SóProvas


ID
2535850
Banca
FUNCERN
Órgão
IF-RN
Ano
2017
Provas
Disciplina
Português
Assuntos

A língua continua sendo forte elemento de discriminação social, seja no próprio contexto escolar, seja em outros contextos sociais, como no acesso ao emprego e aos serviços públicos em geral (serviços de saúde, por exemplo).

Por isso, parece ser um grande equívoco a afirmação de que a variação linguística não deve ser matéria de ensino na escola básica. Assim, a questão crucial, para nós, é saber como tratá-la pedagogicamente, ou seja, como desenvolver uma pedagogia da variação linguística no sistema escolar de uma sociedade que ainda não reconheceu sua complexa cara linguística e, como resultado da profunda divisão socioeconômica que caracterizou historicamente sua formação (uma sociedade que foi, por trezentos anos, escravocrata), ainda discrimina fortemente pela língua os grupos socioeconômicos que recebem as menores parcelas da renda nacional.

A maioria dos alunos que chegam à escola pública é oriunda precisamente desses grupos socioeconômicos. E há, entre nossas crenças pedagógicas, um pressuposto de que cabe à escola pública contribuir, pela oferta de educação de qualidade, para favorecer, mesmo que indiretamente, uma melhor redistribuição da renda nacional.

Obviamente, não se pode compreender a educação apenas como vetor de criação de valor econômico. É preciso vê-la principalmente como uma experiência sociocognitiva que dá acesso amplo ao universo das práticas socioculturais em toda a sua diversidade, universo este em que as linguagens (e a linguagem verbal em especial) têm papel constitutivo.

Boa parte de uma educação de qualidade tem a ver precisamente com o ensino de língua – um ensino que garanta o domínio das práticas socioculturais de leitura, escrita e fala nos espaços públicos. E esse domínio inclui o das variedades linguísticas historicamente identificadas como as mais próprias a essas práticas, ou seja, o conjunto de variedades escritas e faladas constitutivas da chamada norma culta (o que pressupõe, inclusive, uma ampla discussão sobre o próprio conceito de norma culta e suas efetivas características no Brasil contemporâneo).

Parece claro hoje que o domínio dessas variedades caminha junto com o domínio das respectivas práticas socioculturais. Não se trata de desenvolver uma pedagogia que se concentre nas formas léxico-gramaticais típicas dessas variedades, mas de uma pedagogia que integre o domínio das variedades ao domínio das práticas socioculturais de leitura, escrita e fala no espaço público. Sabemos fazer isso concretamente? Já conseguimos ir além das asserções de generalidades? Se não, que problemas têm de ser enfrentados e que caminhos concretos seriam viáveis para a construção de uma pedagogia da variedade linguística consequente com as crenças que acabamos de expor?

Parece claro também, por outro lado, que não se trata apenas de desenvolver uma pedagogia que garanta o domínio das práticas socioculturais e das respectivas variedades linguísticas. Considerando o grau de rejeição social das variedades ditas populares, parece que o que nos desafia é a construção de toda uma cultura escolar aberta à crítica da discriminação pela língua e preparada para combatê-la, o que pressupõe uma adequada compreensão da heterogeneidade linguística do país, sua história social e suas características atuais. Essa compreensão deve alcançar, em primeiro lugar, os próprios educadores e, em seguida, os educandos.

Fonte: FARACO, C. A; ZILLES, A. M. S. (Org.). Pedagogia da variação linguística: língua, diversidade e ensino. São Paulo: Parábola Editorial, 2015. p. 8-9.

O excerto organiza-se a partir de uma planificação predominantemente

Alternativas
Comentários
  • Dssertação argumentativa

    este tipo de texto muito  frequente em provas de concursos ! 

    apresenta posicionamentos pessoais e exposições de ideias apresentadas de forma lógica.

    com razoável grau de objetividade ,clareza, respeito pelo registro formal da língua e coerência , seu intuito é  defesa de um ponto de vista que convença o interlocutor (leitor ou ouvinte).

    ideia principal do texto  (tese); argumentos (estratégias argumentativas :causa efeito, dados estatisticos, testemunho de autoridade,citações ,,confronto ,comparaçãofato exemploenumeração)

  • Na dissertação-argumentativa predomina a apresentação de um raciocínio, a defesa de ideias, pontos de vistaou até mesmo questionamentos sobre um determinado assunto.

  • Argumentativa, pois o autor está expondo ideias para de fender seu ponto de vista

  • a) Errada: Injuntivo tem como função a orientação para executar alguma ação ou utilizar algum objeto que precise de um conhecimento técnico. Ex.: tutoriais, manuais.

     

    b) Correta: Argumentar é convencer e persuadir, fazer que o outro mude seu pensamento e ações. Para se fazer isso, precisa de uma tese, acreditar nela e convencer o leitor a partir da transformação de informação em conhecimento.

     

    c) Errada: Expositivo é o momento de expor, dar mais conhecimentos sobre determinado assunto. Busca-se fazer um apanhado das informações sobre um tema para que o leitor possa complementar seus conhecimentos, esclarecendo a verdade sobre o assunto ou discutindo um possível problema.

     

    d) Errada: Descritivo consiste em traduzir através de palavras as características físicas, materiais ou filosóficas dos seres, coisas ou ações.

  • Letra B.

    Deus é Soberano !!!

  • O texto é argumentativo pois:

    Tem linguagem subjetiva - varias interpretações

    Tem marcas de pessoalidade - mascas pessoais

    Tem parcialidade posicionamento

    E o autor emite uma opinião.