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ID
1397161
Banca
FCC
Órgão
TJ-AP
Ano
2014
Provas
Disciplina
Português
Assuntos

Embora a aspiração por justiça seja tão antiga quanto os primeiros agrupamentos sociais, seu significado sofreu profundas alterações no decorrer da história. Apesar das mudanças, um símbolo atravessou os séculos - a deusa Têmis -, imponente figura feminina, com os olhos vendados e carregando em uma das mãos uma balança e na outra uma espada. Poucas divindades da mitologia grega sobreviveram tanto tempo. Poucos deixariam de reconhecer na imagem o símbolo da justiça.

A moderna ideia de justiça e de direito é inerente ao conceito de indivíduo, um ente que tem valor em si mesmo, dotado de direitos naturais. Tal doutrina se contrapunha a uma concepção orgânica, segundo a qual a sociedade é um todo.

A liberdade, nesse novo paradigma, deixa de ser uma concessão ou uma característica de uma camada social e converte-se em um atributo do próprio homem.

A crença de que os direitos do homem correspondiam a uma qualidade intrínseca ao próprio homem implicou enquadrar a justiça em um novo paradigma. O justo não é mais correspondente à função designada no corpo social, mas é um bem individual, identificado com a felicidade, com os direitos inatos.

Da igualdade nos direitos naturais derivava-se não só a liberdade, mas também as possibilidades de questionar a desigualdade entre os indivíduos, de definir o tipo de organização social e o direito à resistência. Toda e qualquer desigualdade passa a ser entendida como uma desigualdade provocada pelo arranjo social. Nesse paradigma, a sociedade e o Estado não são fenômenos dados, mas engendrados pelo homem. A desigualdade e o poder ilimitado deixam, pois, de ser justificados como decorrentes da ordem natural das coisas. À lei igual para todos incorpora-se o princípio de que desiguais devem ser tratados de forma desigual. Cresce a força de movimentos segundo os quais a lei, para cumprir suas funções, deve ser desigual para indivíduos que são desiguais na vida real.

Nesse novo contexto, modifica-se o perfil do poder público. O judiciário, segundo tais parâmetros, representa uma força de emancipação. É a instituição pública encarregada, por excelência, de fazer com que os preceitos da igualdade prevaleçam na realidade concreta. Assim, os supostos da modernidade, particularmente a liberdade e a igualdade, dependem, para se materializarem, da força do Judiciário, de um lado, e do acesso à justiça, das possibilidades reais de se ingressar em tribunais, de outro.

Para terminar, volto à deusa Têmis, que enfrentava no Olimpo o deus da guerra, Ares. Naquele tempo, como hoje, duas armas se enfrentam: a violência, que destrói e vive da desigualdade, e a lei, que constrói e busca a igualdade.


(Adaptado de SADEK, Maria Tereza Aina. “Justiça e direitos: a construção da igualdade". In: Agenda Brasileira. São Paulo, Cia. das Letras, 2011, p. 326-333.)



...que enfrentava no Olimpo o deus da guerra...
...questionar a desigualdade entre os indivíduos...
...um símbolo atravessou os séculos...


Fazendo-se as alterações necessárias, os segmentos sublinhados acima foram corretamente substituídos por um pronome, na ordem dada, em:

Alternativas
Comentários
  • Para Objeto Direto - o, a, os, as

    Para verbos terminados em (r, s, z) - lo, la, los, las

    Para verbos terminados em (m ou ~) - no, na, nos, nas

    Para Objeto Indireto, Complemento Nominal e Adj. Adnominal - lhe, lhes.

    ...que enfrentava (VTD) no Olimpo o deus (OD - masculino e singular) da guerra... 
    ...questionar (VTD) a desigualdade (OD - feminino e singular) entre os indivíduos... 
    ...um símbolo atravessou (VTD) os séculos (OD - masculino e plural)... 

  • que o enfrentava


    o "que" exige que seja próclise

  • Alguém sabe se na terceira frase poderia haver próclise?

  • Tiago Pires, salvo engano, na terceira frase temos um caso em que a próclise não é obrigatória, ou seja,  é possível o uso da próclise e da ênclise. Espero ter ajudado.

    Abraço e bons estudos para todos.

  • Tiago Pires não há próclise pois não tem palavra atrativa.

    BE-A-BA DA PRÓCLISE.

    A Próclise(pronome oblíquo átono antes do verbo) Casos obrigatórios

    1. Palavras atrativas

    a) Advérbios: Muito nos honra tua visita.

    b) Pronomes indefinidos: Tudo se fez conforme a lei.

    c) Pronomes relativos: Não aceitava as objeções que lhe faziam.

    d) Pronomes interrogativos: Quem lhe deu essa informação?

    e) Conjunções subordinativas: Já era muito tarde quando nos atenderam.

    f) Gerúndio preposicionado: Em o nomeando, fizeram justiça.

    Casos de próclise facultativa

    1. Sujeito expresso: O gato se lambia / lambia-se.
    2. Conjunção coordenativa: Era rico, mas se queixava/queixava-se da vida.



  • que enfrentava no Olimpo o deus da guerra...      OBS.  Quem enfrenta, enfrenta algo "em" algum lugar, logo é "VTD" e OD será substituído por "O"


    ...questionar a desigualdade entre os indivíduos...     OBS. Terminado em "S Z R" o pronome oblíquio será LO(s)  LA(s)
     

    ...um símbolo atravessou os séculos...         OBS.      Pronome oblíquio será "OS"

     

    D) O enfrentava - questioná-LA - atravessou-OS

  • 1.o enfrentava = OD

    2. questioná-la = OD + TERMINADA EM "R" = LA

    3. atravessou-os = OD

  • Impressão minha ou a marcação da questão esta errada???

  • GAB. D

  • Gilson, percebo isso em todas as questões sobre esse assunto também kkkk...se parar pra analisar ficaria estranho eu substituir só a parte sublinhada, mas nada que afete a maneira de resolvê-la!

  • GABARITO: LETRA D

    Em caso de VTD com terminações S, R ou Z retire as terminações coloque -LO(s)/-LA(s)

    VTD com terminação em som nasal, mantenha as terminações e coloque -NO(s)/-NA(s)

    VTD com qualquer outra terminação coloque -O(s)/-A(s);

    VTI só em casos do pronome oblíquo -lhe