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ID
905248
Banca
TJ-SC
Órgão
TJ-SC
Ano
2011
Provas
Disciplina
Português
Assuntos

                                                Texto: “ARTE COM CHICLETES”

                                    Pinturas em miniatura nas calçadas de Londres

      Conhecido por suas esculturas complexas, postas em lugares inesperados, nos últimos tempos Ben Wilson se tornou uma figura familiar nas calçadas de Londres. Depois de ter visto vários de seus trabalhos vandalizados e destruídos, ele saiu do mato e foi para as ruas a explorar uma nova mídia, num cenário diferente - pinturas em miniatura em chicletes jogados no chão.

      Ao longo dos anos, Wilson ficou cada vez mais irritado com o lixo, os carros e resíduos industriais que se tornaram parte integrante da sociedade urbana. Mesmo se refugiando no interior, ainda tinha que enfrentar a sujeira. Começou a trabalhar com o lixo que encontrava, catando bitucas de cigarro e pacotes de batata frita para incorporá-los a suas colagens. Trabalhar com chiclete mascado, in situ, foi uma evolução natural.

      Wilson começou a fazer pinturas em chiclete em 1998, mas só em outubro de 2004 decidiu trabalhar com esse meio em tempo integral. Há anos, vem tentando melhorar o ambiente urbano pintando em cima de outdoors e anúncios, mas a atividade ilegal o levou a conflitos com a lei. O uso de chiclete o libertou e lhe permitiu trabalhar de forma espontânea, sem ter de pedir permissão. "Nosso ambiente é muito controlado e o que mais precisamos é de diversidade", afirmou ele. "Mesmo galerias, museus e editoras são muito controlados."

      Saindo da Barnet High Street, Wilson começou a deixar um rastro de imagens do norte da cidade até o centro. Quase dois anos depois, no entanto, ele ainda permanece a maior parte do tempo na Barnet, a rua onde cresceu, e em Muswell Hill, onde mora com a mulher, Lily, e os três filhos. Como várias pessoas encomendaram retratos, ele se envolveu com os moradores da área. E explica: "Conheço ali muitos lojistas, varredores de rua e policiais. Quando ando pelas ruas, a cada passo penso em uma pintura que preciso fazer para alguém. Está tudo na minha cabeça, e isso faz com que me sinta mais próximo do lugar e do povo." Ele espera que seu trabalho aumente a percepção que os moradores têm do bairro, e que dê às crianças uma ligação maior com o ambiente.

      Wilson tem agora um livro de pedidos que inclui mensagens de amor e amizade, grafites, animais de estimação, anúncios de nascimento e morte. "Cada imagem que faço tem uma história diferente", explicou. "As pinturas refletem as pessoas que passam pela rua." Ele adora o relacionamento direto com as pessoas, os encontros que lhe dão o tema e a inspiração para seu trabalho. As pessoas lhe dizem do que gostam e o que querem, e ele interpreta cada assunto com base na intuição. O desafio de condensar a história de vida de uma família inteira em um único pedaço de chiclete o anima e a intimidade do meio o inspira.

      Cada peça começa da mesma maneira. Wilson seleciona um chiclete velho, derrete-o com um maçarico para endurecer a superfície, cobre-o com uma camada de esmalte acrílico branco e inicia a pintura. Com joelheiras amarradas na calça manchada de tinta e um descanso para apoiar o cotovelo, ele é capaz de passar várias horas debruçado sobre suas obras. Quando a pintura está pronta, Wilson usa a chama de um isqueiro para secá-la, aumentar a clareza das linhas e evitar o pó. Aí passa mais uma camada de esmalte, ou spray automotivo, para lhe dar um acabamento resistente. O método faz com que a obra dure seis meses ou mais.

      Wilson fotografa as pinturas para ter um registro. "As fotos têm vida própria depois que as tiro", observa. Nenhuma das obras em miniatura mede mais do que 5 centímetros de diâmetro. As pinturas em chicletes que ele fez para si mesmo guardam uma semelhança com seus desenhos em pastel, pinturas e obras de colagem tridimensionais, que, por sua vez, refletem as figuras, formas e símbolos de suas esculturas e os ambientes nos quais foram criadas.

      Os padrões de círculos, listras, rabiscos e contornos fortes destacam as imagens do fundo cinza. Padrões abstratos em forma de amebas, em cores deslumbrantes, contêm iniciais, nomes e datas celebrando encontros, amizades e outros relacionamentos. Como antigas placas de lojas, de cores vivas e letras claras, muitas das pinturas no chiclete representam pequenas empresas locais ou retratam personagens familiares em seus afazeres diários - uma escova e um pente na frente do cabeleireiro, o leiteiro fazendo entregas, o cachorro do dono da loja de ferragens. Uma pintura pequena e delicada relembra um pássaro que morreu lá perto. Apelidos, grafites e pedidos de torcedores de rúgbi e futebol aparecem nas imagens de calçada de Wilson.

      Enquanto trabalhava numa imagem pedida por uma policial, em memória dos que morreram nos ataques terroristas de Londres, de julho de 2005, Wilson foi abordado por um guarda de trânsito. Ele lhe contou uma história pessoal de morte e bravura altruísta. A seu pedido, Wilson pintou um chiclete para homenagear os trabalhadores envolvidos no resgate das vítimas dos atentados.

       Wilson admite que, enquanto muitas pessoas estão conscientes do que ele faz, outras podem andar sobre suas obras durante um ano e nem mesmo percebê-las. Mas ele espera que aqueles que notam sua arte tenham uma consciência maior do efeito que as pessoas exercem sobre o ambiente.

      O artista acredita que, em vez de apenas multar e deter, as autoridades devem lidar com as causas do comportamento antissocial, e incentivar os jovens a descobrir sua criatividade. Em junho de 2005, ele foi preso em Trafalgar Square por pintar um retrato do Almirante Nelson em um chiclete. Ele havia sido convidado pelo Conselho de Artes a participar do lançamento da Semana de Arquitetura, mas mais tarde foi informado de que não haviam conseguido obter autorização da prefeitura. "O evento procurava fazer pessoas criativas trabalharem de forma subversiva", explica, "mas parece que não conseguem suportar nada fora dos padrões: eles têm de saber quem, o que, quando e por quê."

      Ao tentar defender sua arte no palco temporário da Trafalgar Square, Wilson foi perseguido por policiais e levado sob custódia. Após ter suas impressões digitais colhidas, foi fotografado e interrogado. Seu punho foi ferido quando a polícia o deteve. Precisou usar uma tipoia, mas foi capaz de ver o humor da situação, observando as semelhanças entre ele e seu tema: "Fiquei parecido com Nelson, com o braço sangrando."

           ELMORE, Julia. Arte com chicletes. Piauí, São Paulo, n. 59, p. 39 – 43, ago. 2011. (adaptado)

“O uso de chiclete o libertou...” Assinale a alternativa que contém o correto processo de formação da palavra em destaque.

Alternativas
Comentários
  • Resposta correta LETRA C) Derivação Regressiva.

    Fundamentação: USO deriva do verbo usar. Trata-se de Derivação Regressiva, pois há uma redução da palavra primitiva.


    Aprofundemos no assunto de Formação das palavras:

    Composição

    O processo de composição forma palavras através da junção de dois ou mais radicais.
    Exemplos: guarda-roupa, pombo-correio.

    Há dois tipos de composição: aglutinação e justaposição.

    Composição por Aglutinação 

    Ocorre quando um dos radicais, ao se unirem, sofre alterações.
    Exemplos: planalto (plano + alto), embora (em + boa + hora).

    Composição por Justaposição

    Ocorre quando os radicais, ao se unirem, não sofrem alterações.
    Exemplos: pé-de-galinha, passatempo, cachorro-quente, girassol.

    Derivação 

    É a formação de palavras a partir da anexação de afixos à palavra primitiva.
    Exemplos: inútil = prefixo in + radical útil.
    O processo de derivação pode ser prefixal, sufixal, parassintético, regressivo e impróprio.

    Derivação Prefixal

    Faz-se pela anexação de prefixo à palavra primitiva.
    Exemplos: desfazer, refazer.

    Derivação Sufixal 

    Faz-se pela anexação de sufixo à palavra primitiva.
    Exemplos: alegremente, carinhoso.
    Os sufixos são divididos em nominais, verbais e adverbiais.
    Sufixos nominais são os que derivam substantivos e adjetivos;
    Sufixos verbais são os que derivam verbos;
    Sufixo adverbial é o que deriva advérbio, esse existe apenas um: -mente

    Derivação Parassintética

    Faz-se pela anexação simultânea de prefixo e sufixo à palavra primitiva.
    Exemplos: desalmado, entristecer.
    A derivação parassintética só acontece quando os dois morfemas (prefixo e sufixo) se unem ao radical simultaneamente. Note que na palavra desalmado houve parassíntese. É fácil perceber, pois não existe a palavra desalma, da qual teria vindo desalmado, da mesma forma não existe a palavraalmado, da qual também teria vindo desalmado. Portanto, ocorreu anexação de prefixo e sufixo ao mesmo tempo.

    Derivação Regressiva 

    Faz-se pela redução da palavra primitiva.
    Exemplos: trabalho (trabalhar), choro (chorar).
    O processo de derivação regressiva produz os substantivos deverbais, esses são substantivos derivados a partir de verbos.

    Derivação Imprópria 

    Forma-se quando uma palavra muda de classe gramatical sem que a forma da primitiva seja alterada.
    Exemplos: O infeliz faltou ao serviço hoje. (adjetivo torna-se substantivo).
    Não aceito um não como resposta. (advérbio torna-se substantivo, o artigo um substantiva o advérbio).

    Rumo à Posse.

  • Derivação Regressiva

    Usar (verbo/ palavra primitiva) > uso (substantivo)

  • “O uso de chiclete o libertou...”  Avaliar dentro do contexto seria Derivação Imprópria... sei q não tem está alternativa... alguém concorda?

     Derivação Imprópria : Forma-se quando uma palavra muda de classe gramatical sem que a forma da primitiva seja alterada.
    Exemplos: O infeliz faltou ao serviço hoje. (adjetivo torna-se substantivo). 
  • c)derivação regressiva.

    Uso se deriva do verbo usar, o qual "regrdiu" a sua forma original: um substantivo

  • Concordo com Mario Silva. 

    ...mas foi no chute mesmo, pelo tamanho pequeno da palavra. Cliquei na "regressiva"

  • Formação das palavras:
     

    Derivação: forma palavras pelo acréscimo de afixos. A derivação se divide em:

     

    ■ Prefixal: pela colocação de prefixos: reler, infeliz, ultravioleta, super-homem.

    ■ Sufixal: pela colocação de sufixos: boiada, canalizar, felizmente, artista.

    ■ Prefixal-sufixal: pela colocação de prefixo e sufixo numa só palavra: deslealdade, infelizmente, desligado.


     

    Parassintética (ou parassíntese): pela colocação simultânea de prefixo e sufixo numa mesma palavra: entardecer, entristecer, desalmado, emudecer.

     

    → A diferença entre a derivação prefixal-sufixal e a derivação parassintética está no fato de que na primeira podemos tirar o prefixo ou o sufixo e a palavra continua existindo; na segunda, se tirarmos o prefixo ou o sufixo, o que sobra não existe em língua portuguesa:

     

    deslealdade = desleal, lealdade — derivação prefixal-sufixal

     

    entardecer = *entarde, *tardecer — essas palavras não existem — derivação parassintética.


     

    Regressiva: pela redução de uma palavra primitiva: sarampo (de sarampão), pesca (de pescar), barraco (de barracão), boteco (de botequim).

     

    → quando a palavra original a ser reduzida é um verbo, recebe o nome de derivação regressiva deverbal: pesca (de pescar).


     

    Imprópria: pela mudança de classe gramatical da palavra: o jantar (substantivo formado pelo uso do verbo jantar), o belo (substantivo formado pelo uso do adjetivo belo).


     

    Fonte: Agnaldo Martino; Pedro Lenza - Português Esquematizado.

  • GABARITO: LETRA C

    Derivação Prefixal

    Acréscimo de um prefixo à palavra primitiva; também chamado de prefixação:

    ·antepasto

    ·reescrever

    ·infeliz

    Derivação Sufixal

    Acréscimo de um sufixo à palavra primitiva; também chamado de sufixação.

    ·       felizmente

    ·       igualdade

    ·       florescer

    A derivação sufixal pode ser:

    a) Nominal, formando nomes (substantivos e adjetivos).

    ·       papel - papelaria (subs.)

    ·       riso - risonho  (adj.)

    b) Verbal, formando verbos.

    ·       atual - atualizar

    c) Adverbial, formando advérbios de modo.

    ·       feliz - felizmente

    Derivação Prefixal e Sufixal

    Acréscimo de um prefixo e de um sufixo independentes (prefixação sufixação)

    ·       feliz -> infeliz -> infelizmente -> felizmente

    ·       igual -> desigual -> desigualdade -> igualdade

    ·       flor -> florescer -> reflorescer

    Derivação Parassintética

    Acréscimo de um prefixo e de um sufixo, simultaneamente; também chamado de parassíntese.

    ·       envernizar

    ·       enrijecer

    ·       anoitecer.

    OBS: Exemplo de modo de se estabelecer a diferença entre Derivação Prefixal e Sufixal e Derivação Parassintética: retire o prefixo de , não existe a palavra ; agora, retire o sufixo: também não existe a palavra . Portanto, a palavra foi formada por Parassíntese.

    Derivação Regressiva

    É a mudança de uma classe gramatical para substantivo. Ocorre redução da palavra derivada.

    ·       debater ->  retira-se a desinência de infinitivo : formou-se o substantivo debate.

    Derivação Imprópria

    É a formação de uma nova palavra pela mudança de classe gramatical.

    ·       gelo: substantivo -> camisa gelo (adjetivo).
    ·       claro: adjetivo -> ela fala claro (advérbio)

    Composição:

    Formação de novas palavras a partir de dois ou mais radicais.

    Composição por justaposição

    Na união, os radicais não sofrem qualquer alteração em sua estrutura.

    ·       ponta + pé = pontapé.

    ·       manda + chuva = mandachuva

    ·       rain + maker = rainmaker

    ·       passa + tempo = passatempo

    ·       guarda + pó = guarda-pó.

    ·       pé + de + moleque = pé-de-moleque

    Composição por aglutinação

    Na união, pelo menos um dos radicais sofre alteração em sua estrutura.

    ·       água + ardente = aguardente

    ·       em + boa + hora = embora

    ·       plano + alto = planalto

    Hibridismo

    É a formação de novas palavras a partir da união de radicais de idiomas diferentes.

    ·       automóvel => auto (grego) + móvel (latim)
    ·       burocracia => buro (francês) + cracia (grego)
    ·       surfista => surf (ingês) + ista (grego)

    ·       sambódromo => samba (quibundo) + dromo (grego)

    FONTE: http://portuguesxconcursos.blogspot.com.br/p/significacao-das-palavras-formacao.html