SóProvas


ID
1923448
Banca
Prefeitura do Rio de Janeiro - RJ
Órgão
Prefeitura de Rio de Janeiro - RJ
Ano
2016
Provas
Disciplina
Português
Assuntos

Crônica

       Como o povo brasileiro é descuidado a respeito de alimentação! É o que exclamo depois de ler as recomendações de um nutricionista americano, o dr. Maynard. Diz este: “A apatia, ou indiferença, é uma das causas principais das dietas inadequadas.” Certo, certíssimo. Ainda ontem, vi toda uma família nordestina estendida em uma calçada do centro da cidade, ali bem pertinho do restaurante Vendôme, mas apática, sem a menor vontade de entrar e comer bem. Ensina ainda o especialista: “Embora haja alimentos em quantidade suficiente, as estatísticas continuam a demonstrar que muitas pessoas não compreendem e não sabem selecionar os alimentos”. É isso mesmo: quem der uma volta na feira ou no supermercado vê que a maioria dos brasileiros compra, por exemplo, arroz, que é um alimento pobre, deixando de lado uma série de alimentos ricos. Quando o nosso povo irá tomar juízo? Doutrina ainda o nutricionista americano: “Uma boa dieta pode ser obtida de elementos tirados de cada um dos seguintes grupos de alimentos: o leite constitui o primeiro grupo, incluindo-se nele o queijo e o sorvete”. Embora modestamente, sempre pensei também assim. No entanto, ali na praia do Pinto é evidente que as crianças estão desnutridas, pálidas, magras, roídas de verminoses. Por quê? Porque seus pais não sabem selecionar o leite e o queijo entre os principais alimentos. A solução lógica seria dar-lhes sorvete, todas as crianças do mundo gostam de sorvete. Engano: nem todas. Nas proximidades do Bob´s e do Morais há sempre bandos de meninos favelados que ficam só olhando os adultos que descem dos carros e devoram sorvetes enormes. Crianças apáticas, indiferentes. Citando ainda o ilustre médico: “A carne constitui o segundo grupo, recomendando-se dois ou mais pratos diários de bife, vitela, carneiro, galinha, peixe ou ovos”. Santo Maynard! Santos jornais brasileiros que divulgam as suas palavras redentoras! E dizer que o nosso povo faz ouvidos de mercador a seus ensinamentos, e continua a comer pouco, comer mal, às vezes até a não comer nada. Não sou mentiroso e posso dizer que já vi inúmeras vezes, aqui no Rio, gente que prefere vasculhar uma lata de lixo a entrar em um restaurante e pedir um filé à Chateaubriand. O dr. Maynard decerto ficaria muito aborrecido se visse um ser humano escolher tão mal seus alimentos. Mas nós sabemos que é por causa dessas e outras que o Brasil não vai pra frente.

CAMPOS, Paulo Mendes. De um caderno cinzento. São Paulo: Companhia das Letras, 2015. p. 40-42. 

O gênero crônica, em que se enquadra o texto, é frequentemente escrito em primeira pessoa e reflete, muitas vezes, o posicionamento pessoal de seu autor. Pode-se afirmar que, na crônica de Paulo Mendes Campos, o “eu” que fala:

Alternativas
Comentários
  • Marquei letra A, por considerar o autor com o "eu" que fala, e por considerar também as críticas ao dr. Maynard em forma de ironia no desenrolar da crônica.

    Vamos na fé.

  • Fui de B e quase ia de letra A....

  • realmente é a letra C, vejam que quando o autor fala realmente é critica, mas com um sentido  de ser "ingênuo".

    Eu errei a questão. mas olhando com calma vê-se isso no texto.

  • Considerei a ironia do autor perspicácia e errei. Subjetivo demais.

  • Nossa, que difícil.

  • Não vejo distinção entre o autor e o "eu" que fala.

    Depois, o texto pode ser lido como ironia, que é o mais óbvio, ou como ingenuidade.

  • Questão muito passível a erro. Errei pois achei que seria a letra A, mas também obsevei muita ironia na fala do autor!

  • Na minha opinião, não se pode considerar a ironia constante no texto como ingenuidade ou alienação.

  • eu nao entendi pq o "eu" que fala, distingue-se do autor? Será que alguem poderia me explicar?

    Essa questão me confundiu.

  • Dentro da crônica existe o " o Eu" introduzido pelo Autor Paulo Mendes

    Diferença:

    1-"o Eu" se mostra ingênuo(Aquele que é inocente, sincero, simples.) e alienado(1-Cedido a outro dono, ou o que enlouqueceu , 2-vendido.)

        Um exemplo é quando ele diz: "É o que exclamo depois de ler as recomendações de um nutricionista americano, o dr. Maynard"

    2- O autor não se mostra ingênuo e nem alienado, uma vez que, ele mesmo é quem escreve a Crônica.

     

    Gab.C



     

     

  • Nossa, questão MUITO passível de recurso. Da forma como os argumentos são apresentados pelo EU que fala, parece que é o próprio autor está falando, e que a fala é de uma forma muito crítica e irônica ao que foi publicado pelo Dr. Maynard. 

    Os argumentos ditos são tão clichês que considerá-los ingênuos é um absurdo para mim. Observem alguns:

    1- "Ainda ontem, vi toda uma família nordestina estendida em uma calçada do centro da cidade, ali bem pertinho do restaurante Vendôme, mas apática, sem a menor vontade de entrar e comer bem."

    Família estendida na calçada apática e sem vontade de comer bem? Trata-se, na verdade, de uma família que está passando necessidades e que tem sim vontade de comer, todavia, não tem recursos para tanto. Aí está demonstrada a ironia com relação aos argumentos expostos pelo Dr. Maynard, e não uma mera concordância ingênua com o estudo dele.

    2- "No entanto, ali na praia do Pinto é evidente que as crianças estão desnutridas, pálidas, magras, roídas de verminoses. Por quê? Porque seus pais não sabem selecionar o leite e o queijo entre os principais alimentos."

    Precisa comentar? Claríssima a ironia aqui também.

    Se a anuência do "EU que fala" com os argumentos expostos pelo Dr. Maynard não fosse tão exagerada a ponto de beirar o absurdo, talvez eu entenderia sim pela letra C. Uma coisa é ser inocente e alienado, outra coisa é ser maluco rsrs.

    Da forma como foi, eu marcaria a letra A assim como o fiz por aqui.

    É isso, acho muito válido entrarem com recurso, viu pessoal. Abraços 

  • Pessoal, não entendi a questão e pelo o que vi não estou sozinha nessa. Indiquem para comentário! 

  • Também não entendi. Já indiquei para comentário dos professores.

  • O problema desse texto é que ele é sarcástico. Porém, o "eu", "narrador", em nenhum momento ironiza diretamente o tal nutricionista. Ao contrário, ele diz a todo momento concordar com as observações do tal doutor. Logo, é um "eu" diferente... que precisa ser ingênuo para soar sarcástico ao leitor... 

  • Indiquei pra comentário também...não entendi o gabarito.

  • Não entendi o gabarito... Esse texto está cheio de irônicas críticas  (irônico= quando se diz o contrário daquilo que se deveria dizer) ao Dr Nutricionista. E como apresenta o próprio enunciado da questão, a crônica revela sim, o posicionamento do autor!!!

    Deveria ser anulada essa questão...

  • As letras A, B e D não condizem com a interpretação do artigo do Paulo Mendes Campos.Na letra A o autor não se confunde com o autor Dr.Maynard. Na letra B ele não se distingue do Dr.Maynard, pelo contrário.Há situações no qual reforça o que escreveu o médico e na letra D,o autor não se confunde com o médico.Em nenhum momento há no texto algo que nos diga que o que o autor está falando saiu de um jornal.O processo é de eliminação.As letra A,B e D são respostas não encontradas no texto, logo resta a letra C que é polêmica mas que confirma a alienação do autor ao dizer no final que é posso isso que o Brasil não vai para a frente.O que o problema da alimentação tem a ver com o desenvolvimento do Brasil se países desenvolvidos também passam pelo mesmo problema?Que base o autor tem para dizer que viu uma família nordestina nordestina estendida na calçada?Ele perguntou se a família é nordestina?No texto não há nada que afirme que àqueles que estão do lado de fora de um restaurante de luxo apáticos são nordestinos.Isso demonstra alienação e ingenuidade.Foi asism que entendi a resposta.

  • indiquem para comentário também.

  • 02. (C)
    Dentro da crônica existe o " o Eu" introduzido pelo Autor Paulo Mendes
    Diferença:
    1-"o Eu" se mostra ingênuo(Aquele que é inocente, sincero, simples.) e alienado(1-Cedido a outro
    dono, ou o que enlouqueceu , 2-vendido.
    )
    Um exemplo é quando ele diz: "É o que exclamo depois de ler as recomendações de um nutricionista
    americano, o dr. Maynard
    "
    2- O autor não se mostra ingênuo e nem alienado, uma vez que, ele mesmo é quem escreve a Crônica.

  • Para mim a correta é a letra A. No meu ponto de vista o "eu" que fala se confunde sim com o autor, pois é o próprio Paulo Mendes Campos quem narra a crônica, dando sua opinião pessoal, crítica e ao mesmo tempo irônica, a cada citação de recomendação sobre "dieta inadequada" do Dr. Maynard.

     

    'Como o povo brasileiro é descuidado a respeito de alimentação! (diz ironicamente o autor) É o que (eu, autor) exclamo depois de ler as recomendações de um nutricionista americano, o dr. Maynard. Diz este (este = ele, o Dr. > narrado em 3ª p.): “A apatia, ou indiferença, é uma das causas principais das dietas inadequadas.” Certo, certíssimo.' (opinião irônica do "eu" autor)

     

    '  (eu, autor) Não sou mentiroso e posso dizer que já vi inúmeras vezes, aqui no Rio, gente que prefere vasculhar uma lata de lixo a entrar em um restaurante e pedir um filé à Chateaubriand. O dr. Maynard (ele > narrado em 3ª p.) decerto ficaria muito aborrecido se visse um ser humano escolher tão mal seus alimentos.'

     

    Enfim, a alternativa B não pode ser porque o "eu que fala" não se distingue do autor, é ele mesmo. Na letra C a mesma coisa e vou além: ingênuo e alienado é o Dr. Maynard com suas recomendações absurdas e irreais sobre "dietas inadequadas", em nada compatíveis com a situação real de destrunição do brasileiro. Já na letra D, o autor não valoriza a divulgação científica do Dr. Maynard nos jornais, pelo contrário, ele ironiza (mais uma vez) quem o faz, como segue neste trecho: '  Citando ainda o ilustre médico: “A carne constitui o segundo grupo, recomendando-se dois ou mais pratos diários de bife, vitela, carneiro, galinha, peixe ou ovos”. Santo Maynard! Santos jornais brasileiros que divulgam as suas palavras redentoras!

     

    Bom estudo a todos!!!

  • Eu marquei a b, estou melhorando nessa de interpretação, mas às vezes acho que o que eu interpreto tem coerência.

  • Ouvindo a correção do prof°. Arenildo podemos dizer que a questão além de subjetiva, complexa e pessoalmente interpretativa,  é uma bosta!

  • Em questões como essa , se tenta não entender o que o autor transmite , nem o que o texto em si passa , mas advinhar o que A BANCA  interpretou .

  • eu líricosujeito lírico ou voz lírica é um termo usado dentro da literatura para designar o pensamento geral daquele que está narrando um poema. É usado em textos do gênero lírico, que são caracterizados pela expressão dos sentimentos e da subjetividade.

     

    O autor procura, de forma geral, expressar sua opinião em relação ao tema tratado na obra através da entidade do eu lírico.

     

    É possível, contudo, que o sentimento do eu lírico não seja exatamente aquele sentido pelo autor.

     

    Besta crônica, o "EU" que fala distingue-se do autor, mostrando-se ingênuo e alienado

  • Concordo com Prof. Arenildo que essa questão é B

    banca alienada C

  • Pessoal a resposta é a letra C? Eu estou entre a A e a B, pra mim é onde tem mais corência na resposta 

  • Embora modestamente, sempre pensei também assim.

    Mas nós sabemos que é por causa dessas e outras que o Brasil não vai pra frente.

    já dá para matar a questão, ou seja, letra c

  • "A questão foi mal feita, pesada, maldosa."

    Professor Arelino

  • pqp quer direcionar o concurso fala

  • Complicado interpretar essa questão, pois o "Eu" introduzido pelo autor se mostra sarcástico e irônico mas em nenhum momento ingenuo ou alienado. É como se o autor tivesse criado esse "Eu" para esboçar uma opinião crítica em relação a alegação do Doutro Maynard. Essa foi a minha interpretação, por isso marquei letra A. Não entendi até agora o gabarito. Eu tentaria entrar com recurso nessa questão.

  • " Não sou mentiroso e posso dizer que já vi inúmeras vezes, aqui no Rio, gente que prefere vasculhar uma lata de lixo a entrar em um restaurante e pedir um filé à Chateaubriand.(sarcástico) O dr. Maynard decerto ficaria muito aborrecido se visse um ser humano escolher tão mal seus alimentos.(sarcático e crítico) Mas nós sabemos que é por causa dessas e outras que o Brasil não vai pra frente.(crítico)."

    Dr Maynard, é a letra "A".

  • Está claro que ele critica o Dr, no texto inteiro, ele fala da probreza enquanto o especialista americano retrata as pessoas que têm um poder aquisitivo maior e não seguem corretamente as regras saudáveis.