SóProvas


ID
1351444
Banca
CETRO
Órgão
Prefeitura de Araraquara - SP
Ano
2013
Provas
Disciplina
Português
Assuntos

                                   Papos

— Me disseram...
— Disseram-me.
— Hein?
— O correto é “disseram-me”. Não “me disseram”.
— Eu falo como quero. E te digo mais... Ou é “digo-te”?
— O quê?
— Digo-te que você...
— O “te” e o “você” não combinam.
— Lhe digo?
— Também não. O que você ia me dizer?
— Que você está sendo grosseiro, pedante e chato. E que
eu vou te partir a cara. Lhe partir a cara. Partir a sua cara.
Como é que se diz?
— Partir-te a cara.
— Pois é. Parti-la hei de, se você não parar de me corrigir.
Ou corrigir-me.
— É para o seu bem.
— Dispenso as suas correções. Vê se esquece-me. Falo
como bem entender. Mais uma correção e eu...
— O quê?
— O mato.
— Que mato?
— Mato-o. Mato-lhe. Mato você. Mata-lhe-ei-te. Ouviu
bem?
— Eu só estava querendo...
— Pois esqueça-o e para-te. Pronome no lugar certo é
elitismo!
— Se você prefere falar errado...
— Falo como todo mundo fala. O importante é me
entenderem. Ou entenderem-me?
— No caso... não sei.
— Ah, não sabe? Não o sabes? Sabes-lo não?
— Esquece.
— Não. Como “esquece”? Você prefere falar errado? E o
certo é “esquece” ou “esqueça”? Ilumine-me. Me diga. Ensines-
lo-me, vamos.
— Depende.
— Depende. Perfeito. Não o sabes. Ensinar-me-lo-ias se o
soubesses, mas não sabes-o.
— Está bem, está bem. Desculpe. Fale como quiser.
— Agradeço-lhe a permissão para falar errado que mas
dás. Mas não posso mais dizer-lo-te o que dizer-te-ia.
— Por quê?
— Porque, com todo esse papo, esqueci-lo.

Comédias para se Ler na Escola – Luis Fernando Veríssimo.

Com base no texto, analise as assertivas abaixo.

I. O trecho “Depende. Perfeito. Não o sabes. Ensinar- me-lo-ias se o soubesses, mas não sabes-o.” deveria ser escrito da seguinte forma, sem que houvesse erro gramatical ou prejuízo semântico: “Depende. Perfeito. Não o sabes. Ensinaria-me se o soubesses, mas não o sabes.”.
II. O trecho “Agradeço-lhe a permissão para falar errado que mas dás.” poderia ser escrito da seguinte forma, sem que houvesse erro gramatical ou prejuízo semântico: “Agradeço-lhe a permissão para falar errado.”.
III. O trecho “Mas não posso mais dizer-lo-te o que dizer-te-ia.” poderia ser escrito da seguinte forma, sem que houvesse erro gramatical ou prejuízo semântico: “Mas não posso mais dizer-te o que te dizia.”.

É correto o que se afirma em

Alternativas
Comentários
  • Pela estatística percebi que muito gente errou, então pra quem quiser assistam a aula da professora isabel vega aqui no qc msmo.

    Pra mim foi excelente.

    Fica a dica.

  • Gabarito B

    A assertiva I está errada por causa da correção equivocada que ela sugere: "Depende. Perfeito. Não o sabes. Ensinaria-me se o soubesses, mas não o sabes.”.

    É um emprego errôneo do pronome oblíquo "o", cujo caráter é objetivo direto. Na correção proposta pela assertiva, o verbo "saber" (suas conjugações) aparece como verbo intransitivo.