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ID
2609740
Banca
FCC
Órgão
DPE-AM
Ano
2018
Provas
Disciplina
Serviço Social
Assuntos

O Serviço Social brasileiro nasceu no âmbito da contradição capital/trabalho, no momento que emerge a sociedade industrial, na década de 1930, e sua formação acadêmica se remete a esse contexto. Nesse sentido

Alternativas
Comentários
  • Gab.  E

     

    Cardoso (2016, p.435) afirma que o Serviço Social brasileiro nascia no âmbito da contradição capital/trabalho,ou melhor, da necessidade de o Estado e a burguesia industrial em criar mecanismos de apaziguamento e atenuação das expressões dessa relação.

     

    "Podemos dizer, portanto, que sua institucionalização é uma consequência da legitimação realizada pelas classes dominantes e impulsionada pela Igreja e que sua formação profissional passa a ser responsabilidade desta, o que lhe confere um caráter conservador e humanista. (Cardoso, 2013, p. 114)"

     

    Ref.

    CARDOSO, P. F. G. . 80 anos de formação em Serviço Social: uma trajetória de ruptura com o conservadorismo. Serviço Social & Sociedade , v. 1, p. 430-455, 2016.

     

  • PENSO QUE A QUESTÃO TENHA MAIS DE UMA RESPOSTA CERTA, TENDO EM VISTA FRAGMENTO RETIRADO DO MESMO TEXTO, IMEDIATAMENTE ANTERIOR AO QUE BANCA CONSIDEROU CORRETO.

     

    O Serviço Social brasileiro nascia no âmbito da contradição capital/trabalho, ou melhor, da necessidade de o Estado e a burguesia industrial em criar mecanismos de apaziguamento e atenuação das expressões dessa relação.
     

    Ref. CARDOSO, P. F. G. . 80 anos de formação em Serviço Social: uma trajetória de ruptura com o conservadorismo. Serviço Social & Sociedade , v. 1, p. 430-455, 2016.

     

     

     

  • Como a maioria, eu marquei letra d, justamente pelo que diz Iamamoto: 

     

     aceita-se, como senso comum, que a profissionalização do Serviço Social surge de uma tecnificação da filantropia. Inclusive é esta a tônica do discurso da maioria dos pioneiros e da literatura especializada - mesmo na época do movimento de reconceituação -, que sustenta que o Serviço Social se torna profissão ao se atribuir uma base técnicocientífica de atividades de ajuda, à filantropia. Esta é uma visão de dentro e por dentro das fronteiras do Serviço Social, como se ele fosse fruto de uma evolução interna e autônoma das formas de proteção e de apoio social. Todavia, a constituição e institucionalização do Serviço Social como profissão na sociedade depende, ao contrário, de uma progressiva ação do Estado na regulação da vida social, quando passa a administrar e gerir o conflito de classes, o que pressupõe,na sociedade brasileira, a relação capital/trabalho constituída por meio do processo de industrialização e urbanização. É quando o Estado se "amplia", nos termos de Gramsci, passando a tratar a questão social não só pela coerção, mas buscando um consenso na sociedade, que são criadas as bases históricas da nossa demanda profissional.  (p.23,Grifo meu).

     

    Mas a FCC costuma ser muito sagaz e inteligente em suas questões e ao reler com mais atenção percebi que a mesma não quer saber da institucionalização do SSO enquanto profissão, mas sim da formação acadêmica do SSO naquele contexto. Assim, a alternativa seria a letra e, pois a forma de pensar da profissão nesse contexto era intensamente influenciada pela igreja, inclusive, muitas escolas foram criadas vinculadas a mesma.

     

    O Serviço Social no Brasil nasce e se desenvolve nos marcos do pensamento conservador, como um estilo de pensar e de agir na
    sociedade capitalista, no bojo de um movimento reformista conservador. Articula elementos cognitivos e valorativos diversos em um arranjo
    teórico-doutrinário
    particular, presidido pela doutrina social da Igreja e os desdobramentos do neotomismo, pelo moderno conservadorismo europeu e a sociologia funcionalista, especialmente em suas versões mais empiricistas norte-americanas. Esse arranjo teórico doutrinário, matizado em sua evolução por influências específicas, é o fio que percorre toda a trajetória do conservadorismo profissional, estreitamente imbricada ao bloco sóciohistórico que dá sustentação política ao Serviço Social na sociedade brasileira. Esse fio conservador coesiona tanto as bases de interpretação da sociedade, o campo dos valores norteadores da ação profissional, assim como o aperfeiçoamento de seus procedimentos operativos. Permite à profissão ir evoluindo e atualizando seus fundamentos científicos e técnico-interventivos sem questionamentos que atinjam os pilares da ordem burguesa (p.219, grifo meu)

     

     

     

    Obs: mas ela dá abertura para entrar com recurso pela sua ambiguidade, sim! 

     

     

     

    Fonte: IAMAMOTO, M.V.Serviço Social na contemporaneidade. ed.15ª. São Paulo, Cortez, 2008. 

  • Gente, por vezes, é impossivel saber qual autor a banca quer: Cardoso ou Iamamoto?? 

    Fui de Iamamoto "D".

     

    =(

  • Realmente, as alternativas D e E estão corretas, citadas do mesmo texto, de um parágrafo seguido do outro, se alguém recorreu, não consigo imaginar qual foi a justificativa para não anularem. 

  • Nos anos 30, o Estado assume a regulação das tensões entre as classes sociais mediante um conjunto de iniciativas: a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), o Salário Mínimo e outras medidas de cunho controlador, assistencial e paternalista. Ao reconhecer a legitimidade da questão social no âmbito das relações entre capital e trabalho, o governo Vargas buscou enquadrá-la juridicamente, visando à desmobilização da classe operária e a regulação das tensões entre as classes sociais. Como mostra Ianni (1990), o Estado brasileiro transformou a questão social em problema de administração, desenvolvendo políticas e agências de poder estatal nos mais diversos setores da vida nacional.  Terá particular importância, na estruturação do perfil da emergente profissão no país, a Igreja Católica, responsável pelo ideário, pelos conteúdos e pelo processo de formação dos primeiros assistentes sociais brasileiros.

    Em 1932, é criado o Centro de Estudos e Ação Social (CEAS), entidade que seria fundadora e mantenedora da primeira Escola de Serviço Social do país. O Centro surge após um curso intensivo de “formação social para moças”, organizado pelas Cônegas de Santo Agostinho de 1o de abril a 15 de maio de 1932. A direção desse curso coube à Melle. Adèle de Loneux, professora da Escola Católica de Serviço Social da Bélgica. Com uma programação teórico-prática (que incluía visitas a instituições beneficentes), o curso encontrou grande aceitação entre jovens católicas, que buscaram criar uma associação de ação social. Foi esse o início do Centro, ainda sob a orientação de Melle. De Loneux. As reuniões iniciais do grupo foram acompanhadas pela Arquidiocese de São Paulo, por intermédio do Monsenhor Gastão Liberal Pinto. Em 16 de setembro, é eleita a primeira diretoria do Centro tendo Dona Odila Cintra Ferreira como presidente. Como se observa, o CEAS é gestado em plena revolução paulista. Era mantido com mensalidades das sócias e tinha como objetivos: difundir a doutrina e a ação social da Igreja.

  • Errei essa questão, mas, após reler várias vezes as alternativas A e D, penso que encontrei o erro da alternativa D.

    Observe a alternativa:

    "a profissão surge da necessidade do Estado e da burguesia industrial criar mecanismos de apaziguamento e atenuação das relações dos trabalhadores."

    Observe o texto de onde ela foi tirada:

    "O Serviço Social brasileiro nascia no âmbito da contradição capital/trabalho, ou melhor, da necessidade de o Estado e a burguesia industrial em criar mecanismos de apaziguamento e atenuação das expressões dessa relação.

    Conclusão:

    O Serviço Social brasileiro surge da necessidade do Estado e da burguesia industrial criar mecanismos de apaziguamento e atenuação das expressões da relação contraditória capital/trabalho, e não das relações dos trabalhadores (entre eles).