SóProvas


ID
1445077
Banca
FCC
Órgão
CNMP
Ano
2015
Provas
Disciplina
Português
Assuntos

                                            Falsificações na internet

    Quem frequenta páginas da internet, sobretudo nas redes sociais, volta e meia se depara com textos atribuídos a grandes escritores. Qualquer leitor dos mestres da literatura logo perceberá a fraude: a citação está longe de honrar a alegada autoria. Drummond, Clarice Lispector, Guimarães Rosa e Fernando Pessoa, por exemplo, jamais escreveriam banalidades recheadas de lugares comuns, em linguagem capenga e estilo indefinido. Mas fica a pergunta: o que motiva essas falsificações grosseiras de artistas da palavra e da imaginação?
    São muitas as justificativas prováveis. Atrás de todas está a vaidade simplória de quem gostaria de ser tomado por um grande escritor e usa o nome deste para promover um texto tolo, ingênuo, piegas, carregado de chavões. Os leitores incautos mordem a isca e parabenizam o fraudulento, expandindo a falsificação e o mau gosto. Mas há também o ressentimento malicioso de quem conhece seus bem estreitos limites literários e, não se conformando com eles, dispõe-se a iludir o público com a assinatura falsa, esperando ser confundido com o grande escritor. Como há de fato quem confunda a gritante aberração com a alta criação, o falsário dá-se por recompensado enquanto recebe os parabéns de quem o “curtiu".
    Tais casos são lamentáveis por todas as razões, e constituem transgressões éticas, morais, estéticas e legais. Mas fiquemos apenas com a grave questão da identidade própria que foi rejeitada em nome de outra, inteiramente postiça. Enganar-se a si mesmo, quando não se trata de uma psicopatia grave, é uma forma dolorosa de trair a consciência de si. Os grandes atores, apoiando-se no talento que lhes é próprio, enobrecem esse desejo tão humano de desdobramento da personalidade e o legitimam artisticamente no palco ou nas telas; os escritores criam personagens com luz própria, que se tornam por vezes mais famosos que seus criadores (caso de Cervantes e seu Dom Quixote, por exemplo); mas os falsários da internet, ao não assinarem seu texto medíocre, querem que o tomemos como um grande momento de Shakespeare. Provavelmente jamais leram Shakespeare ou qualquer outro gênio citado: conhecem apenas a fama do nome, e a usam como moeda corrente no mercado virtual da fama.
    Tais fraudes devem deixar um gosto amargo em quem as pratica, sobretudo quando ganham o ingênuo acolhimento de quem, enganado, as aplaude. É próprio dos vícios misturar prazer e corrosão em quem os sustenta. Disfarçar a mediocridade pessoal envergando a máscara de um autêntico criador só pode aprofundar a rejeição da identidade própria. É um passo certo para alargar os ressentimentos e a infelicidade de quem não se aceita e não se estima.

                                                                                                                       (Terêncio Cristobal, inédito)

Por apresentar falha estrutural de construção, deve-se reelaborar a redação da seguinte frase:

Alternativas
Comentários
  • o Gabarito é letra d, no entanto, concordo com o professor   Fabricio Dutra quanto a errada ser a letra C


    Eu marquei letra C (na minha opinião o verbo "publicar" deveria estar no plural para concordar com " autores famosos" não), porém o Gabarito marcou letra D. Nesse caso, qual seria o erro da Letra D? Professor Fabrício Dutra - Gramática


  • Oi Fabiana,


    No caso da letra C: entendi que publica refere-se ao trecho - Há quem busque disfarçar - Há no sentido de existir é impessoal e publica refere-se a ele. Neste caso, não são os autores famosos que publicam textos medíocres, mas há quem publique.


    No caso da D: entendi que o fragmento - não o têm - está incorreto, pode haver outros erros, pois achei a frase estranhíssima. Mas no caso deste fragmento creio que o O refere-se a falta de talento no início da frase, desta forma o têm não deveria estar acentuado.


    Espero ter ajudado.

    Bons estudos.

  • ALTERNATIVA INCORRETA- LETRA D

    1. Erro de regência - passem POR ser alegados ---CORRETO- passem A ser alegados genuínos autores

    2. Em relação ao trecho " que não o têm", foi dito em comentário anterior que o  verbo "têm" não deveria ser acentuado. No entanto, depois de ler a frase várias vezes, acredito que não há esse erro. Vejamos:

    Escritores medíocres não têm talento. O verbo deve concordar com o sujeito (escritores medíocres), e não com o objeto (talento). O sujeito está no plural, logo, o verbo "têm" deve estar acentuado para também representar o plural.