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ID
2828938
Banca
AOCP
Órgão
SUSIPE-PA
Ano
2018
Provas
Disciplina
Português
Assuntos

                                          TEXTO I


                              Vida de Acompanhante

      Ana teve que fazer uma pequena intervenção cirúrgica e me convidou para ser seu acompanhante na casa de saúde. Bem, normalmente evito passar até na porta de um hospital (atravesso sempre para o outro lado da rua, receoso de apagar diante de um bafo mais forte de éter). Aquela situação, porém, não me permitia simplesmente bater em retirada. Mesmo assim, o medo falou mais alto e bem que tentei cair fora.

      - Escuta, Ana, quero lhe dizer que me sinto profundamente honrado com o convite que você me faz para ser seu partner no hospital mas... Será que vai pegar bem? Será que o pessoal do hospital não vai reparar de você ter o próprio marido como acompanhante? Você sabe como é esse pessoal de hospital, fala demais. Vão dizer que você é uma mulher absorvente, ciumenta, que não larga o marido nem para ser operada.

      - Se você não quiser ir - disse ela muito segura - eu chamo outra pessoa.

      - Não, Ana. Que é isso? Eu vou, claro. Tamos aí, firme e forte. O problema é que não tenho muita experiência. Talvez pudéssemos chamar outra pessoa para ir com a gente. Na minha vida, só entrei como acompanhante em baile de formatura. O convite do hospital dá direito a levar quantos acompanhantes?

- Um. Um só. E vai ser você. Ou será que você está com medo?

      - Quem, eu? - dei aquela do machão. - Você não me conhece... Sou uma fera braba dentro de um hospital.

      - Tenho a impressão de que você está com medo.

      Não adianta fingir, pensei. Resolvi me entregar:

      - Morrendo, Ana. Tô morrendo de medo. Não sei se vou agüentar. Tenho pavor de entrar em hospital, aquele clima, aquele cheiro... Veja, já estou suando só de pensar.

      - Fique tranqüilo - disse ela me afagando - não precisa se preocupar. Não vou deixá-lo sozinho.

      - Você jura? Mas e quando você estiver na sala de cirurgia, quem vai tomar conta de mim?

      - Fique calmo, bobinho. Deixo minha irmã tomando conta de você. Eu volto logo. Qualquer coisa, estarei ao seu lado.

A conversa foi muito reconfortante. Ana procurou me dar força e, depois de ouvila durante três horas, senti que já estava psicologicamente preparado para enfrentar a situação de acompanhante. [...]

NOVAES, Carlos Eduardo. Vida de acompanhante. In: A cadeira do dentista. Coleção Para gostar de ler. 8.ed.. São Paulo: Ática, 2005, p. 26-27.

Releia o seguinte fragmento, retirado do 1º parágrafo do texto.


“Bem, normalmente evito passar até na porta de um hospital (atravesso sempre para o outro lado da rua, receoso de apagar diante de um bafo mais forte de éter).”.


A ideia presente nesse fragmento entra em contradição com qual dos trechos a seguir?

Alternativas
Comentários
  • Gab C

  • A TODO MOMENTO ELE AFIRMA TER MEDO DE ENTRA EM HOSPITAIS A CONTRADIÇÃO EM 1,2,3>

    C

    “Você não me conhece... Sou uma fera braba dentro de um hospital.” Força e honra

  • A contradição está na C, pois ele tem medo e nem passa perto da porta do hospital, mas na alternativa C ele está como uma fera corajosa dentro do hospital.

  • Questão super tranquila. GAB C

  • “Você não me conhece... Sou uma fera braba dentro de um hospital.” Não tem como ser outra alternativa, questão tranquila.

  • galera, contradição é a mesma coisa que uma idéia oposta, contrária a original
  • contradição: dito, procedimento ou atitude oposta ao que se dissera ou adotara anteriormente.

  • Fragmento: tem medo de passar até na frente.

    Contradição: dizer que não tem medo.

    Então GABARITO C

  • O convite do hospital dá direito a levar quantos acompanhantes?

    - Um. Um só. E vai ser você. Ou será que você está com medo?

    .

    Deixo minha irmã tomando conta de você.”

    _________________-

    2 contradições.

    Se o Hospital só aceita 1 acompanhante, e o marido ja está acompanhando, então a irmã não entra, não é paciente