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ID
2319079
Banca
IF-PE
Órgão
IF-PE
Ano
2017
Provas
Disciplina
Português
Assuntos

Leia os TEXTO  para responder às questão. 

REVISÃO VAI ALÉM DA ORTOGRAFIA E FOCA OS PROPÓSITOS DO TEXTO

O objetivo do aluno ao fazer a revisão de texto é conseguir que ele comunique bem suas ideias e se ajuste ao gênero. Isso tem de ser feito tanto durante a produção como ao fim dela.

   Produzir textos é um processo que envolve diferentes etapas: planejar, escrever, revisar e reescrever. Esses comportamentos escritores são os conteúdos fundamentais da produção escrita. A revisão não consiste em corrigir apenas erros ortográficos e gramaticais, como se fazia antes, mas cuidar para que o texto cumpra sua finalidade comunicativa. “Deve-se olhar para a produção dos estudantes e identificar o que provoca estranhamento no leitor dentro dos usos sociais que ela terá”, explica Fernanda Liberali, Doutora em linguística pela PUC/SP.  

   Com a ajuda do professor, as turmas aprendem a analisar se ideias e recursos utilizados foram eficazes e de que forma o material pode ser melhorado. A sala de 3º ano de Ana Clara Bin, na Escola da Vila, em São Paulo, avançou muito com um trabalho sistemático de revisão. Por um semestre, todos se dedicaram a um projeto sobre a história das famílias, que culminou na publicação de um livro, distribuído também para os pais. Dentro desse contexto, Ana Clara propôs a leitura de contos em que escritores narram histórias da própria infância.

   Os estudantes se envolveram na reescrita de um dos contos, narrado em primeira pessoa. Eles tiveram de reescrevê-lo na perspectiva de um observador – ou seja, em terceira pessoa. A segunda missão foi ainda mais desafiadora: contar uma história da infância dos pais. Para isso, cada um entrevistou familiares, anotou as informações colhidas em forma de tópicos e colocou tudo no papel.

   Ana Clara leu os trabalhos e elegeu alguns pontos para discutir. “O mais comum era encontrar só o relato de um fato”, diz. “Recorremos, então, aos contos lidos para saber que informações e detalhes tornavam a história interessante e como organizá-los para dar emoção.” Cada um releu seu conto, realizou outra entrevista com o parente-personagem e produziu uma segunda versão.

   Tiveram início aí diferentes formas de revisão – análise coletiva de uma produção no quadro-negro, revisão individual com base em discussões com o grupo e revisões em duplas – realizadas dias depois para que houvesse distanciamento em relação ao trabalho. A primeira proposta foi a “revisão de ouvido”. Para realizá-la, Ana Clara leu em voz alta um dos contos para a turma, que identificou a omissão de palavras e informações. A professora selecionou alguns aspectos a enfocar na revisão: ortografia, gramática e pontuação. “Não é possível abordar de uma só vez todos os problemas que surgem”.

   Quando a classe de Ana Clara se dividiu em duplas, um de seus propósitos era que uns dessem sugestões aos outros. A pesquisadora argentina em didática Mirta Castedo é defensora desse tipo de proposta. Para ela, as situações de revisão em grupo desenvolvem a reflexão sobre o que foi produzido por meio justamente da troca de opiniões e críticas. “Revisar o que os colegas fazem é interessante, pois o aluno se coloca no lugar de leitor”. “Quando volta para a própria produção e faz a revisão, a criança tem mais condições de criar distanciamento dela e enxergar fragilidades.”

   Um escritor proficiente, no entanto, não faz a revisão só no fim do trabalho. Durante a escrita, é comum reler o trecho já produzido e verificar se ele está adequado aos objetivos e às ideias que tinha intenção de comunicar – só então planeja-se a continuação. E isso é feito por todo escritor profissional.

   A revisão em processo e a final são passos fundamentais para conseguir de fato uma boa escrita. Nesse sentido, a maneira como você escreve e revisa no quadro-negro, por exemplo, pode colaborar para que a criança o tome como modelo e se familiarize com o procedimento. Sobre o assunto, Mirta Castedo escreve em sua tese de doutorado: “Os bons escritores adultos (...) são pessoas que pensam sobre o que vão escrever, colocam em palavras e voltam sobre o já produzido para julgar sua adequação. Mas, acima de tudo, não realizam as três ações (planejar, escrever e revisar) de maneira sucessiva: vão e voltam de umas a outras, desenvolvendo um complexo processo de transformação de seus conhecimentos em um texto”.


GURGEL, Thaís. Revista Nova Escola. Escrever de verdade - produção de textoAdaptado. Disponível em http://acervo.novaescola.org.br/producao-de-texto/revisao-alem-ortografia.shtml - Acesso em 25 de outubro de 2016 

Quanto aos aspectos gramaticais ligados à pontuação, analise as proposições que seguem.

I. No trecho “Com a ajuda do professor, as turmas aprendem a analisar se ideias e recursos utilizados foram eficazes e de que forma o material pode ser melhorado.”(3º parágrafo), o uso da vírgula não se justifica, pois está separando o sujeito do verbo.
II. O travessão utilizado em “Eles tiveram de reescrevê-lo na perspectiva de um observador – ou seja, em terceira pessoa.” (4º parágrafo), poderia perfeitamente ser substituído por uma vírgula.
III. Em “A segunda missão foi ainda mais desafiadora: contar uma história da infância dos pais.” (4º parágrafo),. O uso dos dois pontos não se justifica.
IV. No trecho “Cada um releu seu conto, realizou outra entrevista com o parente-personagem e produziu uma segunda versão.” (5º parágrafo), a utilização da vírgula se justifica por organizar orações coordenadas.
V. Em “Um escritor proficiente, no entanto, não faz a revisão só no fim do trabalho.” (8º parágrafo), as vírgulas estão corretamente postas, pois separam expressão deslocada de sua posição original.

Assinale a alternativa que apresenta as proposições CORRETAS.

Alternativas
Comentários
  • I. No trecho “Com a ajuda do professor, as turmas aprendem a analisar se ideias e recursos utilizados foram eficazes e de que forma o material pode ser melhorado.”(3º parágrafo), o uso da vírgula não se justifica, pois está separando o sujeito do verbo.

    Virgula pode separar orações com sujeitos diferentes.

     

    II. O travessão utilizado em “Eles tiveram de reescrevê-lo na perspectiva de um observador – ou seja, em terceira pessoa.” (4º parágrafo), poderia perfeitamente ser substituído por uma vírgula.

    Correto

     

    III. Em “A segunda missão foi ainda mais desafiadora: contar uma história da infância dos pais.” (4º parágrafo),. O uso dos dois pontos não se justifica.

    Dois-pontos é um sinal de pontuação que anuncia ou uma citação ou uma enumeração, ou um esclarecimento, ou ainda uma síntese do que se acabou de dizer.

     

    IV. No trecho “Cada um releu seu conto, realizou outra entrevista com o parente-personagem e produziu uma segunda versão.” (5º parágrafo), a utilização da vírgula se justifica por organizar orações coordenadas.

    As orações são coordenadas, independentes entre si.

     

    V. Em “Um escritor proficiente, no entanto, não faz a revisão só no fim do trabalho.” (8º parágrafo), as vírgulas estão corretamente postas, pois separam expressão deslocada de sua posição original. 

    Leia o artigo completo no site - http://www1.folha.uol.com.br/folha/fovest/virgula.shtml