SóProvas


ID
2012635
Banca
Exército
Órgão
IME
Ano
2010
Provas
Disciplina
Literatura
Assuntos

                                                           Texto IV

                                         JOAQUIM DE SOUSA ANDRADE

      O poeta e engenheiro Joaquim de Sousa Andrade nasceu em Alcântara, Maranhão, em 1833. De família abonada, viajou muito desde jovem, percorrendo inúmeros países europeus. Formou-se em Engenharia de Minas e em Letras pela Sorbonne. Em 1884, lançou a versão definitiva de seu O Guesa, obra radical e renovadora. Morreu abandonado e com fama de louco.

      Considerado em sua época um escritor extravagante, Sousândrade, como preferia ser identificado, acaba reabilitado pela vanguarda paulistana (os concretistas) como um caso de "antecipação genial" da livre expressão modernista. Criador de uma linguagem dominada pela elipse, por orações reduzidas e fusões vocabulares, foge do discurso derramado dos românticos. Cosmopolita, o escritor deixou quadros curiosos como a descrição do Inferno de Wall Street, no qual vê o capitalismo como doença.

      Sua obra mais perturbadora é O Guesa, poema em treze cantos, dos quais quatro ficaram inacabados. A base do poema é a lenda indígena do Guesa Errante. O personagem Guesa é uma criança roubada aos pais pelo deus do Sol e educado no templo da divindade até os 10 anos, sendo sacrificado aos 15 anos.

      Na condição de poeta maldito, Sousândrade identifica seu destino pessoal com o do jovem índio. Porém, no plano histórico-social, o poeta vê no drama de Guesa o mesmo dos povos aborígenes da América, condenando as formas de opressão dos colonialistas e defendendo uma república utópica.

      O Guesa (fragmento)

O sol ao pôr-do-sol (triste soslaio!)...o arroio

Em pedras estendido, em seus soluços

Desmaia o céu d'estrelas arenoso

E o lago anila seus lençóis d'espelho...

Era a Ilha do Sol, sempre florida

Ferrete-azul, o céu, brando o ar pureza

E as vias-lácteas sendas odorantes

Alvas, tão alvas!... Sonoros mares, a onda

d'esmeralda

Pelo areal rolando luminosa...

As velas todas-chamas aclaram todo o ar.


GONZAGA, S. Literatura Brasileira. Disp. em: <http://www.educaterra.terra.com.br> (Texto adaptado). Acesso em: 14 jun. 2010.

Qual dos versos abaixo destacado ilustra com propriedade a afirmação da crítica de que a linguagem do engenheiro e poeta Sousa Andrade é “dominada pela elipse e pelas fusões vocabulares”?

Alternativas
Comentários
  • Creio que o gabarito correto seria letra C

    a) Incorreta.

    Não há elipse alguma neste verso; em “d’espelho” ocorre

    contração e não fusão vocabular;

    b) Incorreta.

    Não há elipse nem fusão vocabular. Os termos estão em

    ordem direta e constituem uma frase completa;

    c) Correta.

    O termo “ferrete-azul” serve de exemplo do processo (de

    fusão vocabular) mencionado pelos críticos. Além disso, os termos

    que compõem o verso demandam acréscimos (de termos omitidos)

    para que o sentido se estabeleça;

    d) Incorreta.

    Pois, apesar da inversão da ordem dos termos, não há

    elipse. Em ordem direta verificamos que a frase está completa:

    Rolando luminosa pelo areal;

    e) Incorreta.

    Pois, embora se verifique a fusão vocabular ‘todas-

    chamas’; não ocorre elipse.