SóProvas


ID
2962285
Banca
IBADE
Órgão
SEE -PB
Ano
2017
Provas
Disciplina
Português
Assuntos

                     O amor romântico prega coisas mentirosas, diz psicanalista


Hamurabi Dias

      O amor. Um dia ele chega para todo mundo, acredite você leitor (leitora ), ou não. Na contemporaneidade, o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, em seu livro “O Amor Líquido”, transforma a célebre frase marxista - “tudo que é sólido se desmancha no ar” - em ponto de partida para debater a fragilidade dos laços humanos e lançar o conceito de “líquido mundo moderno”. Em síntese, o autor traz uma reflexão crítica de como esse mundo “fluido", uma das principais características dos compostos líquidos, fragilizou os relacionamentos humanos. O sociólogo observa que o amor tornou-se, na sociedade moderna, como um passeio no shopping Center - ícone do capitalismo - e como tal deve ser consumido instantaneamente e usado uma só vez, sem preconceito. É o que considera a sociedade consumista do amor. Pois bem, é nesta linha fluida, sem preconceito e destarte liberal, com frases como “Ter parceiro único pode se tornar coisa do passado” e “Variar é bom, todo mundo gosta”, que a psicanalista e escritora Regina Navarro Lins, crítica do que considera “amor romântico”, lança os dois volumes do "O Livro do Amor”.

      “O Livro do Amor” é um estudo que começa desde a pré-história, seguindo por todos os períodos da humanidade, até chegar à atualidade. “Descobri coisas muito interessantes, como que o amor é uma construção social, e que em cada época ele se apresenta de uma forma”, avalia. No século XX, o livro é dividido em três partes. Para a psicanalista o que mudou o amor na contemporaneidade foram duas invenções: o automóvel e o telefone. “Pela primeira vez na história as pessoas puderam marcar encontro pelo telefone, mesmo com os moralistas defendendo que era uma indecência a voz do homem entrar pelo ouvido da mulher”, lembrou. Regina Navarro Lins acredita que muito dos nossos comportamentos atuais têm origem em períodos históricos passados, como o “amor romântico", surgido lá... no século XII. “Eu aponto também as tendências de como o amor está se transformando. A repressão diminuiu, ainda bem. O sexo é da natureza, é desejável, mas a nossa cultura judaico-cristã sempre viu o sexo com maus olhos. Nos últimos dois mil anos foi visto como algo abominável, a repressão sexual foi horrorosa”, apontou.

      Sobre o tão alardeado amor romântico, Lins inicia sua critica observando o caráter sub-humano que foi atribuído à mulher ao longo dos anos. “A mulher foi considerada incompetente e burra. O cavalheirismo é uma ideia péssima para as mulheres. Gentileza é outra coisa. O cavalheirismo implica sempre em o homem tratar a mulher como se ela fosse incompetente. Não tem sentido, se observarmos como a mulher foi considerada no passado, até hoje pessoas defenderem a ideia de que a mulher não pode puxar uma cadeira", comparou a psicanalista.

      Regina Navarro defende também que o amor romântico é baseado na idealização do outro, a invenção de uma pessoa, atribuindo a ela características que não tem. “Depois passa a vida 'azucrinando' o outro para mudar o jeito de ser, para se enquadrar naquilo que se imaginou. Esse tipo de amor prega coisas mentirosas, como de que não existe desejo por mais ninguém, de que os amados vão se completar e nada mais vai faltar, que um terá todas as suas necessidades completadas pelo outro. É um amor prejudicial, o que critico é o que ele propõe. As pessoas só vão viver bem em um relacionamento se houver a liberdade de ir e vir”, observou.

Disponível em:<http://www.bomdiafeira.com.br/noticias/palcocultural/9534/0+amor+rom%C3%A2ntico+prega+coisas+mentirosas,+diz+psicanalista&gt;. Acesso em: 23 de outubro de 2017. (Adaptado).

A frase "O cavalheirismo implica sempre em o homem tratar a mulher como se ela fosse incompetente.”, como efeito expressivo, mostra:

Alternativas
Comentários
  • Há mesmo uma comparação na estrutura. Observa-se sem dificuldades a presença do conector comparativo "como". Ressalto também grave erro de regência no segmento  "implica sempre em o homem [...]". O verbo "implicar" não rege a preposição "em".

    Letra C

  • O cavalheirismo implica sempre em o homem tratar a mulher como se ela fosse incompetente

    C

  • A = ERRADA - Paradoxo se refere à algo contrário ao que se pensa, fugindo do senso comum. Exemplo: "Sua vitória como presidente foi um paradoxo político"

    B = ERRADA - Pleonasmo se refere à repetição de palavras causando redundância. Exemplo: "Sair para fora"

    C = CORRETA/GABARITO

    D = ERRADA - Hipérbole se refere à exagero intencional. Exemplo: "Morrendo de sede"

    E = ERRADA - Onomatopéia se refere à reprodução de sons através de palavras. Exemplo: "buá, grrr, psiu"

  • Comparação é uma figura de linguagemna língua portuguesa, que consiste na ideia de relacionar dois termos diferentes numa mesma oração, com o intuito de reforçar ou enfatizar a mensagem a ser transmitida.

    Exemplo: “Os seus olhos brilhavam como estrelas no céu” ou “Meu filho joga futebol como o Pelé”.

    Gabarito:C

  • comparação/símile

  • GAB CCCCC

    COMO = IGUAL (NESSE SENTIDO)

  • REGÊNCIA DO VERBO IMPLICAR

    No sentido de acarretar (VTD) -> Sua atitude implicará demissão.

    No sentido de perturbar (VTI) -> Não implique com sua irmã.

    No sentido de envolver-se (VTDI) -> Ana implicou-se em problemas amorosos.