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ID
2274277
Banca
FUNCAB
Órgão
PC-PA
Ano
2016
Provas
Disciplina
Português
Assuntos

  Não raro as palavras “moral” e “ética” aparecem num mesmo contexto e, às vezes, são erroneamente entendidas como sinônimos. A primeira tem caráter prático, relativo e restrito a determinada circunstância. Já a segunda é a reflexão filosófica sobre a moral, busca compreender sua lógica e justificá-la. É necessário reconhecer que a própria etimologia dos termos favorece dúvidas. [...] Podemos pensar que moral são as normas que devem ser seguidas e tem como objetivo regular o comportamento [...]. Já a ética expressa um conjunto de valores que orientam as ações com o fim de preservar o bem-estar coletivo.

   É possível dizer que, enquanto a ética é teórica, “filosófica”, a moral está associada à prática, ao cotidiano, à maneira como vivemos os princípios éticos. Subjacente aos dois conceitos há uma questão básica: a oposição entre o bem e o mal. Para a psiquiatria, a psicanálise e a maioria das abordagens psicológicas, porém , a visão maniqueísta é insuficiente diante da complexidade humana. Muitas vezes, as supostas maldades - ou o que a priori seriam considerados gestos de bondade - surgem como sintomas de alguma patologia ou emergem de quadros psíquicos alterados. Além disso, se levarmos em conta a existência de uma instância psíquica inconsciente, que constantemente sabota nossas boas intenções (e quanto menos nos conhecemos mais o faz), fica ainda mais difícil estabelecer uma separação objetiva entre bons e maus.

   Friedrich Nietzsche (1844-1900), por exemplo, propõe pensarmos “para além do bem e do mal”. Escreve: “Pergunte aos escravos 'quem é o mau', e eles apontarão o personagem que a moral aristocrática considera 'bom', isto é, o poderoso, o dominador”. O filósofo alemão faz uma colocação muito pertinente: há sempre a perspectiva de quem julga, suas experiências e seus interesses. Como então lidar com essa multiplicidade de olhares possíveis sobre um mesmo objeto? Uma saída talvez seja lançar mão de um recurso bastante simples, a empatia, e fazermos o exercício (nem sempre cômodo ou fácil) de nos colocarmos no lugar do outro, procurando compreender seu ponto de vista - e sua dor. Buscando esse ponto que nos coloca em contato com o outro, tão diferente e ao mesmo tempo tão próximo, talvez seja mais fácil buscar em nós mesmos espaços psíquicos que comportem escolhas menos nocivas.

Rev. mentecérebro. Abril de 2011, p. 22.

A argumentação desenvolvida no texto está orientada no sentido de persuadir o leitor a chegar à conclusão de que:

Alternativas
Comentários
  • Gabarito: D.

     

    "Uma saída talvez seja lançar mão de um recurso bastante simples, a empatia, e fazermos o exercício (nem sempre cômodo ou fácil) de nos colocarmos no lugar do outro, procurando compreender seu ponto de vista - e sua dor."

  • GABARITO: LETRA D!

    Complementando:

    Empatia significa a capacidade psicológica para sentir o que sentiria uma outra pessoa caso estivesse na mesma situação vivenciada por ela. Consiste em tentar compreender sentimentos e emoções, procurando experimentar de forma objetiva e racional o que sente outro indivíduo.

    Alteridade é um substantivo feminino que expressa a qualidade ou estado do que é outro ou do que é diferente. Quando é possível verificar a alteridade, uma cultura não tem como objetivo a extinção de uma outra. Isto porque a alteridade implica que um indivíduo seja capaz de se colocar no lugar do outro, em uma relação baseada no diálogo e valorização das diferenças existentes.

    Maniqueísmo é a ideia baseada numa doutrina religiosa que afirma existir o dualismo entre dois princípios opostos, normalmente o bem e o mal.

    https://www.significados.com.br

  • A argumentação desenvolvida no texto está orientada no sentido de persuadir o leitor a chegar à conclusão de que

     

     a) ERRADO - no texto, o autor demonstra que usualmente os termos são confundidos pelas pessoas. Muitas vezes são utilizados até mesmo como sinônimos (conforme linha 01 do texto).

     

     b) ERRADO - apesar de a afirmativa estar correta, não é para esta conclusão que o autor desenvolve sua argumentação.

     

     c) ERRADO - na verdade, essas 3 ciências não chegam a condenar a visão maniqueísta (dualista) da moral. O texto observa que essa visão é apenas INSUFICIENTE (conforme a linha 07 do texto).

     

     d) CORRETO - a empatia, implicando a visão de alteridade, é talvez a saída para uma moral não contaminada de maniqueísmo. Podemos perceber que o autor conclui o texto dessa maneira por este trecho: "Uma saída talvez seja lançar mão de um recurso bastante simples, a empatia, e fazermos o exercício (nem sempre cômodo ou fácil) de nos colocarmos no lugar do outro (ALTERIDADE), procurando compreender seu ponto de vista - e sua dor."

     

     e) ERRADO - este item também contém uma afirmação correta, mas, assim como no item B, o autor não desenvolve sua argumentação para chegar a esta conclusão. Esta afirmação faz parte da argumentação desenvolvida no decorrer do texto.

     

  • Uma saída talvez seja lançar mão de um recurso bastante simples, a empatia, e fazermos o exercício (nem sempre cômodo ou fácil) de nos colocarmos no lugar do outro, procurando compreender seu ponto de vista - e sua dor NESSE TRECHO ESTÁ A RESPOSTA

  • Fiquei entre B e D, escolhi a D pelo fato de a conclusão normalmente se encontrar no último parágrafo dos texto. Os parágrafos após a introdução e antes da conclusão, são de desenvolvimento. Não sei se foi um argumento tão válido, mas esse detalhe ajudou acertar a questão.