1 Teorias crítico-reprodutivistas
Desde muito cedo, escutamos que estudando poderíamos crescer na vida e ganhar muito dinheiro. A crença otimista da escola como “instrumento de equalização”, ou seja, como meio de tornar iguais as chances para indivíduos que pertencem a classes diferentes, também atraiu muitos teóricos da educação.
Durante as décadas de 60 e 70 do século passado, diversos intelectuais franceses (oriundos principalmente das ciências sociais) chegaram praticamente na mesma conclusão: a ideia da função equalizadora da escola era ingênua, porque, em vez de democratizar, a escola reproduz as diferenças sociais, perpetua o status quo e, por isso, é um instituição altamente discriminatória e repressiva (pg 252).
BOURDIEU E PASSERON: A VIOLÊNCIA SIMBÓLICA
Estes autores franceses escreveram duas obras: Os Herdeiros (1964) e A Reprodução (1970). Nestes escritos, encontramos severas críticas à instituição escolar ao analisar esta cultura a partir dos condicionantes sociais, concluindo pela total dependência da escola em relação à sociedade.
Jean-Claude Passeron. FONTE: http://pinber.wordpress.com/2009/03/30/jean-claude-passeron-e-pierre-bourdieu/
O mérito destes autores está em desfazer a ilusão de autonomia absoluta do sistema escolar. Neste caso, a escola está diretamente unida ao contexto social, marcando os indivíduos submetidos à educação de maneira inevitável e irreversível. Encontramos nestas características o que os autores chamam de: violência simbólica, escondida através de uma neutralidade pedagógica.
Denominamos violência simbólica o exercício do poder de imposição das ideias transmitidas por meio da comunicação cultural, da doutrinação política e religiosa, das práticas esportivas da educação escolar. A violência simbólica leva as pessoas a agir e a pensar por imposição, sem se darem conta dessa coação. Nesse sentido, a cultura e os sistemas simbólicos em geral podem se tornar instrumentos de poder quando legitimam a ordem vigente e tornam homogêneo o comportamento social (pg 252)
complementando...
Teorias-Crítico-reprodutivistas
No final da década de 70, surge no cenário educacional um corpo de teorias, aqui denominadas crítico-repodutivistas, mas também conhecidas como pessimismo pedagógico ou pessimismo ingênuo na Educação. Têm como baliza a percepção de que a Educação, ao contrário do que pensam as teorias não-críticas, sempre reproduz o sistema social onde se insere, sempre reproduz as desigualdades sociais. Seu nome, crítico-reprodutivo, advém do fato de, apesar de perceberem a determinação social da educação (críticas), consideram que esta mantém com a sociedade uma relação de dependência total (reprodutivistas).
Para os crítico-reprodutivistas, a Educação legitima a marginalização, reproduzindo a marginalidade social através da produção da marginalidade cultural, advindo daí o caráter seletivo da escola. Não é, portanto, possível compreender a Educação, senão a partir dos seus determinantes sociais.
Diferentemente das teorias não-críticas, as crítico-reprodutivistas não possuem uma proposta pedagógica; limitam-se às análises profundas da determinação social da Educação
Fonte :http://www.obore.com/acontece/textos_especiais_em_torno_de_algumas.asp