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ID
3163261
Banca
Prefeitura do Rio de Janeiro - RJ
Órgão
Prefeitura de Rio de Janeiro - RJ
Ano
2019
Provas
Disciplina
História
Assuntos

“A gênese do homem branco nas mitologias indígenas difere em geral da gênese de outros ‘estrangeiros’ ou inimigos porque introduz, além da simples alteridade, o tema da desigualdade no poder e na tecnologia. O homem branco é muitas vezes, no mito, um mutante indígena, alguém que surgiu do grupo. Frequentemente também, a desigualdade tecnológica, o monopólio dos machados, espingardas e objetos manufaturados em geral, que foi dado aos brancos, deriva, no mito, de uma escolha que foi dada aos índios. Eles poderiam ter escolhido ou se apropriado desses recursos, mas fizeram uma escolha equivocada. Os Krahô e os Canela, por exemplo, quando lhes foi dada a opção, preferiram o arco e a cuia à espingarda e ao prato. Os exemplos dessa mitologia são legião: lembro apenas, além dos já citados, os Waurá que não conseguem manejar a espingarda que lhes é oferecida em primeiro lugar pelo Sol, os Tupinambá setecentistas do Maranhão cujos antepassados teriam escolhido a espada de madeira em vez da espada de ferro. Para os Kawahiwa, os brancos são os que aceitaram se banhar na panela fervente de Bahira: permaneceram índios os que recusaram. O tema recorrente que saliento é que a opção, no mito, foi oferecida aos índios, que não são vítimas de uma fatalidade, mas agentes de seu destino. Talvez escolheram mal. Mas fica salva a dignidade de terem moldado a própria história”.
CUNHA, Manuela Carneiro da. História dos Índios no Brasil. São Paulo:
Companhia das Letras: FAPESP/SMC, 1992.

Ao entregar esse fragmento de texto a educandos do 7º ano, o professor deve ter por objetivo:

Alternativas
Comentários
  • Gabarito D

    Essa questão pode ser explicada pela pedagogia. A Escola Crítica considera prioritário que o conteúdo seja ensinado com caráter intencional. Podemos afirmar que na Escola Crítica o conhecimento possui um caráter histórico e intencional. O currículo é uma manifestação de poder daquele que o exerce. Tem como principais autores Paulo Freire, Michel Apple e Pierre Bourdieu.

    Ao entregar um texto que explica a colonização com o olhar do nativo, o objetivo é retirar o ranço tradicional do ensino de história no qual o nativo foi/é um aculturado, não civilizado ou inocente a ser conquistado pelo europeu cientificamente e tecnologicamente superior. Ao mesmo tempo ajuda a explicar como os nativos viram o processo em suas diferentes tribos.