SóProvas


ID
1358926
Banca
FGV
Órgão
MPE-MS
Ano
2013
Provas
Disciplina
Português
Assuntos

                                                  A Nova Praga

    Não é preciso ter assistido nem à primeira aula de Latim - no tempo em que existia em nossas escolas essa disciplina, cuja ausência foi um desastre para o aprendizado da Língua Portuguesa - para saber que o étimo de nosso substantivo areia é o latim "arena". E, se qualquer pessoa sabe disso até por um instinto primário, é curioso, para usar um termo educado, como nossos locutores e comentaristas de futebol, debruçados sobre um gramado verde-verdinho, chamam-no de "arena", numa impropriedade gritante.

    Nero dava boas gargalhadas, num comportamento que já trazia latente a sua loucura final, quando via os cristãos lutando contra os leões na arena. Nesse caso, se havia rictus de loucura na face do imperador, pelo menos o termo era totalmente apropriado: o chão da luta dramática entre homem e fera era de areia. Está aí para prová-lo até hoje o Coliseu.

    (....) Mas - ora bolas! - , se o chão é de relva verdejante, é rigorosamente impróprio chamar de "arena" nossos campos de futebol, como fazem hoje. O diabo é que erros infelizmente costumam se espalhar como uma peste, e nem será exagero dizer que, neste caso, o equívoco vem sendo tão contagioso como a peste negra que, em números redondos, matou 50 milhões de pessoas na Europa e na Índia no século XIV. E os nossos pobres ouvidos têm sido obrigados a aturar os nossos profissionais que transmitem espetáculos esportivos se referirem à arena daqui, à arena de lá, à arena não sei de onde. Assim, já são dezenas de arenas por esse Brasilzão. O velho linguista e filólogo mineiro Aires da Mata Machado Filho (1909-1985), a cujo livro mais conhecido peço emprestado O título deste pequeno artigo, deve estar se revirando no túmulo diante da violência de tal impropriedade. O bom Aires era cego, ou quase isso, mas via como ninguém os crimes cometidos contra o idioma.

                                                                      (Marcos de Castro. www.observatoriodaimprensa.com.br)

O artigo do jornalista Marcos de Castro utiliza muitas vezes a linguagem coloquial.

Assinale a alternativa em que não há exemplo desse tipo de linguagem.

Alternativas
Comentários
  • Gabarito: E

    A linguagem coloquial, informal ou popular é uma linguagem utilizada no cotidiano em que não exige a atenção total da gramática, de modo que haja mais fluidez na comunicação oral. Na linguagem informal usam-se muitas gírias e palavras que na linguagem formal não estão registradas ou tem outro significado.

  • Na letra [E] há coloquialismo também! Visto que crime é termo técnico, de definição regulada por lei. Seu uso no dia a dia é coloquialismo. Informalidade. Por óbvio, não existe crime, na técnica da palavra, contra o idioma.

    e) "...mas via como ninguém os crimes cometidos contra o idioma"

    Sujeito é tão feio que comete crime contra a beleza.

    Essa música é um crime contra o bom gosto.

    Esse perna de pau comete crime contra o futebol.

  • Dizer que é um crime contra o idioma isso é uma figura de linguagem, e uma figura de linguagem não foge, necessariamente, da linguagem formal.

  • Essa banca me cansa.

  • As pessoas não entendem que cada banca pede de uma maneira a questão, ao invés de tentar entender como interpretar o que a banca quer, fica tentando mostrar que esta certo (a).

    Simplesmente fui por eliminação, ou seja, à menas errada.

    Se acham que a banca é ruim , estudem para outra, o fórum é para debatermos possíveis duvidas, analisarmos o que a banca pede e como cai na prova.

    Mesmo eu acertando, eu leio os comentários para ver o que é proveitoso, mais só vejo pessoas reclamando.

    OBS: ENTÃO MUDEM DE BANCA!!!