SóProvas


ID
1179277
Banca
FCC
Órgão
TRT - 16ª REGIÃO (MA)
Ano
2014
Provas
Disciplina
Português
Assuntos

Atenção: Para responder às questões de números 1 a 10, considere o texto abaixo:

Da utilidade dos prefácios


     Li outro dia em algum lugar que os prefácios são textos inúteis, já que em 100% dos casos o prefaciador é convocado com o compromisso exclusivo de falar bem do autor e da obra em questão. Garantido o tom elogioso, o prefácio ainda aponta características evidentes do texto que virá, que o leitor poderia ter muito prazer em descobrir sozinho. Nos casos mais graves, o prefácio adianta elementos da história a ser narrada (quando se trata de ficção), ou antecipa estrofes inteiras (quando poesia), ou elenca os argumentos de base a serem desenvolvidos (quando estudos ou ensaios). Quer dizer: mais do que inútil, o prefácio seria um estraga-prazeres.
         Pois vou na contramão dessa crítica mal-humorada aos prefácios e prefaciadores, embora concorde que muitas vezes ela proceda - o que não justifica a generalização devastadora.
Meu argumento é simples e pessoal: em muitos livros que li, a melhor coisa era o prefácio - fosse pelo estilo do prefaciador, muito melhor do que o do autor da obra, fosse pela consistência das ideias defendidas, muito mais sólidas do que as expostas no texto principal. Há casos célebres de bibliografias que indicam apenas o prefácio de uma obra, ficando claro que o restante é desnecessário. E ninguém controla a possibilidade, por exemplo, de o prefaciador ser muito mais espirituoso e inteligente do que o amigo cujo texto ele apresenta. Mas como argumento final vou glosar uma observação de Machado de Assis: quando o prefácio e o texto principal são ruins, o primeiro sempre terá sobre o segundo a vantagem de ser bem mais curto.
         Há muito tempo me deparei com o prefácio que um grande poeta, dos maiores do Brasil, escreveu para um livrinho de poemas bem fraquinhos de uma jovem, linda e famosa modelo.
Pois o velho poeta tratava a moça como se fosse uma Cecília Meireles (que, aliás, além de grande escritora era também linda). Não havia dúvida: o poeta, embevecido, estava mesmo era prefaciando o poder de sedução da jovem, linda e nada talentosa poetisa. Mas ele conseguiu inventar tantas qualidades para os poemas da moça que o prefácio acabou sendo, sozinho, mais uma prova da imaginação de um grande gênio poético.


(Aderbal Siqueira Justo, inédito)


O verbo indicado entre parênteses deverá flexionar-se de modo a concordar com o elemento sublinhado na frase:

Alternativas
Comentários
  • c) As páginas de um prefácio numa bibliografia ganham mais destaque

  • Na letra A deve concorda com prefacio:

    As características a que (dever) podem torná-lo um estraga-prazeres

    um prefácio deve atender as características que podem torná-lo um estraga-prazeres.

  • Pq a letra D está errada? Alguém pode me ajudar por favor... ;) 

  • d) Não é incomum que se (recorrer) a frases de Machado de Assis para glosá-las, dada a graça que há nelas

    ''Frases'' é  o núcleo do objeto indireto e não o sujeito. Por isso o verbo ''recorrer''  não se flexiona de acordo com ''frases'', pois o verbo deve flexionar-se de acordo com o SUJEITO.

    Recorrer:VTD!

  • Não entendi o que a questão pediu. Achei meio confusa para entender.

  • a) As características a que (dever) atender um prefácio podem torná-lo um estraga-prazeres. (ERRADO) O Verbo só pode ficar no singular, pois concorda com o artigo "a" e não com características.

    b) Há casos em que o prefácio se (revelar) um componente inteiramente inútil de um livro. (ERRADO) O Verbo só pode ficar no singular, pois concorda com prefácio. O certo seria: Há casos em que o prefácio se revela.

    c) Às vezes, numa bibliografia (ganhar) mais destaque as páginas de um prefácio do que o texto principal de um livro. (Gabarito) a frase está em ordem indireta. Na ordem direta ficaria: As páginas de um prefácio ganham mais destaque (...)

    d) Não é incomum que se (recorrer) a frases de Machado de Assis para glosá-las, dada a graça que há nelas. (ERRADO) O Verbo só pode ficar no singular, pois concorda com o pronome "que".

    e) O autor confessa o quemuitos (parecer) impensável: é possível gostar mais de um prefácio do que do restante da obra. (ERRADO) O Verbo só pode ficar no singular, pois concorda com o pronome "o que".


    Deus nos abençoe




  • Ao resolver a questão, fiquei com dúvida entre a letra "a" e letra "c". Explico! Quero, contudo, já de início, registrar que trata-se de um ALERTA sobre a questão, um alerta bem específico. Portanto, caso não tenham dúvida alguma sobre a questão acima peço-lhes que sequer leiam esse comentário.

    No meu caso, apliquei a REGRA ESPECIAL de concordância do verbo Dever - um equívoco. Só que essa regra é aplicada ao referido verbo quando seguido de P.A ou meramente da partícula "se", caso em que haverá duas possibilidades de interpretação:
    1) o sujeito pode ser oracional, tendo em vista que, normalmente, se o verbo vem com partícula apassivadora o sujeito é oracional e o verbo fica no singular; 2) posso interpretar como havendo uma locução verbal, quando o verbo auxiliar, no caso "deve", concordará com o sujeito e pode ficar no plural. Exemplo: "Deve-se resolver rapidamente as questões de Português."

    Nesta oração eu posso dizer que há tanto um sujeito oracional quanto uma locução verbal. Se eu optar pela segunda, o verbo ficará flexionado, já que deve concordar com o sujeito da oração.
    Essa é uma das regras especiais de concordância, que se aplica ao verbo Dever, bem como ao verbo Poder.

    Não confundam.

  • Em tempo, analisando o comentário do Francisco Sena no que tange à letra "a", agora entendo de forma diversa, pois o sujeito da oração é "um prefácio" e este, sim, seria o fundamento do verbo não poder ser flexionado.

  • GABARITO: C

    As páginas GANHAM destaque...

  • e) O autor confessa o que a muitos (parecer) impensável: é possível gostar mais de um prefácio do que do restante da obra. (ERRADO) O Verbo só pode ficar no singular, pois ele concorda com o = Que está cumprindo papel de "aquilo".

  • d) Não é incomum que se (recorrer) a frases de Machado de Assis para glosá-las, dada a graça que há nelas. 

    A partícula "se" nesse caso é um índice de indeterminação do sujeito e leva o verbo recorrer (VTI) a ficar no singular. Eis a regra: os verbos transitivos indiretos, intransitivos e ligação, quando acrescidos da partícula "se", terão sujeito indeterminado e devem ficar no singular. 

    Daí o motivo do verbo recorrer não concordar com frases, que faz parte de seu objeto indireto.

  • a) ordem direta: o prefácio deve atender a características - grandes dicas: 1. a impessoalidade do verbo principal transfere para o auxiliar, 2. "a que" está com preposição e refere-se a "as características"
    b) revela concorda com prefácio
    c) ganhar concorda com páginas - certa
    d) ordem direta: recorrer a frases de machado de assis não é incomum - grande dica observar que "a frases" tem preposição afastando a concordância com o termo
    e) ordem direta: parece impensável que é possível gostar mais de um prefácio - grande dica observar que "a muitos" tem preposição



  • Colocando na ordem direta:

    Às vezes, as páginas de um prefácio GANHAM mais destaque do que o texto principal de um livro.