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ID
1195237
Banca
CONSULPLAN
Órgão
TRT - 13ª Região (PB)
Ano
2012
Provas
Disciplina
Português
Assuntos

         Os filhos de Ana eram bons, uma coisa verdadeira e sumarenta. Cresciam, tomavam banho, exigiam para si, malcriados, instantes cada vez mais completos. A cozinha era enfim espaçosa, o fogão enguiçado dava estouros. O calor era forte no apartamento que estavam aos poucos pagando. Mas o vento batendo nas cortinas que ela mesma cortara lembrava-lhe que se quisesse podia parar e enxugar a testa, olhando o calmo horizonte. Como um lavrador. Ela plantara as sementes que tinha na mão, não outras, mas essas apenas. E cresciam árvores. Crescia sua rápida conversa com o cobrador de luz, crescia a água enchendo o tanque, cresciam seus filhos, crescia a mesa com comidas, o marido chegando com os jornais e sorrindo de fome, o canto importuno das empregadas do edifício. Ana dava a tudo, tranquilamente, sua mão pequena e forte, sua corrente de vida.

                                 (Lispector, Clarice. “Laços de Família”. Rio de Janeiro: Ed. Rocco, 1998. - Fragmento.)


De acordo com as características da construção textual apresentada, é correto afirmar que o texto II tem como foco principal

Alternativas
Comentários
  • Como que é investigação do mundo interior da personagem?

    Vejo como uma narrativa contando fatos cronológicos que já aconteceram, vividos pela personagem.

  • Juarez acho que é uma narrativa realmente, e que cada oração conta um fato, porém eles não são sequenciais e nem psicológicos.

    Eu entendi que a investigação do mundo interior da personagem são os próprios fatos contados.

  • essa não, o interior de Ana tinha filhos.. ah fala sério!

  • Não poderia ser a letra E, porque quando se trata de TEMPO CRONOLÓGICO, trata-se de uma narração. Este texto é um texto descritivo e ,em um texto descritivo, o tempo é ESTÁTICO. Observem também os verbos no pretérito imperfeito que caracterizam uma descrição. Questão típica da consulplan.

  • Gabarito D
    Em outras palavras, decreveu a rotina da personagem, sua vida sob uma perspectiva interior.

  • Essa questão não é difícil. É burra e errada. Mundo interior tem a ver com ASPECTOS PSICOLÓGICOS, o que não é abordado no texto. 

  •  

    Embora tenha acertado a questão, concordo com o Maurício Coutinho.

     

     

     

  • Infelizmente eu não consigo pensar e interpretar de acordo com esses renomado professor de português que elabora essas questões de interpretação da Consulplan ...

    ¬¬

    Mas, tenho FÉ ...

  • A pergunta implícita nessa questão é sobre o tipo de narrador, que nesse caso é onisciente. Esse que conhece e comenta os sentimentos e pensamentos da personagem.

     

    Consegui justificar a resposta com o trecho: "...lembrava-lhe que se quisesse podia parar e enxugar a testa." Ora, se ele consegue afirmar que ela se lembrava de algo deve ser narrador onisciente.