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ID
2345533
Banca
FCC
Órgão
MPE-RN
Ano
2012
Provas
Disciplina
Português
Assuntos

Notícias municipais
    Chegaram notícias de minha cidade natal. Um pouco antigas: têm quarenta anos e estão numa coleção de jornais velhos que me ofereceu um amigo, conterrâneo.
    Começo a compreender a atitude de Machado de Assis, ao responder a alguém que lhe dizia serem feias certas casas do Rio: “São feias, mas são velhas”. O prestígio da ancianidade, que não é aparente, velava a seus olhos a mesquinhez da arquitetura.
    Assim me ponho a folhear com emoção estas páginas amarelecidas, temendo que se rasguem, porque a fibra do papel se gastou como fibra humana. Cheiram preciosamente a 1910, e embora ninguém tenha nada que ver com a infância do autor, eu direi que cheiram também a meninice, porque nelas se revê o menino daquele tempo, e o menino vai pelas ruas, sobe nas árvores, contempla longamente o perfil da serra, prova o gosto dos araçás, dos araticuns e dos bacuparis* silvestres – tudo isso que o jornal não tem, mas que se desenrola do jornal como uma fita mágica.
* Araçás, araticuns e bacuparis = frutas tropicais
(Adaptado de Carlos Drummond de Andrade, Passeios na ilha)

Atente para as seguintes afirmações:
I. De acordo com o contexto, na frase “São feias, mas são velhas”, a conjunção sublinhada tem o mesmo sentido de dado que.
II. Na frase O prestígio da ancianidade, que não é aparente, velava a seus olhos a mesquinhez da arquitetura, afirma-se, em relação a certas casas do Rio, que seu ar de velhice, aparentemente valorizada, não oculta a pobreza de sua arquitetura.
III. No 3º parágrafo, as páginas antigas do jornal são associadas, pela fragilidade de sua matéria, à fragilidade dos homens, também condenados ao envelhecimento.
Em relação ao texto, está correto SOMENTE o que se afirma em

Alternativas
Comentários
  • GAB: C

    I - INCORRETA: = PORÉM

    II - INCORRETA: = A "MESQUINHEZ DA ARQUITETURA" VELAVA (NÃO VALORIZAVA, ENCOBRIA) O PRESTÍGIO DA ANCIANIDADE

    III- CORRETA: A MATÉRIA FRÁGIL DO JORNAL SE MATAFORIZA EM SUA REPRESENTAÇÃO DO HOMEM DIANTE DA INEXORÁVEL VELHICE