SóProvas


ID
2140753
Banca
FCM
Órgão
IF Sudeste - MG
Ano
2016
Provas
Disciplina
Português
Assuntos

Texto 3

                                                 O domínio do trivial

                   Hoje, cada vez mais, mesmo quando parecemos discordar,

                                 pensamos todos as mesmas trivialidades.

                                                                                                      Contardo Calligaris

      [1º§]Aos vinte anos, leitor de Gramsci¹, eu entendia que o poder das classes dominantes se exercia de duas maneiras. Havia a exploração econômica, com repressão eventualmente brutal das reivindicações dos trabalhadores (sem contar as guerras imperialistas). E havia a outra face do domínio: o controle das ideias e das mentes, oculto e insidioso. Esse era o terreno de luta dos intelectuais: podíamos colaborar com a classe dominante ou, então, fazer o quê? Sermos porta-vozes de uma nova classe?

      [2º§]Não éramos totalmente ingênuos. Reconhecíamos os horrores do dito "socialismo real" e percebíamos que ele substituíra uma classe dominante por outra. A ditadura do proletariado não tinha por que ser melhor do que a ditadura da burguesia; talvez, aliás, ela fosse pior. Nosso sonho era outro: uma sociedade sem classes.

      [3º§]Pois bem, um espectador apressado poderia pensar que, enfim, realizamos a famosa sociedade sem classes – ao menos em parte. Claro, desigualdades e exploração continuam; no entanto, é difícil distinguir a cultura da classe dominante das outras que lhe seriam opostas, porque, no fundo, mesmo quando parecemos discordar, pensamos todos de forma igual.

      [4º§]Acabo de ler "L'Egemonia Sottoculturale", de Massimiliano Panarari (A hegemonia da subcultura, editora Einaudi, 2010). O autor, um intelectual de minha geração, faz uma crítica hilária da "subcultura da fofoca", que seria, segundo ele, a cultura dominante na Itália de hoje. (...) Mas o que Panarari diz não se aplica só ao caso da Itália. Mundo afora, é cada vez mais difícil dizer algo que não faça parte de um senso comum que é feito de referências, ideias e, sobretudo, maneiras de pensar compartilhadas graças ao uso generalizado da mesma mídia.

      [5º§]Nesse quadro, pensar criticamente é árduo. Quem deseja convencer seus leitores ou espectadores de que ele pensa fora da trivialidade dominante tende a parecer-se com aquelas crianças que, de vez em quando, gritam "xixi e cocô" e, com isso, gabam-se de ter quebrado um grande tabu.

      [6º§]Nesse sentido, nos EUA, são cada vez mais populares radialistas, apresentadores e jornalistas supostamente "conservadores", que devem seu sucesso a uma vulgaridade e a uma truculência que parecem satisfazer a espera de todos por um pensamento novo, diferente. (...) Sua "ousadia" é tão inovadora quanto a das crianças do "xixi e cocô".

      [7º§]No Brasil, o debate eleitoral em curso poderia também servir para mostrar que nosso senso comum compartilhado é, no caso, uma espécie de razoabilidade, resignada a evitar temas excessivamente conflitivos (...) e a aceitar alianças duvidosas e supostamente "necessárias".

      [8º§]Como chegamos a essa perda de contraste na vida pública e cultural?  

      [9º§]Segundo Panarari, a burguesia ganhou a luta pela hegemonia jogando a carta do prazer: "Na década do hedonismo², todos se convenceram, de repente, de que estava na hora de divertir-se. Palavra de ordem: "Queremos folgar" e, por favor, evite-se empestar a existência, de qualquer maneira que seja, com política, cultura, economia e todas essas ‘coisas’ assimiláveis a preocupações e aborrecimentos". Conclusão: a subcultura hedonista da fofoca é o novo ópio do povo.

      [10º§]Concordo (um pouco) com essa visão apocalíptica da cultura dominante. Mas discordo da ideia de que a subcultura da fofoca seja a invenção vitoriosa de uma classe específica. Ela é, em meu ver, uma consequência dos nossos tempos, pela razão que segue. Quando a mídia é de massa, não há mais diferença entre manipuladores e manipulados, pois os próprios manipuladores, expostos à mídia, são manipulados por suas produções. Ou seja, progressivamente, todo o mundo pensa as mesmas trivialidades.

      [11º§]É o feitiço que enfeitiça o feiticeiro.

Fonte: Folha de São Paulo, 19/08/2010. Texto adaptado.

Vocabulário de apoio

1- Gramsci: Antonio Gramsci (Ales, 22 de janeiro de 1891 — Roma, 27 de abril de 1937) filósofo marxista, jornalista, crítico literário e político italiano. Escreveu sobre teoria política, sociologia, antropologia e linguística.

2- Hedonismo: teoria ou doutrina filosófico-moral que afirma ser o prazer o supremo bem da vida humana.

Releia este trecho do texto 3.

Quem deseja convencer seus leitores ou espectadores de que ele pensa fora da trivialidade dominante tende a parecer-se com aquelas crianças que, de vez em quando, gritam "xixi e cocô" e, com isso, gabam-se de ter quebrado um grande tabu.

Nesse trecho, as ocorrências grifadas da palavra SE caracterizam o emprego de

Alternativas
Comentários
  • Conjunção subordinativa integrante – Introduz uma oração subordinada substantiva.
    Ex: Analisamos se as propostas eram convenientes. Oração subordinada substantiva objetiva direta
    Conjunção subordinativa causal – relaciona-se a “já que”, “uma vez que”. 
    Se não tinha competência para o cargo, não poderia ter aceitado a proposta. 
    Oração subordinada adverbial causal
    Conjunção subordinativa condicional – estabelece um sentido de condição, podendo equivaler-se a “caso não”. 
    Ex: Se tivéssemos saído mais cedo, poderíamos aproveitar mais o passeio. 
    Or. subordinada adverbial condicional

    Conjunção Concessiva.- Pode ser substituída pela conjunção ‘embora’, e indica uma concessão, uma exceção à consequência natural da ação. Ex: Se perdermos este jogo, nem por isso sairemos daqui desanimados.

      Se como Pronome .Integrando a classe dos pronomes oblíquos, pode também assim ser classificado: 
    a) Pronome apassivador – Relaciona-se a verbos transitivos diretos ou transitivos diretos e indiretos, estando na voz passiva sintética. Dica importante:  No intuito de reconhecer a devida ocorrência, recomenda-se mudar o verbo para a voz passiva analítica. Ex: Fiscalizaram-sevárias CNHs. Fazendo tal permutação, obteríamos: Várias CNHs foram fiscalizadas

    b) Índice de indeterminação do sujeito – Relaciona-se a verbos intransitivos, transitivos indiretos ou de ligação, uma vez conjugados na 3ª pessoa do singular. 
    Nota importante:  De modo a identificar tal classificação, basta substituirmos o “se” por alguém ou ninguém.  Ex: Precisa-se de funcionários qualificados.
    Alguém precisa de funcionários qualificados. 

    c) Parte integrante do verbo – integra verbos essencialmente pronominais, ou seja, aqueles que necessariamente trazem para junto de si o pronome oblíquo, denotando quase sempre sentimentos e atitudes próprias do sujeito. São eles: queixar-se, arrepender-se, vangloriar-se,submeter-se, dentre outros. Ex: Os garotos queixaram-se do mau atendimento. 

    d) Pronome reflexivo – Neste caso, dependendo da predicação a que se relaciona o verbo, o pronome “se” pode exercer a função de objeto direto, indireto ou sujeito de um infinitivo, assumindo o sentido de “a si mesmo”. o sujeito pratica e sofre a ação.  Ex: A garota penteou-sediante do espelho. 

    e) Pronome reflexivo recíproco –  O pronome recíproco é muito parecido com o reflexivo, mas neste caso a ação envolve dois sujeitos, em que ambos praticam a ação um sobre o outro, e portanto também sofrem a conseqüência da ação praticada. Ex: Paulo e Marcos se acusavam frequentemente pelo fato ocorrido. 

    f) Partícula de realce ou expletiva – Assim como retrata a própria nomenclatura (realce), tal classificação permite que o pronome seja retirado da oração sem para que isso haja alteração de sentido. Neste caso, liga-se a verbos intransitivos, indicando uma ação proferida pelo sujeito. 
    Ex: Toda plateia riu-se diante das travessuras do palhaço trapalhão.

    Fonte:http://portugues.uol.com.br/gramatica/as-funcoes-se-.html

  • GABARITO: D

    Mas confesso que não entendi. Marquei 'E'

  • vou tentar diferenciar de uma forma simples:

     

    "SE" INDICE DE INDETERMINAÇÃO DO SUJEITO : verbos intransitivos, transitivos indiretose de ligação, que obrigatoriamente são conjugados na terceira pessoa do singular.

    Precisa-se de mulheres.

     

    "SE" PRONOME APASSIVADOR : transitivos diretos (VTD) e transitivos diretos e indiretos (VTDI) na formação da voz passiva sintética. Nesse caso, o verbo deve concordar com o sujeito da oração.

    Construíram-se novos postos de amores ( popularmente chamado de cabaré haha ) .

     

     

    Como vimos, na questão não é um, nem outro. Eu acertei, foi por exclusão mesmo. 

    GABARITO "D"

     

  • Nos verbos Parecer-se e Gabam-se

     A palavra SE faz parte de verbos PRONOMINAIS, ou seja, verbos que só se conjugam acompanhados de pronome pessoal oblíquo.

    Exemplo: indignar-se, queixar-se, arrepender-se, orgulhar-se, suicidar-se, apaixonar-se, etc.  Esses verbos não podem ser conjugados separadamente da partícula SE, sendo parte integrante do verbo.

     Fonte: Gramática Nilson Teixeira de Almeida

  • LETRA E CORRETA

     

    Parte Integrante do Verbo

    Acompanha verbos pronominais, que são aqueles que se conjugam obrigatoriamente com o pronome, como por exemplo: ajoelhar-se, arrepender-se (SÓ PODE SER FEITO PELO SUJEITO)

     

    Ex. Sem querer, o menino feriu-se

    Ex. Ele lamentava-se sem motivos. 

  • DICAS: 

    Quando vc não conseguir visualizar o sujeito na frase, será Particula apassivadora ou ìndice de indeterminação do sujeito. 

    EX: Vendem-se casas (Particula passasivadora - VTD e o verbo concorda como "objeto direto")

     

    Acredita-se em fantasmas (Indice de Indeterminação do sujeito - VTI .. e o verbo não concorda com o O.I) 

     

     

  • O "se" será um PIV (Parte integrante do verbo) sempre que aparecer ligados a verbos pronominais;

    Parecer: (Nesse contexto é pronominal, ou seja, exige o pronome em sua conjugação) Eu me pareço, Tu te pareces, Ele se parece...

     

    Gabar: (Nesse contexto é pronominal, ou seja, exige o pronome em sua conjugação) Eu me gabo, Tu te gabas, ele se gaba...

     

    Bons estudos

  • Charlisom Marques

    Comentando seu exemplo

    1- verbo nunca concorda com objeto, sempre com o sujeito

    2- no seu ex: casas é o SUJEITO

    Qdo vc coloca o SE no VTD, vc transforma a frase ativa em passiva e o q era OBJETO vira SUJEITO.

    VENDEM CASAS. Quem vende, vende algo- VTD + OD (VENDEM O QUE?)

    VENDEM-SE CASAS. AQUI VC NÃO DEVE FAZER A PERGUNTA, PQ VC PODE CONFUNDIR.

    Vc deve decorar que VTD+ SE

     faz voz passiva e o objeto vira sujeito., Ok..

    E aí o SE é particula apassivadora e o sujeito está expresso na frase.

    Para ser indíce de indeter. o verbo deve estar no singular + SE. E o o verbo deve ser VTI ou VI.

    Espero ter te ajudado.

  • Eliana, eu sei. Por isso, escrevi "objeto direto" entre aspas, uma vez que, na verdade, se trata do sujeito. Mas, nesses casos, quem nao estudou a matéria, ou nao estudou direito, nao consegue enxergar isso como sujeito, e sim como O.D, tendo em vista que o verbo é transitivo direto. =)

     

     

  • GABARITO D

     

    FUNÇÕES DO 'SE'

     

    a) Partícula expletiva ou partícula de realce: virá acompanhando um verbo intransitivo.

    Murcham-se as flores.
    Eles se foram mais depressa do que eu esperava.

     

    b) Parte integrante do verbo: o pronome faz parte de um verbo pronominal.

    - Queixaram-se do excesso de sal na comida. (o verbo é queixar-se)
    - Ainda bem que jovem não teve coragem de se suicidar. (o verbo é suicidar-se)

    SE: função morfológica

     

    c) Conjunção integrante: inicia oração subordinada substantiva.

    - Perguntei se ela tinha troco.
    - Saberei se você não fizer a prova.

     

    d) Conjunção adverbial condicional: introduz uma oração adverbial condicional e serve para indicar a condição.

    - Se você quiser, nós vamos embora.
    - Só libero sua compra se você me mostrar o comprovante de pagamento.

     

    e) Pronome Reflexivo: serve para indicar, na voz passiva, que o sujeito pratica a ação e ela recai sobre ele mesmo, ou que dois sujeitos praticam uma ação recíproca.

    - As meninas se entreolhavam com curiosidade.
    - Ele se feriu com a atitude que tomou.

    SE: Função Sintática

     

    f) Partícula apassivadora: acompanha verbo transitivo direto e serve para indicar que a frase está na voz passiva sintética. Para comprovar, pode-se colocar a frase na voz passiva analítica, como está feito abaixo.

    - Fazem-se unhas. (voz passiva analítica: Unhas são feitas)
    - Alugam-se casas e apartamentos. (casas e apartamentos são alugados)

     

    g) Índice de Indeterminação do Sujeito: vem acompanhando um verbo transitivo indireto, um verbo intransitivo (sem sujeito claro), um verbo de ligação ou um transitivo direto, em casos de objeto direto preposicionado. Serve para indicar que o Sujeito da oração é indeterminado. A voz é ativa. Neste caso, caso seja feita a tentativa, não é possível pôr a oração na voz passiva analítica.

    - Necessita-se de voluntários para o hospital. (VTI)
    - Neste lugar se é tratado como um animal. (VL)
    - Ainda se corre o risco de perder o oxigênio. (VI)
    - Ama-se a Deus. (VTD)

     

    h) Sujeito acusativo: é, aparentemente, objeto direto de um verbo e sujeito de outro ao mesmo tempo.

    - Ela deixou-se levar.
    - Ordenaram-se elogiar o espetáculo.

    Fonte :Se  http://www.infoescola.com

  • Povo, relaxa!!!!!

     

    O que dizer de alguém que havia corrigido essa alternativa e, ao marcar no gabarito, lançou a primeira opção. Isso me custou 5 colocações. além de sair de dentro das vagas. :(

     

  • Bah, Marco Almeida, sinto muito por ti. Fiz isso num concurso do TJRS, fui eliminada por uma questão, pois na hora de passar o gabarito, resolvi trocar de novo. Fiz nota muito mais alta do que aqueles que já fora, inclusive, nomeados. Luto no TJ pela anulação de duas questões, pois estavam fora do edital ... Mas sem esperança alguma ... 

  • P I  V    -  PARTE INTEGRANTE DO VERBO:  O VERBO SE CONJUGA COM OS PRONOMES:  queixar-se; apiedar-se, arrepender-se, zangar-se; romper-se

                                                                  

                                                                   TEM    SUJEITO EXPLÍCITO

     

    SENTIMENTOS        e    FENÔMENOS MENTAIS

                                                    ELES    SE       INDIGNARAM-SE

     

                                                   Não se sente à vontade

     

     

                                    Ex           A borboleta resolveu aproximar-se mais da chama

     

    A liquidez do mundo moderno esvai-se pela vida

                               O herdeiro, longe de compadecer-se

                                 multidão se comprime

    O gerente de uma loja de brinquedos queixou-se (PIV)   a João que = ISSO o movimento está fraco

     

                               

                                         CUIDADO PARA NÃO CONFUNDIR COM   PIS

                                  

                                                                   NINGUÉM        SE       ESQUECE,    SE   LEMBAR

                    Ela se referiu ao problema

                   Ele se     (PIV)    esqueceu do livro

                  

                 CERTIFICA-SE

     

    CURAR-SE

     

                   ABSTER-SE

     

                   LEMBRAR-SE

     

                   REFERIR-SE  .......

                   TORNAR-SE ..........

                   RECORDAR-SE

                   ARREPENDER-SE

                   CERTIFIQUE-SE DE ALGUMA COISA...

                   LEMBROU-SE DO COMPROMISSO

    ARREPENDEU-SE DO OCORRIDO

                   QUEIXAR-SE, SUICIDAR-SE, ARREPENDER-SE

     

     

                        PIS/IIS:              VTI, VI, VL (Verbo no singular)

     

                               PIS   (ALGÉM, QUALQUER UM)    -   PRONOME

     

                          NÃO ADMITE  TRANSPOR PARA VOZ PASSIVA

                               PIS   -   NÃO CABE PARA   V T  D  O QUÊ.  QUEM CELEBRA, CELEBRA ALGO.

     

                   9       -      PIS        ÍNDICE DE INDETERMINAÇÃO DO SUJEITO

    O “SE” também pode ser utilizado como pronome indefinido, chamado ainda de índice de indeterminação do sujeito, é utilizado em frases cujo sujeito é indeterminado, e por muitos gramáticos não é considerado um pronome.

     

    SEMPRE NA  3ª    P. SINGULAR

     

    -       IMPESSOALIZAR O SUJEITO INDETERMINADO GENERELIZADO

    -        VERBO DE LIGAÇÃO

     

    -      VERBO INTRANSITIVO.    QUEM TRATA, PRECISA          Trata-se,  PRECISAR, NECESSITAR

     

    VERBOS INTRANSITIVOS:    nasce, caiu, comeu, morreu, chegou, acordou ...    

    Intransitivo           MOVIMENTO OU ATITUDES EM RELAÇÃO AO PRÓPRIO CORPO

     

     

    -      VTI         VERBO TRANSITIVO INDIRETO, COM PREPOSIÇÃO    DE  / EM

                    PRECISOU-SE  /     DE ALGUÉM

  • Eu ME pareço

    Eu ME gabo. 

    Percebam que não há como conjugar os verbos sem o uso dos pronomes. Logo, trata-se de parte integrante do verbo.