SóProvas


ID
2432827
Banca
Marinha
Órgão
Quadro Técnico
Ano
2015
Provas
Disciplina
Português
Assuntos

Texto 1 

Agronegócio e a morte da Amazônia

    É comum ver nos discursos de empresários e políticos o pensamento ufanista sobre as maravilhas de nosso agronegócio, dizendo que a produção brasileira "alimenta o mundo" e que nosso gado é "verde". É um discurso que lembra a propaganda do Brasil Grande, de triste memória, e tenta pôr uma grande sujeira para baixo do tapete.

    Os estrangeiros já sabem: nossa exploração agrícola, soja à frente, já destruiu 4 de cada 10 hectares de cerrado . Nesse ritmo, esse ecossistema estará extinto em 20 anos. Não é à toa, visto que o nosso gado tem a pior produtividade do mundo: uma vaca ocupa, para engordar, um hectare de terra, cada vez mais frequentemente roubado à Amazônia. Com os mesmos metros quadrados, um agricultor europeu produz alimentos nobres e caros, para alimentar e enriquecer seres humanos. Enquanto isso, nossa soja alimenta porcos na China. 

    Se computarmos o dano irreversível ao meio ambiente, bem público que destrói com a devastação da terra, e o somarmos aos subsídios e às generosas rolagens de dívidas dos grandes produtores, o cálculo revelará um agronegócio insustentável. Em vez de alimentar o mundo e enriquecer os brasileiros, ele se tornou uma destrutiva usina de insumo industrial barato.

    É um modelo que ameaça (ao invés de garantir) o objetivo de dobrar a produção mundial de alimentos em 35 anos para receber 2 bilhões de novas bocas. Para fazer sua parte, alimentar os brasileiros e ganhar dinheiro exportando comida de gente, não de suínos, é necessário mudar a escandalosa cultura de desperdício do campo brasileiro.

    Quando se trata de plantar para dar de comer a rebanhos, a chamada "taxa de conversão" é muito baixa: uma vaca dá três calorias de carne para cada cem calorias de grãos que come para engordar (sim, 3%); o porco produz dez calorias, e o frango, 12, para cada cem que consome. É melhor o aproveitamento da vaca leiteira (40 calorias no leite) e da galinha poedeira (12 no ovo, para cada cem consumidas). Em outras palavras, gerar proteína animal é sempre um péssimo negócio, e o boi é o pior de todos. 

    E como funciona o agronegócio brasileiro? Metade de nossa produção agrícola é ração de animais a preços irrisórios. E a estrela de nossa pecuária é exatamente a carne de vaca. Enquanto isso, importamos feijão e outros alimentos pagando mais caro. 

    O Brasil viveu até hoje com a falsa impressão de que a água e a terra eram bens infinitos. Essa visão está em xeque com a crise hídrica, causada em parte pelo desmatamento da Amazônia e do cerrado. Num pais em que a água escasseia, quase 70% de seu consumo é para irrigação de áreas de cultivo. A pecuária é um mata-borrão: suga 11% de nossa água - mesmo consumo dos 200 milhões de humanos do Brasil.

    Com o desmatamento para abrir pastos, fontes de água são destruídas e o regime de chuvas muda. O gado não somente consome verdadeiras cachoeiras em seu processo de engorda, como já produz escassez antes mesmo de ocupar os extensos hectares de floresta que destrói. 

    Gastamos água, que falta a humanos, para matar a sede infinita das vacas e regar a soja que vai ser exportada a preços irrisórios. Enquanto isso, continuamos a nos ufanar de uma opção econômica que está nos consumindo a todos, com a água e a terra fartas que um dia este Brasil ganhou de presente. 

(SERVA, Leão. Agronegócio e a morte da Amazônia. Folha de São Paulo, São Paulo, 24 nov. 2014. Cotidiano.) 

Em "O Brasil viveu até hoje com a falsa impressão de que a água (7°§), o termo sublinhado apresenta-se como

Alternativas
Comentários
  • Um advérbio é capaz de funcionar isoladamente, não depende de outras palavras e pode mudar a posição na frase.

    Se existir uma ideia de inclusão, a palavra até é um advérbio.

    Ex: Puseram tudo em cima da mesa, até o computador.


    Uma preposição, ao contrário, sempre precisa das palavras que estão depois dela para que a frase faça sentido.

    Quando indica limite ou espaço ou quantidade, a palavra até é uma preposição.

    Ex: O espetáculo dura até amanhã.

    A preposição, portanto, não pode aparecer sozinha.


    A palavra até está, também, mais ligada à palavra hoje do que ao verbo viveu.


    Acho que é isso!

  • Palavras Denotativas são palavras que se assemelham a um advérbio, mas não podem ser consideradas como tal, pois não modificam o verbo, o adjetivo ou o advérbio e sim uma frase inteira ou outras palavras como pronomes ou substantivos.

    Ele não fala, apenas murmura palavras. --> exclusão.

    Então ele disse toda a verdade. --> situação.

    Até comprei uma roupa nova. --> inclusão.

    Eu sei o que ele disse. --> realce.

    Como a colega disse acima.. "Quando indica limite ou espaço ou quantidade, a palavra até é uma preposição."

    Letra C.