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ID
1313740
Banca
VUNESP
Órgão
FUNDAÇÃO CASA
Ano
2013
Provas
Disciplina
Serviço Social
Assuntos

Atender, prioritariamente, uma demanda do capital ou do trabalho, tendo por suposto que estas forças contraditórias não se excluem do contexto profissional. Esse é o ponto de partida para se compreender o que tem sido, no desenvolvimento teórico e empírico e na trajetória do Serviço Social,

Alternativas
Comentários
  • Alguém pode me explicar o erro da letra A.

    ;)

  • Também cai na armadilhada do examinador, por distração não inferi o que pedia o enunciado. Qual seria o ponto de partida, para se compreender o que tem sido, no desenvolvimento teórico e empírico e na trajetória do Serviço Social, senão a sua inserção na produção ou reprodução das relações sociais. Em outras palavras, a sua caracterização técnico profissional do trabalho coletivo.

    É, sobretudo, com Iamamoto  que será feita está análise acerca da tecnificação do trabalho do assistente social.

    As condições que peculiarizam o exercício profissional são uma concretização da dinâmica das relações sociais vigentes na sociedade, em determinadas conjunturas históricas. Como as classes sociais fundamentais e suas personagens só existem em relação, pela mútua mediação entre elas, a atuação do Assistente Social é necessariamente polarizada pelos interesses de tais classes, tendendo a ser cooptada por aqueles que têm uma posição dominante. Reproduz também, pela mesma atividade, interesses contrapostos que convivem em tensão. Responde tanto a demandas do capital como do trabalho e só pode fortalecer um ou outro polo pela mediação de seu oposto. Participa tanto dos mecanismos de dominação e exploração como, ao mesmo tempo e pela mesma atividade, da resposta às necessidades de sobrevivência da classe trabalhadora e da reprodução do antagonismo nesses interesses sociais, reforçando as contradições que constituem o móvel básico da história.

    A partir dessa compreensão é que se pode estabelecer uma estratégia profissional e política, para fortalecer as metas do capital ou do trabalho, mas não se pode excluí-las do contexto da prática profissional, visto que as classes só existem inter-relacionadas. É esta inclusive, que viabiliza a possibilidade de o profissional colocar-se no horizonte dos interesses das classes trabalhadoras. Este o ponto de partida da análise, a qual deverá demonstrar, no seu desenvolvimento teórico e empírico, o que tem sido a força dominante na trajetória da prática histórica do Serviço Social: atender, prioritariamente, uma demanda do capital ou do trabalho, tendo por suposto que estas forças contraditórias não se excluem do contexto profissional. A perspectiva analítica está voltada, pois, para efetuar a reconstrução da profissão na ótica das relações de classes, em que as personagens sociais envolvidas na prática profissional, face às quais o Assistente Social exerce uma função mediadora, são encaradas mais além de meras individualidades. As personagens sociais que entram na relação profissional são consideradas, simultaneamente, enquanto seres sociais e particulares, e em cujo modo de ser, de atuar e de ver o mundo estão contidas as determinações sociais derivadas da posição que ocupam no processo de produção e no jogo do poder.

     

    Ver : Relações sociais e serviço social no Brasil : esboço de uma interpretação histórico-metodológica- Marilda Villela Iamamoto, Raul de Carvalho.

  • Sobre a letra A: O assistente social atua na defesa intransigente da classe trabalhadora, firmado no projeto ético político profissional, então é errôneo afirmar que este profissional deverá escolher entre a demanda do capital ou do trabalhador, a defesa será sempre em favor da classe trabalhadora, vejamos as considerações de Iamamoto. “Cumpre-lhe destacar nessas contradições as possibilidades de sua superação, incorporando não só as demandas atualmente colocadas e não entendidas, mas, ainda, as demandas emergentes e a constituição de novos valores” (PAIVA e SALLES, 1996, p. 159). Ao debruçar-se sobre o dever ser, a reflexão ética não é neutra: é sempre compromissada com valores que dizem respeito a determinadas projeções sociais, que têm protagonistas histórico-sociais efetivos. A efetivação desses princípios remete à luta, no campo democrático-popular, pela construção de uma nova ordem societária.

     

    http://www.abepss.org.br/uploads/anexos/o-servico-social-na-cena-contemporanea-201608060403123057450.pdf

  • A resposta C é a correta, conforme explicita Iamamoto (1990) "...A partir dessa compreensão é que se pode estabelecer uma estratégia profissional e política, para fortalecer as metas do capital ou do trabalho, mas não se pode excluí-las do contexto da prática profissional, visto que as classes só existem inter-relacionadas. É esta inclusive, que viabiliza a possibilidade de o profissional colocar-se no horizonte dos interesses das classes trabalhadoras. Este o ponto de partida da análise, a qual deverá demonstrar, no seu desenvolvimento teórico e empírico, o que tem sido a força dominante na trajetória da prática histórica do Serviço Social: atender, prioritariamente, uma demanda do capital ou do trabalho, tendo por suposto que estas forças contraditórias não se excluem do contexto profissional. A perspectiva analítica está voltada, pois, para efetuar a reconstrução da profissão na ótica das relações de classes, em que as personagens sociais envolvidas na prática profissional, face às quais o Assistente Social exerce uma função mediadora, são encaradas mais além de meras individualidades. As personagens sociais que entram na relação profissional são consideradas, simultaneamente, enquanto seres sociais e particulares, e em cujo modo de ser, de atuar e de ver o mundo estão contidas as determinações sociais derivadas da posição que ocupam no processo de produção e no jogo do poder.

    Fonte; http://www.elder.byethost4.com/iamamoto.html?i=1

     

  • O Serviço Social é uma profissão requisitada pelo Estado e pela classe dominante para intervir nas expressões da questão social e atender, de certa forma, aos interesses dos trabalhadores. Portanto, historicamente, o assistente social sempre esteve como mediador dessa relação capital X trabalho.
    Após esse preâmbulo, iremos comentar cada alternativa:
    a) Esta alternativa está errada. A ética na profissão alterou-se juntamente com o próprio avanço e amadurecimento da profissão e não se enquadra ao que a questão está perguntando. A questão trata da contraditoriedade da profissão de Serviço Social na sociedade de classes, em que atender a uma ou a outra classe, não anula a existência de nenhuma e é o ponto de partida para compreender a profissão.
    b) Esta alternativa está errada. O Serviço Social não apresenta ou possui "compromisso lógico" e isso não é o ponto de partida para se compreender a profissão.
    c) Esta alternativa está correta. Conforme Marilda Iamamoto e Raul de Carvalho (Relações sociais e serviço social no Brasil: esboço de uma interpretação histórico-metodológica. 41 edição. São Paulo: Cortez, 2014), o ponto de partida para se compreender o Serviço Social desde sua gênese é compreender sua contraditoriedade na sociedade capitalista. Portanto, isto é caracterizado pelos autores como força dominante: que é ora atender os interesses do capital e ora do trabalhador, considerando que uma classe e seus interesses não anulam a outra.
    d) Esta alternativa está errada. Não é encontrada em nenhuma bibliografia sobre o Serviço Social qualquer questão relativa a sua marca empreendedora. Portanto, não se enquadra na resposta.
    e) Esta alternativa está errada. Atender em cada momento aos interesses de uma classe não é uma opção adequada. Isto constitui, está na gênese dessa profissão, portanto, impossível de ser diferente na sociedade capitalista.


    RESPOSTA: C