SóProvas


ID
2759941
Banca
FCC
Órgão
Prefeitura de São Luís - MA
Ano
2018
Provas
Disciplina
Português
Assuntos

Atenção: A questão refere-se ao texto que segue.


    A vida privada não é uma realidade natural, dada desde a origem dos tempos: é uma realidade histórica. A história da vida privada é, em primeiro lugar, a história de sua definição: como evoluiu sua distinção na sociedade francesa do século XX? Como o domínio da vida privada variou em seu conteúdo e abrangência?

    A questão é tanto mais importante na medida em que não é certo que seu contorno tenha o mesmo sentido em todos os meios sociais. Para a burguesia da Belle Époque1, não há nenhuma dúvida: o “muro da vida privada” separa claramente os domínios. Por trás desse muro protetor, a vida privada e a família coincidem com bastante exatidão. Esse domínio abrange as fortunas, a saúde, os costumes, a religião: se os pais que querem casar os filhos consultam o notário ou o pároco para “tomar informações” sobre a família de um eventual pretendente, é porque a família oculta cuidadosamente ao público o tio fracassado, o irmão de costumes dissolutos e o montante das rendas. E Jaurès2, respondendo a um deputado socialista que lhe censurava a comunhão solene da filha: “Meu caro colega, você sem dúvida faz o que quer de sua mulher, eu não”, marcava com grande precisão a fronteira entre sua existência de político e sua vida privada.

    Essa separação era organizada por uma densa teia de prescrições. A baronesa Staffe3, por exemplo, cita: “Quanto menos relações mantemos com a vizinhança, mais merecemos a estima e consideração dos que nos cercam”, “não devemos falar de assuntos íntimos com os parentes ou amigos que viajam conosco na presença de desconhecidos”. O apartamento ou a casa burguesa, aliás, se caracterizam por uma nítida diferença entre as salas para as visitas e os demais aposentos. O lugar da família propriamente dita não é o salão: as crianças não entram no aposento quando há visitas e, como explica a baronesa, as fotos de família ficariam deslocadas nesse recinto. Ademais, as salas de visitas não são abertas a todos. Se toda dama da boa sociedade tem seu “dia” de receber − em 1907, são 178 em Nevers4 −, a visita à esposa de um figurão supõe uma apresentação prévia. As salas de recepção estabelecem, portanto, um espaço de transição para a vida privada propriamente dita.


(Adaptado de: PROST, Antoine. Fronteiras e espaços do privado. In: PROST, Antoine; VINCENT, Gérard (orgs.). História da vida privada 5: Da Primeira Guerra a nossos dias. Trad. Denise Bottmann. São Paulo: Companhia das Letras, 2009, p. 14 e 15.)

Obs.: 1 Período de cultura cosmopolita na história da Europa que vai de fins do século XIX até a eclosão da Primeira Guerra Mundial.

2 Jean Léon Jaurès (1859-1914): político socialista francês.

3 Pseudônimo de Blanche-Augustine-Angèle Soyer (1843-1911), autora francesa, célebre em seu tempo pela obra Uso do mundo, sobre como saber viver na sociedade moderna.

4 Região da França, ao sul-sudeste de Paris.

Formulação alternativa à do segmento transcrito que não prejudica o sentido original é:

Alternativas
Comentários
  • Gabarito: D

    Questão digna de anulação, pois a palavra "impreterível" não é sinônimo de "prévia", como sugerido na alternativa dada como gabarito.

  • avaliação impreterível = uma avaliação que necessariamente precisa ser feita. É indispensável. (de acordo com o Aurélio).

    Achei que a letra A e a letra E estão semanticamente  mais relacionadas, sendo que a letra A estaria mais certa. 

    Depois de consultar o Aurélio, percebe-se que a D também possui relação semântica com o texto, pois os figurões só mantêm relações com pessoas da camada social deles e para alguém os visitar é necessário avaliar primeiro quem é este alguém.

    Considerando um cenário de prova (tempo, pressão, etc.) dificilmente marcaria esta opção, pois achei s opção A semânticamente mais verdadeira (e também não teria o google para me ajudar). Só não descobri qual é a casca de banana presente.

     

  • Não concordo definitivamente com esse gabarito. Assinalei a letra A (fiquei em dúvida entre a A e a E). Agora a Letra D está equivocada, do meu ponto de vista, uma vez que o trecho "supõe uma apresentação prévia" - situação não categórica, não impositiva, mas sim sugestiva - tem seu sentido original prejudicado pela expressão "tem de submeter-se a uma avaliação impreterível" - situação obrigatória, sem espaço de escolha. 

  • A questão deveria ser anulada, pois a palavra "cônjuge" se refere a homem e mulher. Diz-se "o cônjuge" para ambos os sexos. A palavra "pessoa", da mesma forma, se refere aos dois sexos. Portanto, na sugestão da banca ("quem queira visitar o cônjuge de uma pessoa de grande influência social tem de submeter-se a uma avaliação impreterível"), eu poderia interpretar que "o cônjuge" se refere a um homem e que "uma pessoa" se refere a uma mulher, o que prejudicaria o sentido original do texto. 

  • Não marcaria nenhuma!

    Desde quando apresentação significa avaliação?!?!

  • FCC botou fud3n#$ nessas questões de português.

  • Eu anularia toda essa prova de português!

     

    Nossa!

  • Quase impossível acatar a D como correta, pois o que é impreterível é indispensável, que não pode deixar de ser feito ou executado, ao passo que o que é prévio é anterior. Não são sinônimos. Ainda mais porque a a apresentação prévia é apenas suposta: "(...) a visita à esposa de um figurão supõe uma apresentação prévia".

    .

    Além disso, a assertiva D quer tratar como sinônimos apresentação e avaliação. Uma apresentação de pessoas, para se conhecerem, não envolve necessariamente uma avaliação. Pode ser que role, mas não é uma obrigatoriedade. As pessoas podem apenas se conhecer e fim: "Oi, tudo bem? Isso e aquilo, blá, blá, blá. Tchau". Nessa apresentação não houve avaliação.

    .

    Eu fiquei com a letra A.

    .

    Vamos esperar o gaba definitivo pra ver o que ocorre. Será divulgado dia 26/09/2018:

    .

    http://www.concursosfcc.com.br/concursos/pmsla117/index.html

  • Esse é o pior tipo de questão que a FCC elabora. A maioria que acerta provavelmente acerta no chute, porque nenhuma das alternativas normalmente se adequa perfeitamente ao sentido original da expressão no texto. Prefiro 1000x uma questão de redação clara/correta.
  • Hoje aprendi com a FCC que avaliação = apresentação. Lamentável uma questão dessa...

  • Interpretei da mesma maneira que a Nayara Almeida.

     

    AVANTE SEMPRE!

  • deixei de fazer essa prova depois dessa questao 2

  • Não entendi o gabarito. 

    Impreterível: 

    1. Não preterível; indispensável.

    2. Que não pode deixar de ser ou de se fazer.

    Prévio/a: 

    1. Feito ou dito com antecipação, antes de outra coisa. = ANTERIOR, PRECEDENTE ≠ POSTERIOR, SEGUINTE, ULTERIOR

    2. Que deve preceder. = INICIAL, INTRODUTÓRIO, PREAMBULAR, PRELIMINAR, PREPARATIVO, PREPARATÓRIO ≠ FINAL

    A fonte é o dicionário Priberam. https://www.priberam.pt/dlpo/ e nem neste link as palavras aparecem como sinônimos: https://www.sinonimos.com.br/impreterivel/

     

  • Difícil essa questão. Eu errei, assinalando a letra C. Fiquei entre a letra C e a letra D. Errei porque não sabia, e acabo de aprender aqui, numa bateria de exercícios, que a palavra CÔNJUGE, não varia. Serve para o masculino e o feminino. 

    Cônjuge tem sua origem na palavra em latim conjux e é um substantivo sobrecomum masculino, ou seja, apresenta um só gênero para o masculino e ofeminino. Assim, o marido é o cônjuge do sexo masculino; a mulher é o cônjuge do sexo feminino.

  • Fiquei com a alternativa C. Facultado no sentido de AUTORIZADO. "Autorizada a entrada". 

    Alguém poderia me dizer o erro da alternativa C?

    Obrigada.

  • KKKKKK

    Desde quando impreterível (inadiável, urgente) tem o mesmo sentido que prévio?. 

     

    Que prova bosta. 

  • Que prova bisonha, putz. 

  • essa foi no "chutômetro"

  • Aguardando o gabarito definitivo.

  • pelo o visto não foi só eu que marcou a (a)

     

    Em 31/08/2018, às 19:43:20, você respondeu a opção A. Errada!

  • Aguardando o gabarito oficial. Não é possível que a banca mantenha a alternativa D como correta, não há defesa para isso.

  • deixei de fazer essa prova depois dessa questao 3

     

  •  

    Assim analisei a questão :

    A)  Não há sentido com a primeira frase a palavra discretamente 

    B)  Na primeira frase não faz  referencia com a plavra explicita da segunda frase 

    c) ademais - advérbio que tende a acrescentar , na segunda frase a plavra relevente tem significado de importância 

    E) a mais errada - não tem logica vida privaa em sentido exato - mas no texto ressalta os costumes e interesse de uma classe com referencia a sua vida privada . 

  • Prova de português elaborada pelo capiroto bêbado.

  • Pessoal,

    Por exclusão, fiquei entre a alternativa A e a D. 

    Depois de MUITA AVALIAÇÃO, cheguei a conclusão de que não pode ser a alternativa a) porque existe uma extrapolação. O texto em nenhum momento aponta que o pretendente é para uma jovem. Não há nenhuma referência a idade... apenas de que os pais estão checando informações sobre pretendentes para os filhos. Além do mais, a alternativa afirma que o pretende seria para UMA jovem, enquanto no texto, seria para FILHOS, ou seja, sem especificação de gênero.

  • Formulação alternativa à do segmento transcrito que não prejudica o sentido original.

    Crase antes do "DO"?

    Não merece respeito.

  • Questão difícil :(

  • Chocada com as provas de português da FCC, são provas com niveis totalmente diferentes umas das outras. A prova de analista de tribunais é até resolvível, agora essa de auditor e de auditor do TCE RS foram de morrer.

  • Comentei essa questão em agosto de 2018 e nada do professor do QC se manifestar. Estamos de olho QC!!! Aqui ninguém quer jogar dinheiro no lixo.

  • Difícil de acreditar... supõe = tem de submeter-se ???? Alguém consegue explicar isso?

  • E a galera ainda reclama da CESPE...


  • Apresentação agora é sinônimo de avaliação?

  • NA MORAL. É INADMISSÍVEL VC PAGAR A TAXA DO CONCURSO P TE ENTREGAREM UMA PROVA SEM PÉ NEM CABEÇA, SEM LÓGICA, .

    PARECE QUE ALGUEM ESTAVA AFUNDADO NA COCA QUANDO FEZ ESSA PORCARIA.

    MINHA ESPOSA É FORMADA E FICOU ABISMADA QUANDO LEVEI P ELA ESSAS QUESTÕES.

  • ( a ) para “tomar informações” sobre a família de um eventual pretendente (2o parágrafo) / para discretamente examinar a vida familiar do então candidato à mão da jovem em idade de casar.

    Comentário pessoal:

    Não acho que a letra A poderia ser o gabarito, visto que, quando é dito "tomar informações", não necessariamente é dito que isso é demonstrado/feito de forma "discreta", como supõe a reescrita da passagem. Por isso, penso eu, que estaria incorreta tal afirmação.

    ( d ) a visita à esposa de um figurão supõe uma apresentação prévia (3o parágrafo) / quem queira visitar o cônjuge de uma pessoa de grande influência social tem de submeter-se a uma avaliação impreterível.

    Comentário pessoal:

    De fato é o gabarito,visto que "figurão" realmente, no contexto utilizado, é uma pessoa de grande influência. Já quanto ao verbo "supõe", observa-se, no contexto, que não está esse verbo sendo empregado no sentido de HIPÓTESE, mas sim em uma das ditas "prescrições", ou seja, tem que se submeter a uma avaliação do tal "figurão" antes.

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    Gabarito: LETRA D.

  • Discordo do gabarito, pois o texto claramente expressa a esposa de um figurão. E, por O CÔNJUGE (substantivo sobrecomum) poder ser referência tanto a uma mulher quanto a um homem, essa paráfrase deixa em aberto se se trata de uma esposa casada com um homem de grande influência ou se um marido casado com uma mulher de grande influência. Por isso eu não consigo ver o gabarito como correto.

    Ficando entre A e D e vendo erro em ambas, acabei optando pela letra A e errando a questão. Vida que segue.

  • A FCC está crazy

  • onde a FCC está com a cabeça de fazer uma prova tão mal elaborada como essa.. Meus deus, desanimador!

  • Se essa questão não foi anulada, para o ônibus que eu quero descer.

  • Sobre a substituição entre "impreterível" e "prévia". Não são sinônimos. Mas creio que a substituição se justifica pelo "supõe uma apresentação prévia". Ou seja, se "SUPÕE uma avaliação prévia", isso é indispensável; é "impreterível".