abaixo está um trecho retirado da leitura, entende-se que há outras ocorrências da metáfora ao longo do texto.

    Linha 10 ...Quanto mais pesado o fardo, mais próxima da terra está nossa vida, e mais ela é real e verdadeira...

  • a) Catacrese:  absorvida no uso comum da língua, de emprego tão corrente que não é mais tomada como tal, e que serve para suprir a falta de uma palavra específica que designe determinada coisa; ex. nariz do avião, batata da perna...

    b) anacoluto: é caracterizado como sendo uma frase quebrada, ou seja, uma frase cuja estrutura sintática é interrompida, sendo continuada de uma forma alternativa, deixando solto o termo inicial da oração; Ex. Meu vizinho, ouvi dizer que está muito doente.

    c)

    d) Metonímia há substituição lógica de uma palavra por outra semelhante, para evitar a repetição de palavras em um texto. Ex.: “lendo Jorge Amado”, no lugar de “lendo um livro”.

     

  • Metáfora é uma figura de linguagem. É um recurso semântico, Quer dizer que é um meio utilizado por quem escreve, ou por quem fala, para melhorar a expressividade de um texto literário. Quando é empregada em uma frase, faz com que esta se torne mais eloquente para os que a leem e a ouvem.

    Pode ser entendida como um artifício linguístico capaz de promover uma transferência de significado de um vocábulo para outro, através de comparação não claramente explícita.

    Notamos que é uma comparação, mesmo sem a presença de uma conjunção comparativa. Trata-se de comparar sem utilizar um conectivo, (por exemplo “como”), que caberia naturalmente na frase.

     

    Aquele rapaz é um “gato”. –  A metáfora ocorre porque implicitamente o rapaz é comparado a um gato. Quer dizer que é encantador, fofinho, bonito, etc.

     

    https://www.figuradelinguagem.com/metafora/

  • Rodrigo, o significado de metafora esta certissimo, mas o seu exemplo esta errado, o certo e sinestesia

  • Metáfora - é uma comparação não seguida de conectivo. É utilizada em sentido figurado e em sentido de uma semelhança subentendida.

    Ex: Minha irmã é um “anjo”.

  • Metonímia X Metáfora

    Vale esclarecer que há diferença entre Metonímia e Metáfora, apesar de ambas serem figuras de linguagem. A metáfora estabelece, mesmo que não claramente, uma comparação. Sabemos que uma comparação está sendo feita apesar de não aparecerem os termos comparativos.

    Na Metonímia uma palavra é substituída por outra, quando os dois termos possuem uma proximidade de sentido. (Contiguidade). Ela pode ocorrer de várias formas no texto, conforme vimos acima (tipos).

  • GABARITO C

     

    Têm muitos exemplos no texto também de antítese, que expressa oposição lógica entre as palavras.

    Ex. : " O leve é positivo, o pesado é negativo. "

  • Texto repleto de metáforas

  • sempre que aparece metáfora e metonímia eu marco a segunda e dá a primeira................................................

  • GABARITO: LETRA C

    Metáfora:
    Trata do emprego da palavra fora do seu sentido básico, recebendo nova significação por uma comparação entre seres de universos distintos.
    Evanildo Bechara é uma fera da gramática.
    Evanildo Bechara – uma fera da gramática – é o melhor atualmente.
    fera do Bechara tem obras importantíssimas sobre a língua.
    Bechara?! Que fera!
    O Bechara vai “desmatando o amazonas de minha ignorância”.

    FONTE: A gramática para concursos públicos / Fernando Pestana. – 2. ed. – Rio de Janeiro: Forense; São Paulo: MÉTODO, 2015.