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ID
2831869
Banca
UFRR
Órgão
UFRR
Ano
2018
Provas
Disciplina
Português
Assuntos

                                     TEXTO I

                     SOBRE HIENAS E VIRA-LATAS


      Aproveitando o momento de vulnerabilidade política e econômica do nosso país, os defensores de uma integração dependente do Brasil na economia internacional estão lançando uma nova ofensiva, facilitada pelas agruras do ajuste fiscal, com queda nos investimentos governamentais e o descrédito – convenientemente estimulado – das empresas estatais, na esteira do escândalo da Petrobrás. Em vez de atacar a raiz desses ilícitos, que é o financiamento empresarial das campanhas eleitorais (o que não diminui a responsabilidade dos transgressores da lei), os pós-neoliberais preferem investir contra os poucos instrumentos de política industrial que o Estado brasileiro ainda detém. A estratégia é ampla e não se limita a aspectos internos da economia. Incide diretamente sobre a forma pela qual o Brasil se insere na economia mundial.

      Três linhas de ação têm sido perseguidas. Uma já faz parte do antigo receituário de boa parte dos comentaristas em matéria econômica: o Brasil deveria abandonar a sua preferência pelo sistema multilateral (representado pela Organização Mundial do Comércio) e dar mais atenção a acordos bilaterais com economias desenvolvidas, seja com a União Europeia, seja com os Estados Unidos da América. O refinamento, não totalmente novo, é o de que, para chegar a esses acordos, o Brasil deve buscar a “flexibilização” do Mercosul, privando-o de sua característica essencial de uma união aduaneira. Sem perceber que a motivação principal da integração é política – já que a Paz é o maior bem a ser preservado – os arautos da liberalização, sob o pretexto de aumentar nossa autonomia em relação aos nossos vizinhos, facilitando a abertura do mercado brasileiro, na verdade empurrarão os sócios menores (não em importância, mas em tamanho) para os braços das grandes potências. É de esperar que não venham a reclamar quando bases militares estrangeiras surgirem próximo das nossas fronteiras.

      O segundo pilar do tripé, que está sendo gestado em gabinetes de peritos desprovidos de visão estratégica, consiste em tornar o Brasil membro pleno da OCDE, a organização que congrega primordialmente economias desenvolvidas. Essa atitude contraria a posição de aproximação cautelosa seguida até aqui e que nos tem permitido participar de vários grupos, sem tolher nossa liberdade de ação. A lógica para a busca ansiosa pelo status de membro pleno residiria na melhoria do nosso rating junto às agências de risco, decorrente do nosso compromisso com políticas de investimentos, compras governamentais e propriedade intelectual (entre outras) estranhas ao modelo de crescimento defendido por sucessivos governos brasileiros, independentemente de partidos ou de ideologias. O ganho no curto prazo se limitaria, se tanto, a um aspecto de marketing, e seria muito pequeno quando comparado com o custo real, representado pela perda de latitude de escolha de nossas políticas (industrial, ambiental, de saúde, etc.).

      Finalmente – e esse é o aspecto mais recente da ofensiva pós-neoliberal – há quem já fale em ressuscitar a Área de Livre Comércio das Américas, cujas negociações chegaram a um impasse entre 2003 e 2004, quando ficou claro que os EUA não abandonariam suas exigências em patentes farmacêuticas (inclusive no que tange ao método para a solução de controvérsias) e pouco ou nada nos ofereceriam em agricultura. A Alca, tal como proposta, previa não apenas uma ampla abertura comercial em matéria de bens e serviços, de efeitos danosos para nosso parque industrial, mas também regras muito mais estritas e desfavoráveis aos nossos interesses do que as que haviam sido negociadas multilateralmente (isto é, no sistema GATT/OMC), inclusive por governos que antecederam ao do Presidente Lula. Tudo isso, sob a hegemonia da maior potência econômica do continente americano (e, por enquanto pelo menos, do mundo).

      Medidas desse tipo não constituem ajustes passageiros. São mudanças estruturais, que, caso adotadas, alterariam profundamente o caminho de desenvolvimento que, com maior ou menor ênfase, sucessivos governos escolheram trilhar. Os que propugnam por esse redirecionamento de nossa inserção no mundo parecem ignorar que mudanças desse porte, sem um mandato popular expresso nas urnas, seriam não só prejudiciais economicamente, mas constituiriam uma violência contra a democracia. Evidentemente nosso governo não se deixará levar por pressões midiáticas, mas até alguns ardorosos defensores de um Brasil independente e soberano podem não ser de todo infensos a influências de intelectuais que granjearam alguma respeitabilidade pela obra passada. Daí a necessidade do alerta: “intelectuais progressistas, preparai-vos para o debate”. Ele vai ser duro e não se dará somente nos salões acadêmicos ou nos corredores palacianos. Terá que ir às ruas, às praças e às portas de fábrica.

                         (Texto de Celso Amorim, Carta Maior - 14 de abril de 2015)

Considerando as principais características do gênero textual (forma, função, estilo e conteúdo), podemos classificar o TEXTO I “Sobre hienas e vira-latas” como:

Alternativas
Comentários
  • A questão pede o gênero (artigo de opinião) e não o tipo (dissertativo-argumentativo)

  • GABARITO A

    Texto narrativo:

    romance, novela,fábulas, lendas..

    Conto é um texto narrativo e essencialmente ficcional.  É uma trama que gira em torno de algum acontecimento ou circunstância, no mais das vezes não real, envolvendo um ou mais personagens. 

    História em quadrinhos (HQ) é uma narrativa visual que, normalmente, expressa a língua oral e apresenta um enredo rápido, empregando somente imagem ou associando palavra e imagem. (tirinhas)

    Crônicas tratam de acontecimentos corriqueiros do cotidiano. Texto curto. Narrativa histórica que expõe os fatos seguindo uma ordem cronológica. Transmite os contrastes do mundo em que vivemos. Apresenta episódios reais ou fictícios.

     

    Texto descritivo:

    Diário, relatos (viagens, históricos), biografia e autobiografia, notícias, curriculos, lista de compras, cardápio, anúncios de classificados.

     

    Texto dissertativo-argumentativo:

    carta de opinião, artigo..

    o texto resenha serve para apresentar outro (texto-base), desconhecido do leitor. Apresenta resumidamente o maior número de informações.Deve conter uma análise e um julgamento, seja de verdade ou de valor. Por tratar-se de um resumo crítico, este tipo de texto exige que o resenhista seja alguém com conhecimentos na área, pois só assim poderá avaliar e julgar a obra criticamente

    artigo de opinião é um tipo de texto que o autor tem a finalidade de apresentar determinado tema e seu ponto de vista, também sustenta-los através de informações.

     editorial é um tipo de texto utilizado na imprensa, especialmente em jornais e revistas, que tem por objetivo informar, mas sem obrigação de ser neutro, indiferente.

    Artigo científico é o trabalho acadêmico que apresenta resultados sucintos de uma pesquisa realizada de acordo com o método científico aceito por uma comunidade de pesquisadores. (dissertação de mestrado, tese de doutorado)

    Ensaio é um texto que se expõe ideias, críticas, reflexões e impressões pessoais sobre certo debate ou questão de ordem científica .O ensaio problematiza algumas questões sobre determinado assunto, focadas pela opinião do autor e geralmente, apresentam conclusões originais.

     

    Texto- expositivo:

    Seminários, palestras, conferências, entrevistas, trabalhos acadêmicos, enciclopédia, verbetes de dicionários.

     

    Texto injuntivo:

    Propaganda, receita culinária, bula de remédio, manual de instruções, regulamentos, textos prescritivos.

     

    Texto informativo:

    Jornais e revistas., livros de divulgação, folhetos, artigos e reportagens, anúncios e propaganda, avisos, anúncios públicos, correspondência pessoal ou comercial, convites, entrevistas.

     Notícia é qualquer tipo de informação que apresenta um acontecimento novo e recente ou que divulga uma novidade sobre uma situação já existente.

     

     

    Gêneros primários: São aqueles que utilizamos em nossa atividade cotiada (dialogo de carta, bilhete, receita etc).

    Gêneros secundários: Surgem nas condições de um convívio cultural mais complexo (esferas publicas (tese, monografia, resenha, seminários, conferências, etc).

     

    fonte:meus resumos

     

     

  • Gêneros textuais podem ser compreendidos como as diferentes formas de linguagem empregadas nos textos, configurando-se como manifestações socialmente reconhecidas que procuram alcançar intenções comunicativas semelhantes, exercendo funções sociais específicas. Os gêneros textuais são inúmeros e cada um deles possui o seu próprio estilo de escrita e de estrutura. Alguns deles: E-mail;Notícia; Artigo; Biografia;Editorial;Palestra;Edital, etc.


    Tipo textual – É a forma como um texto se apresenta. Pode ser classificado como narrativo, argumentativo, dissertativo, descritivo, informativo ou injuntivo

  • Artigo de opinião que é o gênero no qual se fala uma opinião sobre um determinado assunto.

  • Caí na pegadinha do gênero/ artigo de opinião, e estrutura/Dissertativo-argumentativo. #atenção

  • Nos artigos de opinião, geralmente, o título é chamativo, provocador e polêmico, característica que percebemos no texto mencionado: SOBRE HIENAS E VIRA-LATAS