SóProvas


ID
1837921
Banca
FUNCAB
Órgão
ANS
Ano
2016
Provas
Disciplina
Português
Assuntos

       Só! Achava-se outra vez só! Outra vez no meio do silêncio, em frente do nada!...[...]
      A ideia do suicídio, repelida pelo amigo, afastada pela sua presença, veio então erguer-se outra vez como um fantasma ao pé do cadáver de Faria. [...]
    -Morrer!... oh! não, não!-exclamou!;-não valia a pena ter vivido tanto tempo, padecido tanto, para morrer agora! Morrer era bom, quando o revolvi em outro tempo, há muitos anos; mas hoje seria realmente auxiliar muito o meu miserável destino. Não, quero viver; quero lutar até ao fim; quero reconquistar a ventura que me foi roubada. Antes de morrer esquecia-me que tenho de vingar-me dos meus algozes, e talvez, quem sabe? de recompensar alguns amigos. [...]
    Puseram o suposto morto na padiola. Edmundo entesou-se para melhor figurar de defunto. O cortejo, alumiado pelo homem da lanterna, que ia adiante, subiu a escada.
   De súbito, o ar frio e forte da noite banhou o prisioneiro, que logo reconheceu o vento do nordeste. Foi uma repentina sensação, repassada de angústias e de delícias. [...]
     E logo Dantès sentiu-se atirado para um enorme vácuo, atravessando os ares como um pássaro ferido, caindo, sempre com um terror indescritível que lhe gelava o coração. Embora puxado para baixo por algum objeto que lhe acelerava o rápido voo, pareceu-lhe, contudo, que essa queda durava um século. Por fim, com pavoroso ruído, entrou como uma seta na água gelada, que lhe fez dar um grito, sufocado imediatamente pela imersão.
     Dantès tinha caído ao mar, para o fundo do qual o puxava uma bala de 36, presa aos pés.
     O mar era o cemitério da fortaleza de lf. [...]
    Dantès, atordoado, quase sufocado, teve, entretanto, a presença de espírito de conter a respiração; e como na mão direita, preparado, como dissemos que estava, para todas as eventualidades, levava a faca, rasgou rapidamente o saco, tirou o braço e depois a cabeça; apesar, porém, dos seus movimentos para levantar a bala, continuou a sentir-se puxado para baixo; então vergou o corpo, procurando a corda que lhe amarrava as pernas, e com um esforço supremo conseguiu cortála no momento em que se sentia asfixiar. Depois, dando-lhe um pontapé, subiu livre à tona da água, enquanto a bala levava para desconhecidos abismos a serapilheira que ia sendo a sua mortalha.

DUMAS, Alexandre. O conde de Monte Cristo. Porto: Lello &
Irmão, s/d. p.178-182; p. 183. (Fragmento).

Em qual alternativa produz-se evidente equívoco de regência?

Alternativas
Comentários
  • Quem esquece, esquece algo ou alguém VTD

    Quem se esquece, se esquece DE algo ou DE alguém. VTI

    ...esquecia-me DE que tenho...

  • Complementando a resposta de Elayne: temos um erro de regência com relação ao verbo “ter”, que é transitivo direto, mas que, no texto, está precedido de preposição.

    Fonte: estrategiaconcursos
  • fiquei na duvida??? 

    achei que o QUE iniciava uma nova oração e o verbro VINGAR que pedia a preposiçao DE antes do QUE. o predito verbo seria pronominal. Mas me corrijam se eu estiver errado.

  • alguem explica a letra D

  •  a)  "Antes de morrer esquecia-me que tenho de vingar-me dos meus algozes."

    GABARITO. Quem se esquece, esquece DE alguma coisa. Verbo transitivo indireto. O verbo esquecer está no modo indicativo pretérito imperfeito. Não estando, então, no futuro do presente ou do pretérito é possível a colocação da ênclise e, posteriormente, a preposição DE.  Então ficará: Antes de morrer esquecia-me de que tenho de…

    Vingar (causar a punição de), ou seja, vti, correto, a segunda parte. “vingar-me (de = preposição + os = artigo) DOS meus algozes.

  • FOCO!

    Quem ta afiado nem leu as demais alternativas.....

    FAMOSO TEM TUDO OU NADA.

    ...ESQUECER, LEMBRAR E RECORDAR...

    ....Aprende isso logo, cai MUITO...