SóProvas


ID
3312874
Banca
Gestão Concurso
Órgão
Prefeitura de Itabirito - MG
Ano
2016
Provas
Disciplina
Português
Assuntos

O lápis e o teclado

Marcelo Leite* 

        Deveria pensar duas vezes quem estiver convencido de que a escrita à mão caminha para se tornar obsoleta – em particular se tiver filhos pequenos. Tudo indica que essa habilidade é crucial para aprender a ler e a pensar.

          Repare na moça ou moço bonito a seu lado no metrô. Enquanto seus polegares deslizam fluidos pela telinha do celular, escrevendo mensagens, parece impossível reter a crença de que caligrafia ainda sirva para alguma coisa.

         Sempre me questiono. Quem se importa? Lápis e papel são coisas do passado, não contribuem para se conectar a nada no mundo digital, tornando-se assim inúteis.

         Com os smartphones, até mesmo laptops já viram peça de museu. Se antes ensinar a escrever à mão ia perdendo prioridade nos sistemas educacionais, não tardará o momento em que alguém vai defender alfabetizar a criançada direto com letras numa tela. Será um erro crasso.

             Há pencas de estudos mostrando que escrever à mão de maneira legível e rápida tem correlação estreita com desempenho escolar. Vai bem na escola quem escreve direito (médicos sendo a exceção que confirma a regra).

               Os gaiatos dirão que professores preferem os alunos com letra bonita e os premiam com notas melhores. Pode ser. Mas há algo mais em jogo a sugerir que vale a pena dedicar-se a fazer meninas e meninos trabalharem mais com lápis e papel.

                E quanto mais cedo melhor. Crianças de dois e três anos já estão aptas a experimentar com riscos que as prepararão aos quatro ou cinco para produzir formas geométricas e, depois, letras de fôrma completas. A partir daí entra em cena, ou deveria, a escrita cursiva. Teclados e telas, só mais para o fim do ensino fundamental.

                  Desenhar os caracteres de maneira contínua, conectando-os uns aos outros, prepara o cérebro para ler. Facilita fixar a correspondência entre grupos de signos e a unidade de sílabas, ou palavras inteiras.

               Nossos cérebros precisam ser empurrados na direção certa. Eles não foram feitos para ler e escrever. Essa atividade só se tornou possível porque cooptou para a tarefa uma área conhecida como giro fusiforme, envolvida também no reconhecimento de rostos.

              Como tudo em educação, o sucesso desse recrutamento depende de exercício. Se não fosse o receio de soar antiquado demais, ou de deixar entrever que há um quê de nostalgia nisso, diria até ser o caso de considerar seriamente a ressurreição dos cadernos de caligrafia.

          Ainda me lembro de ficar com o giro fusiforme em brasa (metaforicamente falando), os dedos suados e o médio da mão direita vermelho na primeira falange, ainda desprovida de calo, diante daquelas três raias em que precisava fazer correr o grafite errático -sem calcar demais.

           Maiúsculas e minúsculas como "t" tinham de tocar o limite superior; vogais minúsculas ficavam espremidas na linha do meio; a perna do "p" se esticava toda para baixo. E repetições, muitas: "A casa do João é bonita".

             Até hoje tomo notas à mão e gravo melhor os argumentos quando posso sublinhá-los no papel. Gesto e memória caminham juntos – e juntos chegam mais longe.

* Repórter especial do jornal Folha de São Paulo.

(Disponível em:

http://www1.folha.uol.com.br/colunas/marceloleite/2016/0

6/1785512-o-lapis-e-o-teclado.shtml. Acesso em 01 jul.

2016 - Adaptado)

Leia os comentários sobre os fragmentos transcritos do texto e classifique-os como V (VERDADEIROS) ou F (FALSOS).

a) (_____) Na frase “Desenhar os caracteres de maneira contínua, conectando-os uns aos outros, prepara o cérebro para ler”, o termo grifado é um pronome oblíquo átono, colocado após o verbo na forma nominal do gerúndio, para caracterizar o uso pronominal da próclise.

b) (_____) Em “Tudo indica que essa habilidade é crucial para aprender a ler e a pensar”, é obrigatório o uso do sinal indicativo de crase no “a”, antes dos verbos “ler” e “pensar”.

c) (_____) No trecho “Se não fosse o receio de soar antiquado demais, ou de deixar entrever que há um quê de nostalgia nisso”, o termo em destaque é um monossílabo tônico e está acentuado por se tratar de um substantivo.

d) (_____) No período “Os gaiatos dirão que professores preferem os alunos com letra bonita e os premiam com notas melhores”, o termo grifado retoma o substantivo “professores”.

A sequência CORRETA de classificação, de cima para baixo, é:

Alternativas
Comentários
  • GABARITO: LETRA A

    a) (F) Na frase ?Desenhar os caracteres de maneira contínua, conectando-os uns aos outros, prepara o cérebro para ler?, o termo grifado é um pronome oblíquo átono, colocado após o verbo na forma nominal do gerúndio, para caracterizar o uso pronominal da próclise ? incorreto, próclise (=antes do verbo), nesse item temos ênclise (=após o verbo).

    b) (F) Em ?Tudo indica que essa habilidade é crucial para aprender a ler e a pensar?, é obrigatório o uso do sinal indicativo de crase no ?a?, antes dos verbos ?ler? e ?pensar? ? incorreto, NÃO TEMOS CRASE ANTES DE VERBO.

    c) (V) No trecho ?Se não fosse o receio de soar antiquado demais, ou de deixar entrever que há um quê de nostalgia nisso?, o termo em destaque é um monossílabo tônico e está acentuado por se tratar de um substantivo ? correto, temos o artigo indefinido "um" marcando a substantivo do "que", classifica-se como monossílabo tônico terminado em -e.

    d) (F) No período ?Os gaiatos dirão que professores preferem os alunos com letra bonita e os premiam com notas melhores?, o termo grifado retoma o substantivo ?professores? ? incorreto, o pronome oblíquo átono em destaque retoma o termo "alunos com letra bonito" e não "professores".

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