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ID
2461351
Banca
FUNDEP (Gestão de Concursos)
Órgão
CRM - MG
Ano
2017
Provas
Disciplina
Português
Assuntos

                                         Risco pediátrico

O Tribunal de Contas da União (TCU) pediu acesso ao resultado de centenas de fiscalizações realizadas pelos Conselhos Regionais de Medicina (CRMs) ao longo de 2015. Em meio ao calhamaço de informações, um ponto se destaca: o descaso para com a infraestrutura da rede pública de atenção primária.

É justamente nas 41 mil unidades básicas de saúde (UBS) espalhadas pelo país que os pacientes deveriam ter acesso às ações de promoção da saúde, de prevenção de doenças e de cuidados.

Plenamente eficientes, ajudariam a reduzir a incidência de doenças e a controlar os problemas crônicos, com menos sequelas e mortes, esvaziando hospitais e, o que mais gostam de ouvir os gestores, diminuindo custos. Contudo, os dados mostram uma rede à margem de suas possibilidades. [...]

Das 1.266 UBS vistoriadas pelos CRMs em 2015, um total de 739 (58%) apresentava mais de 30 itens em desconformidade com o estabelecido pelas normas legais em vigor. Sob a responsabilidade dos atuais gestores, deixaram de cumprir exigências criadas pelo próprio Ministério da Saúde.

O descaso transparece em contextos incompatíveis com a dignidade humana e a responsabilidade técnica. Em 41% das unidades, não havia um negatoscópio (aparelho para avaliar uma radiografia) e a falta de estetoscópio foi registrada em 23% das fiscalizações.

A precariedade das instalações em locais onde a limpeza é fundamental também foi percebida. Em 3% das UBS visitadas não havia sanitários para os funcionários; em 8% faltavam pias ou lavabos; sabonete líquido e papel toalha eram itens faltantes em 16% das unidades.

A pediatria é uma das especialidades que mais sofrem com essa situação, que beira o surreal. No Brasil, há 35 mil especialistas na área. Pouco mais de 70% deles atuam na rede pública, principalmente nessa rede que carece de quase tudo. Mesmo assim, num contexto completamente adverso, eles têm se desdobrado para oferecer às crianças e adolescentes o mínimo do que precisam.

Por isso, cuidam da saúde de 50 milhões de brasileiros, com idades de 0 a 18 anos, que dependem exclusivamente do Sistema Único de Saúde (SUS) para ter acesso a consultas médicas, exames, internações e cirurgias. No entanto, no cenário atual, profissionais e pacientes enfrentam situações-limite, que causam desespero nas famílias e impõem dilemas éticos aos médicos, cerceados por fatores que fogem ao seu controle.

Em nome da saúde e do bem-estar dos jovens brasileiros, essa realidade deve ser transformada com urgência. Nesse contexto, a assistência pediátrica de qualidade tem de ser vista como prioridade, pois se ocupa fundamentalmente daqueles que, mais que todos, precisam de uma sociedade que respeite a cidadania.

                      SILVA, Luciana Rodrigues; FERREIRA, Sidnei. Risco pediátrico. CFM.

                                                                   Disponível em: <http://migre.me/wf9Wn>.

                                                      Acesso em: 15 mar. 2017 (Fragmento adaptado).

O texto apresentado é, predominantemente, um(a):

Alternativas
Comentários
  • Analisando as alternativas:

    a) notícia, porque o texto se limita a expor os fatos, sem emitir opiniões.

    Errada. Uma notícia não é limitada muito pelo contrário!

     

     

    c) artigo científico, pois vale-se de dados científicos para embasar o texto.

    Errada. Há dados científicos no texto, porém não podemos concluir que o texto seja um artigo científico.

     

    d) resenha, uma vez que analisa e expõe os dados de uma pesquisa realizada.

    Errada. Resenha é uma notícia que expressa os detalhes de um fato, analisando-o de diversas formas.

    https://www.dicio.com.br/resenha/

     

     

    Letra B

     

  • Diferença entre Artigo de Opinião e Notícia:

    a) Artigo de opinião: texto jornalístico. Possui caráter argumentativo. Expressão do ponto de vista do produtor. O produtor busca convencer o leitor de sua opinião por meio de dados comprováveis e questionamentos que levem à reflexão.

    b) Notícia: texto jornalístico. Possui caráter informativo. Informa o leitor sobre acontecimentos atuais. Linguagem acessível e frase curtas. 

    Gabarito: LETRA B.

  • Porque não uma resenha? 

    Como o próprio texto diz: "Em meio ao calhamaço de informações, um ponto se destaca: [...]"  a partir desse trexo o autor resumi sobre a pesquisa  e com suas próprias palavras, dando opiniões e fazendo argumentações...

    Pra mim caberia resenha tmb. .

  • Vale resenha tbm. Porque a base de opinião nao é própria dele, é baseada na análise existente, ele não está convencendo, está somente enfatizando.
  • B).

     

    Em nome da saúde e do bem-estar dos jovens brasileiros, essa realidade deve ser transformada com urgência. Nesse contexto, a assistência pediátrica de qualidade tem de ser vista como prioridade, pois se ocupa fundamentalmente daqueles que, mais que todos, precisam de uma sociedade que respeite a cidadania

  • Gabarito: Letra B.

    Em nome da saúde e do bem-estar dos jovens brasileiros, essa realidade deve ser transformada com urgência. Nesse contexto, a assistência pediátrica de qualidade tem de ser vista como prioridade, pois se ocupa fundamentalmente daqueles que, mais que todos, precisam de uma sociedade que respeite a cidadania

  • Esclarecendo a dúvida de alguns colegas.

    Pelo que pesquisei, para o texto ser caracterizado como uma resenha crítica é necessário que haja um texto original como base. Ele precisa sintetizar outro texto e ao mesmo tempo expor a opinião do autor sobre o tema. Por exemplo, resenha de um livro, resenha de um capítulo de um livro, resenha de um filme, resenha de uma série...

    Pegar diversos dados científicos e construir uma linha de raciocínio baseada neles não caracteriza o texto como uma resenha