SóProvas


ID
2032729
Banca
Exército
Órgão
IME
Ano
2015
Provas
Disciplina
Português
Assuntos

                                                          Texto 2

                          CONSUMIDORES COM MAIS ACESSO À INFORMAÇÃO

                             QUESTIONAM A VERDADE QUE LHES É VENDIDA

                                                                                                                           Ênio Rodrigo

      Se você é mulher, talvez já tenha observado com mais atenção como a publicidade de produtos de beleza, especialmente os voltados a tratamentos de rejuvenescimento, usualmente possuem novíssimos "componentes anti-idade" e "micro-cápsulas" que ajudam "a sua pele a ter mais firmeza em oito dias", por exemplo, ou mesmo que determinados organismos "vivos" (mesmo depois de envazados, transportados e acondicionados em prateleiras com pouco controle de temperatura) fervilham aos milhões dentro de um vasilhame esperando para serem ingeridos ajudando a regular sua flora intestinal. Homens, crianças, e todo tipo de público também não estão fora do alcance desse discurso que utiliza um recurso cada vez mais presente na publicidade: a ciência e a tecnologia como argumento de venda.

     Silvania Sousa do Nascimento, doutora em didática da ciência e tecnologia pela Universidade Paris VI e professora da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), enxerga nesse processo um resquício da visão positivista, na qual a ciência pode ser entendida como verdade absoluta. "A visão de que a ciência é a baliza ética da verdade e o mito do cientista como gênio criador é amplamente difundida, mas entra, cada vez mais, em atrito com a realidade, principalmente em uma sociedade informacional, como ( 1 ) nossa", acrescenta.

      Para entender esse processo numa sociedade pautada na dinâmica da informação, Ricardo Cavallini, consultor corporativo e autor do livro O marketing depois de amanhã(Universo dos Livros, 2007), afirma que, primeiramente, devemos repensar a noção de público específico ou senso comum. "Essas categorizações estão sendo postas de lado. A publicidade contemporânea trata com pessoas e elas têm cada vez mais acesso ( 2 ) informação e é assim que vejo a comunicação: com fronteiras menos marcadas e deixando de lado o paradigma de que o público é passivo", acredita. Silvania concorda e diz que a sociedade começa ( 3 ) perceber que a verdade suprema é estanque, não condiz com o dia-a-dia. "Ao se depararem com uma informação, as pessoas começam a pesquisar e isso as aproxima do fazer científico, ou seja, de que a verdade é questionável", enfatiza.

      Para a professora da UFMG, isso cria o "jornalista contínuo", um indivíduo que põe a verdade à prova o tempo todo. "A noção de ciência atual é a de verdade em construção, ou seja, de que determinados produtos ou processos imediatamente anteriores à ação atual, são defasados".

      Cavallini considera que ( 4 ) três linhas de pensamento possíveis que poderiam explicar a utilização do recurso da imagem científica para vender: a quantidade de informação que a ciência pode agregar a um produto; o quanto essa informação pode ser usada como diferencial na concorrência entre produtos similares; e a ciência como um selo de qualidade ou garantia. Ele cita o caso dos chamados produtos "verdes", associados a determinadas características com viés ecológico ou produtos que precisam de algum tipo de "auditoria" para comprovarem seu discurso. "Na mídia, a ciência entra como mecanismo de validação, criando uma marca de avanço tecnológico, mesmo que por pouquíssimo tempo", finaliza Silvania.

      O fascínio por determinados temas científicos segue a lógica da saturação do termo, ou seja, ecoar algo que já esteja exercendo certo fascínio na sociedade. "O interesse do público muda bastante e a publicidade se aproveita desses temas que estão na mídia para recriá-los a partir de um jogo de sedução com a linguagem" diz Cristina Bruzzo, pesquisadora da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e que acompanhou ( 5 ) apropriação da imagem da molécula de DNA pelas mídias (inclusive publicidade). "A imagem do DNA, por exemplo, foi acrescida de diversos sentidos, que não o sentido original para a ciência, e transformado em discurso de venda de diversos produtos", diz.

      Onde estão os dados comprovando as afirmações científicas, no entanto? De acordo com Eduardo Corrêa, do Conselho Nacional de Auto Regulamentação Publicitária (Conar) os anúncios, antes de serem veiculados com qualquer informação de cunho científico, devem trazer os registros de comprovação das pesquisas em órgãos competentes. Segundo ele, o Conar não tem o papel de avalizar metodologias ou resultados, o que fica a cargo do Ministério da Saúde, Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ou outros órgãos. "O consumidor pode pedir uma revisão ou confirmação científica dos dados apresentados, contudo em 99% dos casos esses certificados são garantia de qualidade. Se surgirem dúvidas, quanto a dados numéricos de pesquisas de opinião pública, temos analistas no Conar que podem dar seus pareceres", esclarece Corrêa. Mesmo assim, de acordo com ele, os processos investigatórios são raríssimos. 

RODRIGO, Enio. Ciência e cultura na publicidade. Disponível em:<http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?pid=S0009-67252009000100006&script=sci_arttext>. Acesso em 22/04/2015. 

Dentre os vocábulos abaixo, assinale aquele cuja regra de acentuação é diversa daquela usada no vocábulo destacado em:

"(...) a verdade é questionável ". (3º parágrafo, texto 2)

Alternativas
Comentários
  • c) fascínio 

     

     

    • Acentue todas as palavras paroxítonas terminadas em l, n, r, x, ã(s), i(s), us, um(uns), ons, ps, ditongo. Exemplos:

     

    questionável, abdômen, fóssil, tórax, câncer...

     

     

    • Acentue todas as palavras proparoxítonas. Exemplos:

     

    fascínio, árvore, médico, paralelepípedo...

  • Eu acredito que "fascínio" se encaixe na regra de paróxitonas terminadas em ditongo crescente.

  • fascínio neste caso é uma paróxitona que funciona como uma proparóxitona eventual, assim passa a não fazer parte da mesma regra das paróxitonas, só fazendo mesma regra daquelas que forem proparóxitonas eventuais, tais, como: his-tó-ria que passa a ser his-tó-ri-a, na acepção de proparóxitona eventual, logo, a palavra fascínio faria mesma regra com história, mas não com questionável.

  • Fascínio é paroxítona terminada em ditongo crescente. fas--nio

    O comentário da colega Giselle Moraes está incorreto.

  •  a)abdômen - Terminado em N

     b)fóssil - Terminado em L

     c)fascínio  - Terminado em Ditongo

     d)tórax - Terminado em X

     e) câncer - Terminado em R

    L, I(S), N,US,PS,Ã ,R,UM,UNS,ON,X,ÃO

  • Complicado!

  • Na minha opniao a banca nao pediu certo.

  • Eu classifiquei fascínio como proparoxítona e acertei

  • Caio Guarda o exemplo da Giselle não está errado, nem o seu, pois as palavras terminadas em IA, IE,IO,UA,UE,UO podem ser tanto paroxítona como proparoxítona , ou seja , é facultativo.

  • fas-cí-nio é terminado em ditongo, as demais terminam em n, l, x, r. então é diferente das demais
  • Ele deu a resposta na pergunta, questão mais de interpretação.

  • Não conseguir intender o que a pergunta pede

  • Fascínio é proparoxítona apenas em Portugal e na CPLP,entretanto no Brasil a consideramos paroxítona, embora o Brasil faça parte da CPLP.

    fas--nio (no Brasil);

    fas--ni-o (no Portugal e restante )

  • Acentua-se paroxítonas terminadas em en , ens?

  • fas-cí-ni-o : Há alguns gramáticos que consideram essa palavra com uma proparoxítona Acidental, Eventual ou Aparante .

    Fas-cí-nio : Outros a consideram uma Paroxítona terminada em Ditongo , no caso, crescente..

    ou seja, ambos os casos se diferem do do caso da palavra " Questionável" a qual é acentuada por ser uma Paroxítona terminada em L

  • essa questão deveria ser anulada.

  • Então, é aquele ditado.

    "se só tem tu, vai tu mesmo".

    paroxitonas terminadas em ditongo, ACIDENTALMENTE pode ser proparoxitona.

    A PRIORIDADE SEMPRE É DITONGO, MAS SE N TIVER OUTRA RESPOSTA SEMPRE VAI SER AS TERMINADAS EM DITONGO.

    Ex:

    Es-pon-tâ-neo é a separação certa.

    Mas acidentalmente pode ser Es-pon-tâ-ne-o, fas-cí-ni-o, His-tó-ri-a