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ID
2831881
Banca
UFRR
Órgão
UFRR
Ano
2018
Provas
Disciplina
Português
Assuntos

                                     TEXTO I

                     SOBRE HIENAS E VIRA-LATAS


      Aproveitando o momento de vulnerabilidade política e econômica do nosso país, os defensores de uma integração dependente do Brasil na economia internacional estão lançando uma nova ofensiva, facilitada pelas agruras do ajuste fiscal, com queda nos investimentos governamentais e o descrédito – convenientemente estimulado – das empresas estatais, na esteira do escândalo da Petrobrás. Em vez de atacar a raiz desses ilícitos, que é o financiamento empresarial das campanhas eleitorais (o que não diminui a responsabilidade dos transgressores da lei), os pós-neoliberais preferem investir contra os poucos instrumentos de política industrial que o Estado brasileiro ainda detém. A estratégia é ampla e não se limita a aspectos internos da economia. Incide diretamente sobre a forma pela qual o Brasil se insere na economia mundial.

      Três linhas de ação têm sido perseguidas. Uma já faz parte do antigo receituário de boa parte dos comentaristas em matéria econômica: o Brasil deveria abandonar a sua preferência pelo sistema multilateral (representado pela Organização Mundial do Comércio) e dar mais atenção a acordos bilaterais com economias desenvolvidas, seja com a União Europeia, seja com os Estados Unidos da América. O refinamento, não totalmente novo, é o de que, para chegar a esses acordos, o Brasil deve buscar a “flexibilização” do Mercosul, privando-o de sua característica essencial de uma união aduaneira. Sem perceber que a motivação principal da integração é política – já que a Paz é o maior bem a ser preservado – os arautos da liberalização, sob o pretexto de aumentar nossa autonomia em relação aos nossos vizinhos, facilitando a abertura do mercado brasileiro, na verdade empurrarão os sócios menores (não em importância, mas em tamanho) para os braços das grandes potências. É de esperar que não venham a reclamar quando bases militares estrangeiras surgirem próximo das nossas fronteiras.

      O segundo pilar do tripé, que está sendo gestado em gabinetes de peritos desprovidos de visão estratégica, consiste em tornar o Brasil membro pleno da OCDE, a organização que congrega primordialmente economias desenvolvidas. Essa atitude contraria a posição de aproximação cautelosa seguida até aqui e que nos tem permitido participar de vários grupos, sem tolher nossa liberdade de ação. A lógica para a busca ansiosa pelo status de membro pleno residiria na melhoria do nosso rating junto às agências de risco, decorrente do nosso compromisso com políticas de investimentos, compras governamentais e propriedade intelectual (entre outras) estranhas ao modelo de crescimento defendido por sucessivos governos brasileiros, independentemente de partidos ou de ideologias. O ganho no curto prazo se limitaria, se tanto, a um aspecto de marketing, e seria muito pequeno quando comparado com o custo real, representado pela perda de latitude de escolha de nossas políticas (industrial, ambiental, de saúde, etc.).

      Finalmente – e esse é o aspecto mais recente da ofensiva pós-neoliberal – há quem já fale em ressuscitar a Área de Livre Comércio das Américas, cujas negociações chegaram a um impasse entre 2003 e 2004, quando ficou claro que os EUA não abandonariam suas exigências em patentes farmacêuticas (inclusive no que tange ao método para a solução de controvérsias) e pouco ou nada nos ofereceriam em agricultura. A Alca, tal como proposta, previa não apenas uma ampla abertura comercial em matéria de bens e serviços, de efeitos danosos para nosso parque industrial, mas também regras muito mais estritas e desfavoráveis aos nossos interesses do que as que haviam sido negociadas multilateralmente (isto é, no sistema GATT/OMC), inclusive por governos que antecederam ao do Presidente Lula. Tudo isso, sob a hegemonia da maior potência econômica do continente americano (e, por enquanto pelo menos, do mundo).

      Medidas desse tipo não constituem ajustes passageiros. São mudanças estruturais, que, caso adotadas, alterariam profundamente o caminho de desenvolvimento que, com maior ou menor ênfase, sucessivos governos escolheram trilhar. Os que propugnam por esse redirecionamento de nossa inserção no mundo parecem ignorar que mudanças desse porte, sem um mandato popular expresso nas urnas, seriam não só prejudiciais economicamente, mas constituiriam uma violência contra a democracia. Evidentemente nosso governo não se deixará levar por pressões midiáticas, mas até alguns ardorosos defensores de um Brasil independente e soberano podem não ser de todo infensos a influências de intelectuais que granjearam alguma respeitabilidade pela obra passada. Daí a necessidade do alerta: “intelectuais progressistas, preparai-vos para o debate”. Ele vai ser duro e não se dará somente nos salões acadêmicos ou nos corredores palacianos. Terá que ir às ruas, às praças e às portas de fábrica.

                         (Texto de Celso Amorim, Carta Maior - 14 de abril de 2015)

O advérbio de modo pode ser substituído pelo adjetivo sem prejuízo de significado em:

Alternativas
Comentários
  • Alguém para dar uma explicação, por favor?

  • essas bancas da UF sao tudo umas beleza né. / poem textos GIGANTES e na questao perguntam sobre o texto sem identificar as linhas.. ai claro nós que temos TODO tempo do mundo pra responder as questoes tempos que reler o texto e localizar as frases. PELO AMOR.. né;;


    assertiva B correta “independente de partidos ou de ideologias”   substituir o adverbio pelo adjetivo

  • A) convenientemente modifica um verbo. Adjetivos não modificam verbo.

    C) “O refinamento, não total novo (???)

    D) primordialmente modifica um verbo, adjetivos não modificam verbo.

    E) “final (???)– e esse é o aspecto mais recente da ofensiva pós-neoliberal – há quem já fale” – final.


    Gabarito, letra C.


  • A) convenientemente modifica um verbo. Adjetivos não modificam verbo.

    C) “O refinamento, não total novo (???)

    D) primordialmente modifica um verbo, adjetivos não modificam verbo.

    E) “final (???)– e esse é o aspecto mais recente da ofensiva pós-neoliberal – há quem já fale” – final.


    Gabarito, letra C.


  • É comum vermos em textos e também em nossas conversas do dia a dia a substituição do vocábulo independente por independentemente e vice versa.

    Independente de você ir ou não, eu vou!

    Independentemente de você ir ou não, eu vou!

  • Gabarito Letra B - se for ver os mestres de língua portuguêsa aqui vc estão ferrados


  • O COMENTÁRIO É LONGO MAIS ACHO QUE VALE A PENA LER


    Adjetivo adverbializado



    O adjetivo, dependendo do contexto, pode ocupar a função de advérbio, permanecendo invariável e, dessa forma, é chamado de adjetivo adverbializado. Sendo assim, o adjetivo adverbializado tem o valor de advérbio ao modificar o verbo, o adjetivo ou o próprio advérbio. É o que acontece quando ele é substituído por advérbios de modo terminados em –mente, provocando uma mensagem mais rápida, enfática e acessível.


    Vejamos alguns exemplos abaixo:


    Venha rápido ver o carro da Madona passando. – Rapidamente


    Clarice escorregou, caiu e bateu forte no chão. – Fortemente


    Daniel chegou apressado no hospital. – Apressadamente


    Tocaram leve a campainha do senhor da casa amarela. – Levemente


    Os irmãos tratavam todas crianças iguais. - Igualmente


    Regina falou diferente na palestra. – Diferentemente


    Ou ainda, em propagandas famosas como:


    A cerveja que desce redondo. ” – Redondamente


    Viaje tranquilo, vá pela União. ” – Tranquilamente


    Em Adjetivos Adverbializados, a forma adverbial invariável impede a possibilidade de concordância fazendo aflorar o modo por que se processa a ação indicada. Embora o adjetivo adverbializado deva permanecer invariável, existem casos, usados por autores renomados, de sua concordância com o sujeito da oração. É o caso da passagem abaixo de Machado de Assis:


    ...rompendo nestas palavras meias suspiradas.


    Segundo Celso Cunha, isso acontece pela ampla região de contato existente entre o adjetivo e o advérbio.

    O sufixo –mente representa a condição para a palavra ser classificada como advérbio. Dessa forma, com o sufixo -mente presente, o adjetivo se transforma em advérbio.

  • O GABARITO DA BANCA É B