SóProvas


ID
3000862
Banca
FUNCERN
Órgão
Prefeitura de Apodi - RN
Ano
2019
Provas
Disciplina
Português

Os pontos cegos de nosso cérebro e o risco eterno de acidentes

                                                                                                                 Luciano Melo


    O motorista aguarda o momento seguro para conduzir seu carro e atravessar o cruzamento. Olha para os lados que atravessará e, estático, aguarda que outros veículos deixem livre o caminho pela via transversal à sua frente. Enquanto espera, olha de um lado a outro a vigiar a pista quase livre. Finalmente não avista mais nenhum veículo que poderá atrapalhar seu planejado movimento. É hora de dirigir, mas, no meio da travessia, ele é surpreendido por uma grave colisão. Uma motocicleta atinge a traseira de seu veículo.

    Eu tomo a defesa do motorista: ele não viu a moto se aproximar. Presumo que vários dos leitores já passaram por situação semelhante, mas, caso você seja exceção e acredite que enxergaria a motocicleta, eu o convido a assistir a um vídeo que existe sobre isso. O filme prova quão difícil é perceber objetos que de repente somem ou aparecem em uma cena.

    Nossa condição humana está casada com uma inabilidade de perceber certas mudanças. Claro que notamos muitas alterações à nossa volta, especialmente se olharmos para o ponto alvo da modificação no momento em que ela ocorrerá. Assim, se olharmos fixamente para uma janela cheia de vasos de flores, poderemos assistir à queda de um deles. Mas, se desviarmos brevemente nossos olhos da janela, justamente no momento do tombo, é possível que nem notemos a falta do enfeite. O fenômeno se chama cegueira para mudança: nossa incapacidade de visualizar variações do ambiente entre uma olhada e outra.

    No mundo real, mudanças são geralmente antecedidas por uma série de movimentos. Se esses movimentos superam um limiar atrativo, vão capturar nossa atenção que focará na alteração considerada dominante. Por sua vez, modificações que não ultrapassam o limiar não provocarão divergência da atenção e serão ignoradas.

    Quando abrimos nossos olhos, ficamos com a impressão de termos visão nítida, rica e bem detalhada do mundo que se estende por todo nosso campo visual. A consciência de nossa percepção não é limitada, mas nossa atenção e nossa memória de curtíssimo prazo são. Não somos capazes de memorizar tudo instantaneamente à nossa volta e nem podemos nos ater a tudo que nos cerca. Nossa introspecção da grandiosidade de nossa experiência visual confronta com nossas limitações perceptivas práticas e cria uma vivência rica, porém efêmera e sujeita a erros de interpretações. Dimensiona um gradiente entre o que é real e o que se presume, algo que favorece os acidentes de trânsito.

    Podemos interpretar que o acidente do exemplo do início do texto se deu porque o motorista convergiu sua atenção às partes centrais da pista, por onde os carros preferencialmente circulam sob velocidade mais ou menos previsível. Assim que o último carro passou, ficou fácil pressupor que o centro da pista permaneceria vazio por um intervalo de tempo seguro para a travessia. As laterais da pista, locais em que motocicletas geralmente trafegam, não tiveram a atenção merecida, e a velocidade da moto não estava no padrão esperado.

    O mundo aqui fora é um caos repleto de acontecimentos, e nossos cérebros têm que coletar e reter alguns deles para que possamos compreendê-lo e, assim, agirmos em busca da nossa sobrevivência. Mas essas informações são salpicadas, incompletas e mutáveis. Traçar uma linha que contextualize todos esses dados não é simples. Eventualmente, esse jogo mental de ligar pontinhos cria armadilha para nós mesmos, pois por vezes um ponto que deveria ser descartado é inserido em uma lógica apenas por ser chamativo. E outro, ao contrário, deveria ser considerado, mas é menosprezado, pois à primeira vista não atendeu a um pressuposto.

    Essas interpretações podem provocar outras tragédias além de acidentes de carro.

Disponível em:<https://www1.folha.uol.com.br>. Acesso em: 20 abr. 2019. (texto adaptado)

No trecho “[...]poderemos assistir à queda de um deles.”, a ocorrência do acento grave é justificada

Alternativas
Comentários
  • GABARITO: LETRA D

     “[...]poderemos assistir à queda de um deles.”

    → assistir com significado de VER é transitivo indireto → quem assiste, assiste A algo (o verbo é o termo que rege o uso da preposição, termo regente);

    → queda → substantivo feminina → termo regido, acompanhando do artigo definido feminino "a";

    → preposição "a" + artigo definido feminino "a" = à.

    FORÇA, GUERREIROS(AS)!!

  • assistir a algo 

  • O uso de crase antes de verbo é proibido!!

    Assim sendo, matamos já alternativa B e C

    Regra básica da crase:

    Preposição + artigo A

    Ou seja?!

    alternativa D

    Edital verticalizado e conteúdos gratuitos, recomendo: www.organizeconcursos.com.br/blog

  • Gabarito''D''.

    poderemos assistir à queda de um deles.

    Na frase , o verbo “assistir” é transitivo indireto e exige preposição “a”, e o substantivo ''queda'' é feminino e admite artigo “a”, por isso há crase.==>D) pela exigência de preposição do termo regente, que é um verbo, e pela exigência de artigo do termo regido, que é um nome.

    Estudar é o caminho para o sucesso.

  • GABARITO: D

    Isso aqui tu tem que gravar, cai muito em prova: o verbo assistir será transitivo direto quando tiver o sentido de ajudar. Por outro lado, será verbo transitivo indireto quando tiver o sentido de ver.

    "Não pare até que tenha terminado aquilo que começou". - Baltasar Gracián.

    Bons estudos!

  • A questão é sobre crase e é necessário conhecimento da regência para responder. O comando da questão quer que encontremos o motivo que foi utilizada a crase no trecho deixado em destaque. Vejamos:

     “[...]poderemos assistir à queda de um deles.”, 

    Temos o verbo assistir com sentido de observar, logo rege a preposição "a"+ nome feminino que aceita o artigo "a".

    a) Está errada, o verbo não rege artigo e sim preposição. INCORRETA.

    b) Errada, porque o termo regente é um verbo.INCORRETA

    c) Está errada, pois o termo regente é um verbo e rege preposição. INCORRETA.

    d) Está perfeita essa alternativa, visto que descreve perfeitamente o motivo que ocorreu a crase na frase. CORRETA.