SóProvas


ID
3148444
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de Arujá - SP
Ano
2019
Provas
Disciplina
Português
Assuntos

      Creio que muito de nossa insistência, enquanto professoras e professores, em que os estudantes “leiam”, num semestre, um sem-número de capítulos de livros, reside na compreensão errônea que às vezes temos do ato de ler. Em minha andarilhagem pelo mundo, não foram poucas as vezes em que jovens estudantes me falaram de sua luta às voltas com extensas bibliografias a serem muito mais “devoradas” do que realmente lidas ou estudadas. Verdadeiras “lições de leitura” no sentido mais tradicional desta expressão, a que se achavam submetidos em nome de sua formação científica e de que deviam prestar contas através do famoso controle de leitura. Em algumas vezes cheguei mesmo a ler, em relações bibliográficas, indicações em torno de que páginas deste ou daquele capítulo de tal ou qual livro deveriam ser lidas: “Da página 15 à 37”.

      A insistência na quantidade de leituras sem o devido adentramento nos textos a serem compreendidos, e não mecanicamente memorizados, revela uma visão mágica da palavra escrita. Visão que urge ser superada. A mesma, ainda que encarnada desde outro ângulo, que se encontra, por exemplo, em quem escreve, quando identifica a possível qualidade de seu trabalho, ou não, com a quantidade de páginas escritas. No entanto, um dos documentos filosóficos mais importantes de que dispomos, As teses sobre Feuerbach, de Marx, tem apenas duas páginas e meia...

      Parece importante, contudo, para evitar uma compreensão errônea do que estou afirmando, sublinhar que a minha crítica à magicização da palavra não significa, de maneira alguma, uma posição pouco responsável de minha parte com relação à necessidade que temos, educadores e educandos, de ler, sempre e seriamente, os clássicos neste ou naquele campo do saber, de nos adentrarmos nos textos, de criar uma disciplina intelectual, sem a qual inviabilizamos a nossa prática enquanto professores e estudantes.

                                                               (Paulo Freire. A importância do ato de ler)

No texto, o autor defende uma concepção de leitura como

Alternativas
Comentários
  • GABARITO: LETRA A

    ? [...] relação à necessidade que temos, educadores e educandos, de ler, sempre e seriamente, os clássicos neste ou naquele campo do saber, de nos adentrarmos nos textos, de criar uma disciplina intelectual, sem a qual inviabilizamos a nossa prática enquanto professores e estudantes.

    ? Isto é, um processo que o leitor penetra/adentra no texto e procura compreender aquilo que está lendo.

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  • A insistência na quantidade de leituras sem o devido adentramento nos textos a serem compreendidos, e não mecanicamente memorizados...

    A processo em que o leitor penetra o texto para compreendê-lo.

  • A questão trabalha interpretação e compreensão textual.

    Alternativa (A) correta - O autor defende que a leitura não pode, simplesmente, ser “devorada", decorada, mas uma leitura em que o leitor, de fato, adentre no texto para compreendê-lo. Por isso, ele preza qualidade, e não quantidade. Afinal de contas, uma leitura compreendida faz com que a pessoa tenha uma visão crítica dos fatos da vida.

    Alternativa (B) incorreta - O autor defende a qualidade da leitura, e não a quantidade de informações que só vão sendo mecanicamente memorizadas.

    Alternativa (C) incorreta - O autor não defende esse tipo de obtenção de informações porque, simplesmente, será um “emaranhado" de informações sem a devida compreensão da leitura. Serão apenas páginas “devoradas" do que realmente lidas.

    Alternativa (D) incorreta - Pelo contrário, ele defende que a magia está numa leitura em que possamos nos adentrar nos textos, que possamos criar uma disciplina intelectual.

    Alternativa (E) incorreta - Certamente, o autor defende uma leitura responsável, compreensiva a fim de que o leitor possa ter uma visão crítica em relação aos fatos da vida, pois, tendo uma leitura não mecanizada, este leitor é capaz de “ler o mundo".

    Gabarito da professora: alternativa A.