SóProvas


ID
2517586
Banca
Marinha
Órgão
ESCOLA NAVAL
Ano
2017
Provas
Disciplina
Português
Assuntos

                                       O dono do livro


      Li outro dia um fato real narrado pelo escritor moçambicano Mia Couto. Ele disse que certa vez chegou em casa no fim do dia, já havia anoitecido, quando um garoto humilde de 16 anos o esperava sentado no muro. O garoto estava com um dos braços para trás, o que perturbou o escritor, que imaginou que pudesse ser assaltado.

      Mas logo o menino mostrou o que tinha em mãos: um livro do próprio Mia Couto. Esse livro é seu? perguntou o menino. Sim, respondeu o escritor. Vim devolver. O garoto explicou que horas antes estava na rua quando viu uma moça com aquele livro nas mãos, cuja capa trazia a foto do autor.

      O garoto reconheceu Mia Couto pelas fotos que já havia visto em jornais. Então perguntou para a moça: Esse livro é do Mia Couto? Ela respondeu: É. E o garoto mais que ligeiro tirou o livro das mãos dela e correu para a casa do escritor para fazer a boa ação de devolver a obra ao verdadeiro dono.

      Uma história assim pode acontecer em qualquer país habitado por pessoas que ainda não estejam familiarizadas com os livros - aqui no Brasil, inclusive. De quem é o livro? A resposta não é a mesma de quando se pergunta: "Quem escreveu o livro?".

      O autor é quem escreve, mas o livro é de quem lê, e isso de uma forma muito mais abrangente do que o conceito de propriedade privada - comprei, é meu. O livro é de quem lê mesmo quando foi retirado de uma biblioteca, mesmo que seja emprestado, mesmo que tenha sido encontrado num banco de praça.

      O livro é de quem tem acesso às suas páginas e através delas consegue imaginar os personagens, os cenários, a voz e o jeito com que se movimentam. São do leitor as sensações provocadas, a tristeza, a euforia, o medo, o espanto, tudo o que é transmitido pelo autor, mas que reflete em quem lê de uma forma muito pessoal. É do leitor o prazer. É do leitor a identificação. É do leitor o aprendizado. É do leitor o livro.

      Dias atrás gravei um comercial de rádio em prol do Instituto Estadual do Livro em que falo aos leitores exatamente isso: os meus livros são os seus livros. E são, de fato. Não existe livro sem leitor. Não existe. É um objeto fantasma que não serve pra nada.

      Aquele garoto de Moçambique não vê assim. Para ele, o livro é de quem traz o nome estampado na capa, como se isso sinalizasse o direito de posse. Não tem ideia de como se dá o processo todo, possivelmente nunca entrou numa livraria, nem sabe o que é tiragem.

      Mas, em seu desengano, teve a gentileza de tentar colocar as coisas em seu devido lugar, mesmo que para isso tenha roubado o livro de uma garota sem perceber.

      Ela era a dona do livro. E deve ter ficado estupefata. Um fã do Mia Couto afanou seu exemplar. Não levou o celular, a carteira, só quis o livro. Um danado de um amante da literatura, deve ter pensado ela. Assim são as histórias escritas também pela vida, interpretadas a seu modo por cada dono. 

(Martha Medeiros. JORNAL ZERO HORA - 06/11/11./ Revista O Globo, 25 de novembro de 2012.)

No trecho “[...]um garoto humilde de 16 anos o esperava sentado no muro.”(1°§), é também correta, de acordo com a norma-padrão brasileira, a colocação enclítica do pronome o.


Assinale a opção em que também ocorre essa dupla possibilidade - próclise e ênclise - na colocação do pronome destacado.

Alternativas
Comentários
  •  a) Ana me emprestou este livro. - Correta.

     

     b) Não lhe emprestarei o livro de novo. - Errado. "Não" é uma palavra negativa. Palavras negativas são atrativas e exigem próclise. 

     

     c) Prefiro que me traga as publicações depois. - Errada. O "que" em análise é uma conjunção integrante. Todas as conjunções são palavras atrativas para próclise. 

     

     d) Sempre o vê sozinho na frente da biblioteca. - Errada. "Sempre" é advérbio. Todos os advérbios são palavras atrativas para próclise. 

     

     e) Em lhe chegando a vez, termino de contar a história de ontem. - Errada. Quando houve a construção "Em + verbo no gerúndio", o pronome deve exercer função de próclise. 

  • É facultativo podendo ser próximo ao sujeito ou verbo

  • Apenas corrigindo o Allan Silva, que transcreveu a alternativa A como consta na questão, outra possibilidade para a oração em questão é :

     

    Ana emprestou-me este livro.

     

    Bons estudos! AVANTE

  • Acrescentando no que o Allan Silva comentou...

    Em ambos os casos, tanto na frase do enunciado quanto na alternativa A, a colocação pronominal é facultativa (pode ocorrer próclise ou ênclise) porque há sujeito expresso.

  • Quando temos o sujeito antes do verbo como no caso da questão: ANA me emprestou este livro

    Pode ser próclise ou ênclise, você que escolhe.

  • Em + Gerúndio = Próclise

  • NAVAL, NAVAL NAVAL !!!!!!!

     

  • Gabarito A

    Todas as outras tem fatores obrigatórios de Próclise.

  • Facultativo

    Sujeito + Verbo

    Ex: Ele se feriu.

    Ou

    Ex: Ele feriu-se.

  • Ana me emprestou este livro

    Pode ser usada tanto a próclise quando a ênclise

    Não lhe emprestarei o livro de novo

    'Não' é advérbio é palavra atrativa, próclise obrigatória

    Prefiro que me traga as publicações depois

    Que é palavra atrativa.

    Sempre o vê sozinho na frente da biblioteca

    Advérbios são palavras atrativas

    Em lhe chagando a vez, termino de contar a história de ontem

    EM + GERÚNDIO = PRÓCLISE

  • Facultativo

    Sujeito + Verbo

    Ex: Ele se feriu.

    Ou

    Ex: Ele feriu-se.

    Copiei do colega abaixo...

    SeguEoFluxo...

  • advérbio de tempo "sempre" palavras negativas "não" pronome relativo "que" pronome demonstrativo "Em" todos esses "puxam" próclise para si.