SóProvas


ID
2686255
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de Barretos - SP
Ano
2018
Provas
Disciplina
Português
Assuntos

      Recentemente, acabei me detendo num debate sobre o conceito de reputação. Antes a reputação era apenas boa ou ruim e, diante do risco de ter uma má reputação, muitos tentavam resgatá-la com o suicídio ou com crimes de honra. Naturalmente, todos desejavam ter uma boa reputação.

      Mas há muito tempo o conceito de reputação deu lugar ao de notoriedade.

      O que conta é ser “reconhecido” pelos próprios semelhantes, mas não no sentido do reconhecimento como estima ou prêmio, mas naquele mais banal que faz com que alguém possa dizer ao vê-lo na rua: “Olhe, é ele mesmo!”. O valor predominante é aparecer e naturalmente o meio mais seguro é a TV. E não é necessário ser um renomado economista ou um médico agraciado com o prêmio Nobel, basta confessar num programa lacrimogêneo que foi traído pelo cônjuge.

      Assim, gradualmente, foi aceita a ideia de que para aparecer de modo constante e evidente era preciso fazer coisas que antigamente só garantiam uma péssima reputação. E não é que as pessoas não almejem uma boa reputação, mas é muito difícil conquistá-la, é preciso protagonizar um ato heroico, ganhar um Nobel, e estas não são coisas ao alcance de qualquer um. Mais fácil atrair interesse, melhor ainda se for mórbido, por ter ido para a cama por dinheiro com uma pessoa famosa ou por ter sido acusado de peculato. Passaram-se décadas desde que alguém teve a vida destruída por ter sido fotografado algemado.

      O tema da perda da vergonha está presente em várias reflexões sobre os costumes contemporâneos.

      Ora, este frenesi de aparecer (e a notoriedade a qualquer custo, embora o preço seja algo que antigamente seria a marca da vergonha) nasce da perda da vergonha ou perde-se o senso de vergonha porque o valor dominante é aparecer seja como for, ainda que o preço seja cobrir-se de vergonha? Sou mais inclinado para a última hipótese. Ser visto, ser objeto de discurso é um valor tão dominante que as pessoas estão prontas a renunciar àquilo que outrora se chamava pudor (ou sentimento zeloso da própria privacidade).

      Também é sinal de falta de vergonha falar aos berros ao celular, obrigando todo mundo a tomar conhecimento das próprias questões particulares, que antigamente eram sussurradas ao ouvido. Não é que a pessoa não perceba que os outros estão ouvindo, é que inconscientemente ela quer que a ouçam, mesmo que suas histórias privadas sejam irrelevantes.

      Li que não sei qual movimento eclesiástico quer retornar à confissão pública. Claro, que graça pode ter contar as pró- prias vergonhas apenas para o confessor?

(Umberto Eco. Por que só a Virgem Maria? Pape satàn aleppe: Crônicas de uma sociedade líquida. Editora Record, Rio de Janeiro: 2017. Adaptado)

•  E não é que as pessoas não almejem uma boa reputação, mas é muito difícil conquistá-la, é preciso protagonizar um ato heroico, ganhar um Nobel, e estas não são coisas ao alcance de qualquer um.


Assinale a alternativa que substitui corretamente as expressões destacadas nos trechos “… não almejem uma boa reputação… / … é preciso protagonizar um ato heroico…”, de acordo com a norma-padrão de emprego e de colocação de pronomes.

Alternativas
Comentários
  • Palavra negativa atrai pronome!

    Alternativa D

  • não a almejem ----------> nao (palavra negativa) = atrativa

    é preciso protagonizá-lo -------- > verbos terminados em r,s, ou z alteram-se para lo, la , lo e las

    GABARITO: D

  • Gab D

     

    Quel almeja, almeja algo (VTD), então não se usa o pronome lhe (que é para VTI); assim como a palavra negativa atrai o pronome.

    Resposta: → não a almejem.

     

    Quem protagoniza, protagoniza algo (VTD), logo também não se usa o pronome lhe (usado em VTI). Ademais, verbo no infinitivo pessoal ocorre o uso da ênclise.

    Resposta: → é preciso protagonizá-lo.

     

     

    Abraço e bons estudos.

  • Amaury, é preciso tomar muito cuidado com a sua colocação. "Atrativo" atrai , mas é preciso saber qual é o pronome correto para responder esta questão: o,a, os,as, lo, la, los, las, no, nas,me, te, se, lhe,lhes, etc. Além disso, são vários outros fatores atrativos de próclise como por exemplo: pronomes, advérbios, conjunções subordinativas. 

    Espero ter ajudado.

  • Gabarito D

  • 1º verbo Almejar NESTE CASO  foi VTD então temos um OD(o,a,os,as) usamos o pronome 'a';

    2º Temos o NÂO como palavra negativa atrativa ocorrendo a próclise;

    3º verbo Protagonizar é um VTD mesmo caso do primeiro ponto(neste usamos o pronome 'o');

    4º Em verbos terminados com r, s ou z corta-se estas consoantes e adiciona o 'L' junto ao pronome(lo,la,los,las)claro atentando na acentuação.

    GAB: D.

  • Palavra negativa é palavra atrativa -> eliminiamos A e E.
    lhe - utilizado para objeto indireto -> eliminamos a C
    protagoniza(r)   -> Se o verbo terminar em R, S ou Z, eliminam-se essas consoantes e empregam-se as formas eufônicas, LO, LA, LOS, LAS.

    GABARITO -> [D]

  • PRÓCLISE  matou a terminação em M ali :/

  • Palavra negativa atrai pronome 

    Alternativa

     D

  • GABARITO: D

  • ênclise dos pronomes “o” e “a”.

    a) Se a palavra terminar em “R , “S” ou “Z”: retiram-se essas

    letras e

    empregam-se as formas lo, la, los ou las.

    Ex.: O meliante pretendia furtar a carteira / O meliante

    pretendia furtá-la.

    Ex.: O menino quis o brinquedo ontem. / O menino qui-lo ontem.

    Ex.: Faz essa cara mais uma vez. / Fá-la mais uma vez.

    b) Se a palavra terminar em “ÃO”, “ÕE” ou “M” (sons nasais):

    empregam-se as formas no, na, nos ou nas.

    Ex.: Falem a verdade / Falem-na.

    Ex.: Dão um conselho / Dão-no.

    Ex.: Põe a mão aqui / Põe-na aqui.

    aulas do prof. Pablo Jamilk

  • Perguntou para o verbo (o que? quem?) é objeto direto = o, os,a, as.

  • o   Gabarito: D.

    .

    "Uma boa reputação" é objeto direto. O verbo é terminado em EM, o que enseja o uso do pronome "a". Há o fator de próclise da palavra negativa "não", resultando em: "não a almejem".

    "Um ato heroico" é objeto direto. O verbo é terminado em R, ensejando o uso do pronome "lo". Não vemos fatores de próclise ou mesóclise. O correto fica: "é preciso protagonizá-lo".