SóProvas


ID
2238871
Banca
Máxima
Órgão
SAAE de Aimorés - MG
Ano
2016
Provas
Disciplina
Português
Assuntos

Poema em linha reta
Fernando Pessoa 
(Álvaro de Campos) 

Nunca conheci quem tivesse levado porrada. 
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita, 
Indesculpavelmente sujo, 
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho, 
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo, 
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas, 
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante, 
Que tenho sofrido enxovalhos e calado, 
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda; 
[...] 
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar, 
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco; 
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas, 
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo. 

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo 
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho, 
Nunca foi senão príncipe – todos eles príncipes – na vida... 

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia; 
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia! 
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam. 
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil? 
Ó príncipes, meus irmãos, 

Arre, estou farto de semideuses! 
Onde é que há gente no mundo? 

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra? 

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos – mas ridículos nunca! 
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído, 
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear? 
Eu, que venho sido vil, literalmente vil, 
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

Ainda em consideração aos adjetivos por ele empregado, o eu lírico se revela:

Alternativas
Comentários
  • Onde podemos encontrar no texto a contradição do autor??

     

  • Onde que estão as contradições, pelo amor de Deus? Para mim o eu lírico é um ser que se menospreza, e a alternativa que mais se aproxima disso é a letra B.
  • Achei ele totalmente pessimista.

  • Acredito que o erro da letra B é o Exclusivamente pessimista: 

    b)Um ser exclusivamente pessimista;

    Entendo que o gab é C, pois apesar de se menosprezar o texto inteiro no final em especial no trecho: 

    [...] Arre, estou farto de semideuses!

    Onde é que há gente no mundo?

    Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra? [...]

    Ele faz-se entender que na verdade ele não é tudo aquilo de ruim, mas as pesoas que se mostram boas demais, sem defeitos....

    acho que está aí a contradição!

    Espero ter ajudado, fé!