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ID
5017066
Banca
IADES
Órgão
SES-DF
Ano
2020
Provas
Disciplina
Psicologia
Assuntos

Um homem de 63 anos de idade é um paciente antigo da ala psiquiátrica de um tradicional instituto de saúde mental da sua região. Está institucionalizado há 36 anos, tendo perdido seus vínculos familiares e comunitários originais. É conhecido por ser inteligente e articulado, mas também agitado e com pensamentos de onipotência, como nas diversas situações em que afirma ser “irmão de Deus”, enviado para libertar a humanidade do satanismo. Frequentemente, o paciente fica sentado em uma cadeira no pátio da instituição, de forma que é possível perceber a boca dele se contraindo, bem como a respectiva cabeça que, constantemente, se contrai para o lado esquerdo, de maneira involuntária. O paciente passa boa parte do dia sentado nessa cadeira, quase imóvel, com olhar vago em uma única direção. No horário do almoço, cotidianamente, algum enfermeiro se aproxima do paciente e o convida para almoçar, ao que ele responde, prontamente, caminhando em direção ao refeitório. Costuma iniciar a refeição usando as mãos para levar o alimento até a boca, mas, sempre que é repreendido por algum cuidador, passa a utilizar os talheres disponíveis. A equipe relata que o paciente realiza as próprias atividades fisiológicas de maneira independente, mas que necessita, continuamente, de ser lembrado pela equipe de ir ao banheiro, beber água etc. Regularmente, a instituição que acolhe o paciente recebe visitas de estudantes de psicologia e de psiquiatria, e ele sempre é entrevistado por tais estudantes. Relata, nessas ocasiões, o respectivo grau de parentesco com Deus e adentra um diálogo acerca de sua missão divina, mas, sempre que indagado quanto a pontos da própria história, age como se tivesse se esquecido do que estava falando, afirmando sempre “não sei, não lembro”. A rotina desse paciente tem sido essa, com pouquíssimas mudanças ao longo dos últimos 36 anos.  

A respeito desse caso clínico e com base nos conhecimentos correlatos, julgue o item a seguir.


Nesse caso a hipótese diagnóstica, para o caso desse paciente, é a de que ele possui transtorno esquizofreniforme, fato que pode ser verificado pelos delírios presentes e persistentes, como também pela conduta desorganizada dele.

Alternativas
Comentários
  • GABARITO ERRADO

    Transtorno Esquizofreniforme:

    • Idêntico ao critério A da esquizofrenia (Delírios, alucinações, pensamento e discurso desorganizado, comportamento motor grosseiro ou desorganizado)
    • Entre 1 e 6 meses para diagnosticar
    • Funcionamento pessoal e profissional prejudicado não é critério diagnóstico

    A descrição do caso não apresenta dados suficientes para diagnóstico de transtorno esquizofreniforme. Além disso, os delírios presentes e persistentes, como também a conduta desorganizada do indivíduo, não são critérios isolados para diagnosticar o referido transtorno.

  • Apesar dos dados serem escassos para realizar um diagnóstico dentro do espectro da esquizofrenia, percebe-se que no começo do texto se referem ao paciente como antigo. Fica subentendido que ele transparece esse sintoma há anos. Assim, é impossível se tratar do Transtorno Esquizofreniforme, que só pode ter duração de até 6 meses.
  • Gabarito: errado!

    Concordo com o Luiz. Até mesmo porque o quadro de Transtorno Esquizofreniforme é uma condição grave, não vemos, diante do relatado, prejuízos funcionais grosseiros do paciente, ele apresenta boa conduta, não é resistente, tem um convívio tranquilo no espaço e se relaciona bem com as pessoas ao seu redor. A única coisa marcante é a presença de delírio, que não é fator suficiente para esse diagnóstico.

    Dattebayo.