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Para Freud, na melancolia o doente reage à perda, utilizando o recurso de
identificar-se ao o objeto perdido, para, assim, reconstruí-lo em seu eu.
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" Na melancolia, o eu se revolta contra a perda, em vez de engatar um trabalho de luto através do qual possa a ela se con-formar, identifica-se maciçamente ao objeto perdido, a ponto de se deixar perder junto com ele. Tal rebelião é o cerne da melancolia e pode se instalar como uma "ferida aberta" (p. 71) que suga a libido e dolorosamente empobrece o eu."
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A questão traz uma importante conceituação, amplamente trabalhada por Sigmund Freud em seu livro “ Luto e Melancolia", de como acontecem os investimentos econômicos da libido no desenvolvimento da melancolia.
Quando há perda de uma pessoa amada, uma resposta anormal se manifesta em contrapartida à substituição desse objeto: a libido retorna ao eu (ego), e uma identificação com o objeto perdido acontece, transformando a perda em uma própria perda no eu, e o conflito com a pessoa amada perdida em um conflito interno ao eu. Tal retorno da libido ao eu (ego), retirando-o do mundo externo promove um estado de narcisismo, um estado confusional entre o eu (ego) e o Outro.
GABARITO: D
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Resposta Letra D. o destino do investimento objetal que se desligou do objeto se retira sobre o eu, estabelecendo uma identificação do eu com objeto perdido.
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Segundo Freud (1917),
"Existem, num dado momento, uma escolha objetal, uma ligação da libido a uma pessoa particular; então, devido a uma real desconsideração ou desapontamento proveniente da pessoa amada, a relação objetal foi destroçada. O resultado não foi o normal (uma retirada da libido desse objeto e um deslocamento da mesma para um novo), mas algo diferente, para cuja ocorrência várias condições parecem ser necessárias. A catexia objetal provou ter pouco poder de resistência e foi liquidada. Mas a libido livre não foi deslocada para outro objeto, foi retirada para o ego. Ali, contudo, não foi empregada de maneira não especificada, mas serviu para estabelecer uma identificação do ego com o objeto abandonado. Assim a sombra do objeto caiu sobre o ego, e este pôde, daí por diante, ser julgado por um agente especial, como se fosse um objeto, o objeto abandonado."
Quem escolheu a busca não pode recusar a travessia - Guimarães Rosa
Gabarito: D
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Gabarito D.
Na melancolia há um superinvestimento no eu, no ego. O discurso do melancólico volta-se para a autodepreciação. Ex: "nunca fui e nem vou ser nada."