SóProvas


ID
1816390
Banca
UNIOESTE
Órgão
UNIOESTE
Ano
2015
Provas
Disciplina
Português
Assuntos

Brasil ainda gasta pouco com saúde, afirmam especialistas 

     "Diferentemente dos países europeus, que tiveram mais tempo para se adequar, estamos assistindo a um envelhecimento muito rápido da população.” A transição demográfica, afirmou nesta segunda (31) o diretor-presidente da Anvisa, Jarbas Barbosa, determina a necessidade da adaptação do sistema de saúde brasileiro, para prevenir e tratar doenças ligadas ao envelhecimento.
        Barbosa participou da primeira mesa do Fórum Tecnologia e Acesso à Saúde, ao lado de José Gomes Temporão, ex-ministro da Saúde e diretor-executivo do Instituto Sul-Americano de Governo em Saúde/Isag, e de Marcos Boscolo, sócio da KPMG e Líder Healthcare, sobre as dificuldades do acesso à saúde e como soluções tecnológicas podem ajudar a superá-las. O debate foi mediado por Cláudia Colucci, repórter especial da Folha.
   Para o diretor da Anvisa, há uma impressão falsa no país de que se gasta o suficiente em saúde. No entanto, disse ele, dos 9,7% dos gastos em saúde em relação ao PIB, apenas 4,7% corresponde ao gasto público.
          “Nenhum país que tenha um sistema universal de saúde tem um percentual igualmente baixo”. Os países europeus têm um gasto aproximadamente 7, 8 vezes maior por habitante que o Brasil. 
        José Gomes Temporão cita como preocupante para todo o funcionamento do sistema de saúde o estudo divulgado pelo IBGE em 21 de agosto, segundo o qual 60% da população brasileira está acima do peso. “Estamos nos aproximando velozmente do padrão americano e isso aumenta consideravelmente os custos do sistema”. Para o ex-ministro, falta legislação que ajude a intimidar o consumo de itens que contribuem para esse quadro. “[O Congresso] É incapaz de regular a propaganda obscena de cerveja e alimentos infantis.”
         Temporão afirma haver confusão entre tecnologias de última geração e assistência médica. O acesso a direitos estaria subordinado a desejos da “indústria da saúde”. 
Para o ex-ministro, os avanços tecnológicos geralmente beneficiam “apenas umas casta de cidadãos”.                 Segundo ele, o Brasil seria uma rara exceção em que a ampliação da tecnologia se deu de forma mais igualitária, graças ao SUS. 
        “Deveríamos estimular o reconhecimento do sistema público de saúde como um patrimônio fundamental para a justiça social e a democracia brasileira, como parte do processo civilizatório e que deve ser fortalecido”.
SMARTPHONES 
       Último a falar, Marcos Boscolo sugeriu que o acesso à tecnologia deve partir do “empoderamento das pessoas na gestão da saúde”. Isso seria, por exemplo, permitir às pessoas monitorar sua saúde a partir de smartphones e indicadores objetivos. Esses indicadores viriam dos hospitais, que deveriam contar com bancos de dados para mapear o perfil da população e gerir o sistema. 
        Boscolo em seguida apontou a desigualdade regional brasileira como um problema grave para o sistema de saúde. Enquanto 44% da população paulista tem um plano de saúde privado, o percentual em alguns estados do Norte e do Nordeste é de 7%. Além do mais, os profissionais da saúde deixam essas regiões para se estabelecer nos grandes centros, criando um problema de falta de mão-de-obra qualificada.
          Para Temporão, “é inviável um sistema em que as pessoas buscam um especialista sem passar por um generalista”, como ocorre na Inglaterra e no Canadá, países que inspiraram o modelo do SUS.
      “Ainda não utilizamos adequadamente tecnologias disponíveis há algumas décadas”, disse Barbosa, da Anvisa. Melhorar a formação do profissional de saúde, integrar os serviços e rever parte da regulação do sistema seriam os passos para superar o problema, segundo ele. 

(Philippe Scerb - colaboração para a Folha de São Paulo, visualizado em 31 de agosto de 2015.)

Em “A propaganda obscena de cerveja e alimentos infantis”, o ex-ministro refere-se

Alternativas