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ID
2011462
Banca
FUNIVERSA
Órgão
IF-AP
Ano
2016
Provas
Disciplina
Psicologia
Assuntos

A violência é uma variável importante na pesquisa acerca dos processos de adoecimento.

Alternativas
Comentários
  • Durante o século XVI, em algum ponto entre seus 16 e 18 anos, Étienne de La Boétie escreveu o “Discurso da Servidão Voluntária”[2]. La Boétie perguntava-se como um único tirano poderia manter sob o seu jugo milhares de homens e dezenas de cidades. Como resposta, ele propõe que os próprios homens, por hábito, ignorância e fraqueza moral, voluntariamente se submetem à tirania. Um pequeno número deles obtém a confiança do tirano e dele se aproxima, compartilhando de seus desmandos e recebendo seus favores. Esse pequeno número de homens dispõe de seus próprios súditos, que também compartilham de seus desmandos e recebem seus favores. Esses súditos mantêm uma série de subordinados, os quais, por sua vez, possuem também seus próprios subordinados. 

    Formam-se, destarte, relações de favorecimento e obediência em múltiplos níveis ou instâncias. Todas essas instâncias controlam a malta ignorante pela força e, principalmente, pela enganação das políticas de “pão e circo” e dos discursos religiosos e supersticiosos que envolvem o tirano em um manto de devoção. Tece-se assim uma rede de favores e concessões, em que um homem deve obediência a outro, em uma teia cuja ponta leva, em última instância, ao tirano. Ao cabo, os súditos são subjugados uns por meio dos outros. O tirano se mantém tirano porque os próprios súditos se mantêm servis. A servidão, paradoxalmente, é voluntária.

    É impossível ler La Boétie sem nos questionarmos sobre a nossa própria situação pós-moderna e sobre os limites de nossa liberdade. Até que ponto somos livres? É óbvio que, em nossa sociedade pretensamente democrática, não cabe continuarmos falando do tirano absolutista de La Boétie — ainda que a descrição da dinâmica das relações de favorecimento e obediência seja assustadoramente atual em nosso sistema político fortemente patrimonialista. Mas seria esta a única forma de tirania?

    Byung-Chul Han, no opúsculo “Sociedade do Cansaço”[3], discute a ascensão de um novo paradigma social, em que a sociedade disciplinar de Foucault é substituída pela sociedade do desempenho. Esse novo modelo social é movido por um imperativo de maximizar a produção. Nós, sujeitos de desempenho, somos constante e sistematicamente pressionados a aperfeiçoar nossa performance e aumentar nossa produção.

  • Mendes (2007) identificou patologias sociais da sobre- carga no trabalho, violência e servidão voluntária no mundo do trabalho.

    Consideramos que, numa dialética perversa e interminável, tais patologias reforçam os comportamentos que lhes deram origem, como as patologias da modernidade anteriormente descritas.

    Essas patologias sociais resultam do contínuo embate das pessoas com seus ambientes de trabalho. A impossibilidade de lidar com as adversidades e o sofrimento – decorrentes da organização do trabalho – pode levar à aneste- sia e à insensibilidade ao próprio sofrimento e ao dos outros, processo que po- de se intensificar a ponto de ser compartilhado pelo grupo.

  • Gabarito C.

    A - Trata-se de algo da ordem do inconsciente e não do consciente.

    B - É o contrário, considerando que os danos acarretados na vida do sujeito que está em construção podem se estender por muitos âmbitos e afetar, por exemplo, a construção da sua personalidade.

    D - A sublimação PODE ser, mas o mecanismo de defesa não se restringe a atuação frente a violência.

    E - Os sofrimentos insuspeitos não se apresentam de uma maneira uníssona, no pensamento de Dejours (1993); eles estão associados a fatores históricos, laborativos e àqueles favoráveis ou não para a vida do trabalhador, relacionados à própria vida humana e ao trabalho. São discriminados como: a) sofrimento singular (dimensão diacrônica): é herdado da história psíquica de cada indivíduo; b) sofrimento atual (dimensão sincrônica): ocorre quando há o reencontro do sujeito com o trabalho; c) sofrimento criativo: quando o sujeito produz soluções favoráveis para sua vida, especialmente, para sua saúde; e d) sofrimento patogênico: é ao contrário do sofrimento criativo, ou seja, quando o indivíduo produz soluções desfavoráveis para sua vida e que estão relacionados à sua saúde. 

    Fonte: http://faef.revista.inf.br/imagens_arquivos/arquivos_destaque/lh21p1ieajxlwck_2013-5-10-15-30-2.pdf