SóProvas


ID
3370912
Banca
FUNDEP (Gestão de Concursos)
Órgão
Câmara de Santa Bárbara - MG
Ano
2018
Provas
Disciplina
Português
Assuntos

INSTRUÇÃO: Leia o texto I a seguir para responder à questão.


TEXTO I


Presos que menstruam: descubra como é a vida das mulheres nas penitenciárias brasileiras


Maria Aparecida lembrava uma avó. Uma dessas avós imaginárias que cresceram com histórias de Dona Benta. Cabelos grisalhos, ombros curvados, pele caída de um jeito simpático ao redor dos olhos, expressão bondosa. Ela estava sentada, quieta e isolada, no fundo de um auditório improvisado na Penitenciária Feminina de Santana, em São Paulo, quando desatou a contar histórias da vida. Revelou que foi presa ao ajudar o genro a se livrar de um corpo. A certa altura contou que tinha apenas 57 anos. A cadeia havia surrado sua aparência, ela envelhecera demais. Tinha criado 20 filhos, mas há quase três anos não recebia nenhuma visita ou ajuda, um Sedex sequer, e tinha que se virar com a bondade do Estado. E a bondade do Estado com as presas sempre esteve em extinção no Brasil. “Sabe, tem dia que fico caçando jornal velho do chão para limpar a bunda”, contou, sem rodeios.

Conversando com detentas como Maria, para meu livro Presos que menstruam, lançado este mês pela Editora Record, percebi que o sistema carcerário brasileiro trata as mulheres exatamente como trata os homens. Isso significa que não lembra que elas precisam de papel higiênico para duas idas ao banheiro em vez de uma, de Papanicolau, de exames pré-natais e de absorventes internos. “Muitas vezes elas improvisam com miolo de pão”, diz Heidi Cerneka, ativista de longa data da Pastoral Carcerária.

A luta diária dessas mulheres é por higiene e dignidade. Piper Chapman, protagonista da série Orange is the New Black, cuja terceira temporada acabou de estrear no Netflix, provavelmente não sobreviveria numa prisão brasileira. Se a loira ficou abalada ao encarar as prisões limpinhas dos Estados Unidos, como reagiria às masmorras medievais malcheirosas e emboloradas brasileiras, nas quais bebês nascem em banheiros e a comida vem com cabelo e fezes de rato? As prisões femininas do Brasil são escuras, encardidas, superlotadas. Camas estendidas em fileiras, como as de Chapman, são um sonho. Em muitas delas, as mulheres dormem no chão, revezando-se para poder esticar as pernas. Os vasos sanitários, além de não terem portas, têm descargas falhas e canos estourados que deixam vazar os cheiros da digestão humana. Itens como xampu, condicionador, sabonete e papel são moeda de troca das mais valiosas e servem de salário para as detentas mais pobres, que trabalham para outras presas como faxineiras ou cabeleireiras.

[...]


QUEIROZ, Nana. Revista Galileu.

Disponível em: <https://glo.bo/2J0sGYq>. Acesso em: 23 maio 2018 (Fragmento adaptado).

Releia o trecho a seguir.
“[...]
como reagiria às masmorras medievais [...]”

Em relação
à ocorrência de acento indicativo de crase desse trecho, considere as afirmativas a seguir.
I. O
acento é facultativo, podendo ser suprimido nesse contexto.
II. O verbo “reagir” é transitivo indireto.

III. O substantivo “masmorras” está definido.


Estão corretas as afirmativas

Alternativas
Comentários
  • GABARITO: LETRA C

    ? ?[...] como reagiria às masmorras medievais [...]?

    I. O acento é facultativo, podendo ser suprimido nesse contexto ? incorreto, temos o artigo definido "as" presente e a preposição "a" regida pelo verbo "reagiria" (=reagiria a algo ? verbo transitivo indireto, é um verbo que pede um complemento preposicionado).

    II. O verbo ?reagir? é transitivo indireto ? correto, conforme explicação anterior.

    III. O substantivo ?masmorras? está definido ? correto, temos um substantivo feminino que está sendo acompanhando pelo artigo definido "as".

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    FORÇA, GUERREIROS(AS)!! 

  • Com a regra geral da crase, responde-se não somente a essa questão, mas como a todas. Para o professor Celso Pedro Luft, ensinam regras e, por isso mesmo, as pessoas comentem erro quando se trata de crase. Partindo do princípio que considera inútil um compêndio com regras engessadas e lições mecânicas para justificar o fenômeno, o professor afirma sumariamente que a regra a ser observada é uma só:

    Acentua-se o "a" duplo (a + a → à)

    Vejamos o trecho:

    “[...] como reagiria às masmorras medievais [...]”

    Agora, aos itens:

    I. O acento é facultativo, podendo ser suprimido nesse contexto.

    Incorreto. Não pode ser suprimido, pois há determinação do complemento verbal (masmorras);

    II. O verbo “reagir” é transitivo indireto.

    Correto. Rege preposição "a";

    III. O substantivo “masmorras” está definido.

    Correto. Por isso se justifica o fenômeno crásico.

    Letra C