SóProvas


ID
2609974
Banca
PR-4 UFRJ
Órgão
UFRJ
Ano
2018
Provas
Disciplina
Português
Assuntos

                                     TEXTO 1


As Caravanas

Chico Buarque | 2017


É um dia de real grandeza, tudo azul

Um mar turqueza à la Istambul enchendo os olhos

Um sol de torrar os miolos

Quando pinta em Copacabana


A caravana do Arará1 — do Caxangá, da Chatuba

A caravana do Irajá, o comboio da Penha

Não há barreira que retenha esses estranhos

Suburbanos tipo muçulmanos do Jacarezinho

A caminho do Jardim de Alá — é o bicho,

é o buchicho é a charanga


Diz que malocam seus facões e adagas

Em sungas estufadas e calções disformes

Diz que eles têm picas enormes

E seus sacos são granadas

Lá das quebradas da Maré


Com negros torsos nus deixam em polvorosa

A gente ordeira e virtuosa que apela

Pra polícia despachar de volta

O populacho pra favela

Ou pra Benguela, ou pra Guiné


Sol, a culpa deve ser do sol

Que bate na moleira, o sol

Que estoura as veias, o suor

Que embaça os olhos e a razão


E essa zoeira dentro da prisão

Crioulos empilhados no porão

De caravelas no alto mar

Tem que bater, tem que matar, engrossa a gritaria


Filha do medo, a raiva é mãe da covardia

Ou doido sou eu que escuto vozes

Não há gente tão insana

Nem caravana do Arará

1 Parque Arará é uma comunidade popular localizada no bairro carioca de Benfica. 

Considere o trecho a seguir:


Ou doido sou eu que escuto vozes

Não há gente tão insana

Nem caravana do Arará


Nesses versos finais da canção As Caravanas, o admirado compositor popular:

Alternativas
Comentários
  •  Letra c) reafirma, ironicamente, sua crítica ao caráter doentio do preconceito e das desigualdades sociais.

  • Por exclusão só poderia ser essa. 

  • GABARITO LETRA C

    Nos versos abaixo é possivel notar a questão do preconceito :

    Com negros torsos nus deixam em polvorosa

    A gente ordeira e virtuosa que apela

    Pra polícia despachar de volta

    O populacho pra favela

    Ou pra Benguela, ou pra Guiné