SóProvas


ID
5040241
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
Prefeitura de Betim - MG
Ano
2020
Provas
Disciplina
Português
Assuntos

Somos solidários?

Juremir Machado da Silva

   Um cachorrinho entrou na ambulância para acompanhar o dono. Um desempregado enfrentou um pitbull para salvar uma criança. Pessoas servem refeições sob os viadutos para moradores em situações de rua. Uma mulher faz protesto solitário contra os bilhões destinados ao fundo eleitoral que alimentará campanhas políticas cheias de truques publicitários. Como é a vida nestes tempos trepidantes e tecnológicos?
    Estávamos em Santa Catarina numa linda pequena praia numa zona de proteção ambiental. Ao final da tarde, conseguimos, contra todas as expectativas, um Uber para ir a uma praia vizinha com uma faixa de areia maior para caminhar. O motorista não podia nos esperar para o retorno. Tentamos obter um carro de aplicativo até que os celulares começaram a sinalizar que ficariam sem bateria. Era um bairro fashion de imensas casas, carros poderosos e muita gente nas ruas, mas nada de bares, salvo uma padaria. A estrada de volta para a nossa praia, cheia de curvas, não tinha acostamento. Era um convite para um acidente.
   Táxis não havia. A noite caía no último dia do ano. Parou uma camionete. Fui conversar com o motorista. Ele disse que estávamos na mesma pousada, a uns 15 minutos de carro dali, mas que não podia nos levar por ter pressa de chegar a uma festa, a uns 15 minutos na direção contrária, onde passaria a noite. Tratei de mostrar-lhe que entendia perfeitamente a situação. A pousada não tinha carro disponível que soubéssemos. Ainda assim, se nada rolasse, ligaríamos para pedir resgate. Tão perto e tão longe. Meu celular se apagou. O da Cláudia ainda resistia. Surgiu, então, a esposa do homem da camionete. Ela saía da padaria com as últimas encomendas para a festa. Ficou constrangida com a nossa situação. Quando já se preparavam para sair, ela nos acenou com um papel: o telefone de um senhor que fazia corridas na região.
    Ligamos. O homem que atendeu nos prometeu aparecer em 40 minutos. Será que viria? Enquanto esperávamos, sentados na calçada, víamos gente passar. Ninguém parecia nos notar. Comecei a me sentir profundamente infeliz. Refletia: eu teria levado aquele homem à pousada se fosse eu a estar de carro e ele a procurar uma saída para a bobagem em que se metera? É fácil acusar o egoísmo alheio quando se está em apuros. Faltando dez minutos, usamos o último restinho de bateria para conferir com Seu Antônio se, de fato, ele viria. Confirmou. No máximo em 20 minutos. Passaria por nós, acenaria, seguiria na direção oposta com passageiros e voltaria para nos pegar. Assim aconteceu. Precisamente.
    O nosso problema era tão pequeno. Mesmo assim, desagradável. Como teríamos resolvido se o desconhecido Seu Antônio, fazendo corridas havia apenas 15 dias, não fosse um homem de palavra, que queria, além de tudo, apenas 20 reais pela viagem? Aprendi algumas pequenas coisas: não confiar cegamente na sorte e em aplicativos, ter fé nos homens simples, negociar melhor a volta quando a ida já é duvidosa. Uma coisa ainda não resolvi: eu teria voltado para deixar o outro na pousada?

Disponível em:
<https://www.correiodopovo.com.br/blogs/juremirmachado/somos-solid%C3%A1rios-1.392893> . Acesso em: 25 jan. 2020. 

Em “Refletia: eu teria levado aquele homem à pousada se fosse eu a estar de carro e ele a procurar uma saída para a bobagem em que se metera?”, ocorre a crase pois

Alternativas
Comentários
  • Teria levado (a alguém) A + o A da pousada (que é uma palavra feminina)

    Essa foi minha linha de pensamento.

    Gab: B

  • A locução “teria levado” exige um complemento que apresenta a preposição “a”. Além disso, é seguida de palavra feminina, “pousada”.

  • Quem leva, leva "a" algum lugar...

  • Para responder a esta questão, exige-se conhecimento em crase. Vejamos o conceito:

    Crase é a fusão de A + A, sendo que o primeiro é sempre a preposição, o segundo pode ser artigo definido "a" ou pronome "aquela, aquele, aquilo..."

    Após vermos o conceito, iremos analisar cada assertiva a fim de encontrarmos o motivo da crase na frase abaixo. Analisemos:

    “Refletia: eu teria levado aquele homem à pousada se fosse eu a estar de carro e ele a procurar uma saída para a bobagem em que se metera?”, ocorre a crase pois

    a) Incorreta.

    A preposição é exigência do verbo "levar", e não do substantivo "homem".

    b) Correta.

    A locução "teria levado" que possui como verbo principal o verbo bitransitivo "levado", exige a preposição A, pois quem leva, leva alguém A algum lugar.  O substantivo feminino "pousada" aceita o artigo definido A. Dessa forma, (A + A= À).

    c) Incorreta.

    Não é necessário usar crase em todas as expressões que indicam lugar, apenas quando aceita o artigo definido e o termo anterior exigir a preposição ou quando for caso de locução adverbial de lugar com núcleo feminino. Ex: À esquerda, à direita…

    d) Incorreta.

    representa uma circunstância de tempo.

    e) Incorreta.

    Não é obrigatória a crase sempre antes da palavra "pousada", no caso em tela, ocorreu porque o termo anterior exigia a preposição A.

    Gabarito: B

  • Minha contribuição.

    Crase: é a fusão de dois sons de a, em que um deles é obrigatoriamente o som da preposição a; o outro som pode ser o do artigo a, o do pronome demonstrativo a, (redução de aquela), ou o da primeira sílaba dos pronomes demonstrativos aquele, aquela (seus plurais) e aquilo.

    Ex.: Limite-se àquilo que combinamos.

    Ex.: Cheguei à escola bem cedo.

    Abraço!!!