SóProvas


ID
2840527
Banca
CONSULPAM
Órgão
Câmara de Juiz de Fora - MG
Ano
2018
Provas
Disciplina
Português
Assuntos

Leia o Texto II


16 milhões de brasileiros sofrerão com a automação na próxima década


    A elite política e econômica global está preocupada com o futuro do trabalho. Só no Brasil, 15,7 milhões de trabalhadores serão afetados pela automação até 2030, segundo estimativa da consultoria McKinsey. Uma amostra recente foi o corte de 60 mil cargos públicos anunciado pelo governo Michel Temer este mês, boa parte em razão da obsolescência, como no caso de datilógrafos e digitadores.
    No mundo, no período entre 2015 e 2020, o Fórum Econômico Mundial prevê a perda de 7,1 milhões de empregos, principalmente aqueles relacionados a funções administrativas e industriais. A avaliação de especialistas da área é que o mercado de trabalho passa por uma grande reestruturação, semelhante à revolução industrial. A diferença é que agora tudo acontece muito mais rápido: desde 2010, o número de robôs industriais cresce a uma taxa de 9% ao ano, segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT).
    Um caminho para contornar o problema é treinar a força de trabalho para que aqueles de menor qualificação profissional não fiquem para trás, diz o diretor da OIT. “Os novos empregos que estão sendo criados demandam habilidades matemáticas, analíticas e digitais. Isso significa que é preciso treino vocacional”, afirma. Ele cita como exemplo o Senai, cuja proposta é preparar mão de obra técnica para a indústria. Estudo na Unicef divulgado em dezembro alerta para o risco da tecnologia digital transformar-se em um novo motor de desigualdade. Embora 1 em cada 3 usuários da internet seja uma criança, há ainda 346 milhões de jovens sem acesso ao mundo digital.
    Há uma forte preocupação com os trabalhadores de menor qualificação, em termos do impacto da tecnologia. Essas pessoas não são realmente alfabetizadas digitais, e não terão oportunidade para aprender habilidades específicas. Eles serão deixados para trás e terão uma empregabilidade muito pequena", diz Salazar, da OIT. A velocidade com que as mudanças ocorrem demanda mudanças também na educação dos mais velhos, diante do prolongamento da vida profissional, na esteira do aumento da longevidade. A automação não é a único motivo de preocupação. A emergência de novas relações profissionais fora do contrato tradicional é outro fator desestabilizador. Um novo grupo de pessoas cresce à margem dos direitos trabalhistas, classificados ora como “trabalhadores independentes”, ora como "invisíveis" ou simplesmente "informais".
    Segundo pesquisa feita pelo Fórum Econômico Mundial com diretores das áreas de recursos humanos em empresas de 15 países, 44% deles acreditam que o maior impacto no mercado hoje vem das mudanças no ambiente de trabalho, como home office, e nos arranjos flexíveis, como contratação de pessoas físicas para trabalhar por projeto (a chamada "pejotização”). O percentual é semelhante entre os brasileiros (42%). Outra forma emergente de trabalho são os relacionados à "gig economy", como plataformas online e aplicativos – programadores freelancer e motoristas de Uber entram nessa categoria. A tendência é de que as empresas reduzam ao máximo o número de empregados fixos dentro do contrato tradicional, terceirizando para consultores o que for possível como forma de redução de custos e ganho de eficiência, segundo o Fórum Econômico Mundial.
    Assim, embora a tecnologia gere uma demanda por novas atividades altamente qualificadas, como programação de um aplicativo, a probabilidade é que as empresas terceirizem a função, em vez de contratar diretamente esse profissional. Gerenciamento de mídias sociais é um exemplo de função repassada a consultores, pagos por tarefa. Essa ausência do reconhecimento de uma relação de emprego faz a OIT classificar esse tipo de trabalho como "invisível".
    Ainda não está claro se elas serão regulamentadas ou se cairão no trabalho informal, diz a OIT. Já nos Estados Unidos e na Europa, ganha força a classificação da categoria como "trabalhadores independentes", calculada em 162 milhões de pessoas pela consultoria McKinsey. A reforma trabalhista feita no Brasil no final de 2017 tentou abarcar em parte essas mudanças, ao regulamentar o home office, por exemplo. Polêmicas, como a situação dos motoristas de Uber, contudo, persistem.
    Um desafio extra para o Brasil é que ele precisa começar a lidar com essas questões novas ao mesmo tempo em que ainda não resolveu problemas antigos, como o alto índice de informalidade, que voltou a subir durante a crise e hoje atinge 44,6% dos trabalhadores, segundo o IBGE. É preciso estender a cobertura da legislação ao "velho" e ao "novo" mercado, Salazar-Xirinachs, diretor regional da OIT para a América Latina e Caribe. "O objetivo não é proteger o emprego em si, mas sim garantir os direitos trabalhistas clássicos mesmo que haja mais flexibilidade", diz.
    Para o sociólogo Ruy Braga, professor da USP e autor dos livros "A Rebeldia do Precariado" (2017) e "A Política do Precariado" (2012), as novas formas de trabalho que surgem mascaram o avanço do velho subemprego. Para ele, a reforma trabalhista, ao formalizar atividades de tempo parcial ou de curta duração, oficializa essa desestruturação do mercado. "Do ponto de vista microeconômico, é bastante racional que você elimine cargos intermediários. Mas, do ponto de vista social, a coisa se complica, porque você vai ter menos empregos de qualidade e de maior renda. Consequentemente, uma sociedade mais polarizada, o que significa mais desigual e com dificuldades de se integrar", avalia.

(Extraído e adaptado de:

https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2018/01/1951904-16-milhoes-de-brasileiros-sofrerao-com-automacao-naproxima-decada.shtml)

Assinale a alternativa que reescreve o enunciado “Embora 1 em cada 3 usuários da internet seja uma criança, há ainda 346 milhões de jovens sem acesso ao mundo digital.”, sem prejuízo do sentido nem da norma culta.

Alternativas
Comentários
  • Sinônimo de embora

    18 sinônimos de embora para 4 sentidos da palavra embora:

    Apesar de:

    1 conquanto, apesar de que, a despeito de, não obstante, apesar de, ainda que, bem que, mesmo que, se bem que.


    Como interjeição:

    2 dá no mesmo, é-me indiferente, não me importa, ora, seja assim, tanto faz. (Independentemente).


    Em desuso:

    3 em boa hora.


    No plural - felicitações:

    4 felicitações, parabéns.


    Relacionada

    ir embora

    Fonte: https://www.sinonimos.com.br/embora/


    Letra: A

  • não entendi

  • Conjunção subordinativa concessiva: EMBORA

    Utiliza-se também a conjunção: conquanto e as locuções ainda que, ainda quando, mesmo que, se bem que, posto que, apesar de que.


  • A letra d está correta. Nada obstante equivale a não obstante. As duas são locuções conjuntivas podendo ter valor concessiva ou adversativa.

  • O examinador foi taxativo. Ele quer tanto concordância semântica quanto em relação ao conectivo e a única alternativa que n apresenta erros em ambos é a alternativa (A) Eu errei essa questão ,mas identifiquei o erro e já n erro mais rsrs # Uma questão muda sua vida

  • poderia ser tanto A,C,D

  • Pra mim a letra C não cabe.

    "embora" é uma conjunção conssesiva.

    "contudo" é uma conjunção adversativa.

    Há contextos semânticos alterados em decorrência das conjunções serem de classificações diferentes.

    Pelo menos enxerguei desta forma.

  • MUITA ATENÇÃO!!!

    Na questao pede a equivalencia de sentido E DA NORMA CULTA!

    SEMANTICAMENTE

    As conjunções adversativas e concessivas são usadas com o mesmo propósito: ligar enunciados com orientação argumentativa contrária. Contudo, elas possuem funções diferentes e, por isso, é fundamental saber diferenciá-las para entender qual delas utilizar em cada

    Nas adversativas, o argumento mais forte é aquele que acompanha a conjunção.

    Veja:

    ex: Ele é inteligente, mas é preguiçoso.

    No caso das concessivas, a orientação argumentativa que sobressai é a do segmento que não é introduzido pela conjunção.

    Veja:

    ex: Embora tenha chovido, o jogo ocorreu normalmente.

    Isso faria com que as alternativas C e D também estejam corretas.

    AGORA COM RELAÇÃO À NORMA CULTA...

    C)Apesar de 1 em cada 3 usuários da internet seja (SER) uma criança, há ainda 346 milhões de jovens sem acesso ao mundo digital.

    Com relação à letra D,não vejo erro.

  • Alternativa B está iniciando a frase com numeral sem estar por escrito, não pode.

  • Gab. A. (Sem erros)

    Imagino que o ERRO da D seja a falta de coesão:

    "Nada obstante de que 1 em cada 3"

  • Vivendo e errando.

  • Consulpam adora uma troca de conjunção, viu?!

  • Minha professora Patrícia Manzato, foi de grande ajuda para entender o erro na letra C já quem "embora" e "apesar de" são orações subordinadas concessivas.

    Segue a explicação:

    ""Embora" e "apesar de" são conjunções equivalentes em sentido, mas sua estrutura gramatical é diferente. "Embora" requer que o verbo seja conjugado no Modo Subjuntivo, o que não ocorre com "apesar de". Por isso a alternativa C está errada. O correto seria "Apesar de 1 em cada 3 usuários da internet ser (....)""

  • Reescritura de: “Embora 1 em cada 3 usuários da internet seja uma criança, há ainda 346 milhões de jovens sem acesso ao mundo digital.”, sem prejuízo do sentido nem da norma culta.

    A) Independentemente de 1 em cada 3 usuários da internet ser uma criança, há ainda 346 milhões de jovens sem acesso ao mundo digital.

    B) 1 em cada 3 usuários da internet é uma criança, contudo, há ainda 346 milhões de jovens sem acesso ao mundo digital. Muda-se o sentido com "contudo", de valor adversativo. Ademais, está iniciando a frase com numeral sem estar por escrito, o que contraria a norma culta.

    C) Apesar de 1 em cada 3 usuários da internet seja uma criança, há ainda 346 milhões de jovens sem acesso ao mundo digital. Erro na concordância.

    D) Nada obstante 1 em cada 3 usuários da internet ser uma criança, há ainda 346 milhões de jovens sem acesso ao mundo digital. Faltou o "de que" em "nada obstante de que..".

  • Concessiva

    Sinônimos de embora: Apesar de: Apesar de, ainda que, apesar de que, não obstante, a despeito de, independentemente de, sem embargo de, conquanto, se bem que, posto que, malgrado.

  • Essa foi cruel.