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ID
2800504
Banca
FCC
Órgão
Câmara Legislativa do Distrito Federal
Ano
2018
Provas
Disciplina
Direitos Humanos
Assuntos

Dentre as teorias que se propõem a lidar com as contradições entre o caráter universal dos direitos humanos e as exigências de respeito ao multiculturalismo, é correto mencionar a

Alternativas
Comentários
  • Os adeptos da corrente universalista têm defendido que o relativismo cultural seria uma mera maquilagem para violação de direitos humanos e garantias fundamentais. Propostas tem surgido no intuito de conciliar esse embate, como a adoção do gradualismo ou do multiculturalismo.
                   

                     O gradualismo orienta que deva haver adesão total dos Estados aos tratados de direitos humanos mais importantes e o incentivo à criação e manutenção de sistemas regionais de direitos humanos, possibilitando a paulatina inserção de valores aceitos de forma unânime e a afirmação de normas que tutelem valores mais válidos a universos culturais específicos, fazendo do relativismo, neste caso, uma forma de locupletamento do sistema de proteção internacional dos direitos humanos.

                  No multiculturalismo observamos uma proposta de superação do embate universalismo x relativismo, desenvolvida por Boaventura de Sousa Santos, por meio de uma ferramenta de globalização contra hegemônica. Ou seja, é uma forma de globalizar democraticamente, e de forma não imperialista, os direitos humanos. Esta última propõe um diálogo intercultural de direitos humanos, obtendo uma concepção mestiça de direitos humanos. Em vez de recorrer a falso universalismo, é construído um com todas as vozes por meio do diálogo.

    A hermenêutica diatópica é a adequada à concepção multicultural de direitos humanos. Ela diz respeito ao esforço intelectual de obter uma compreensão da noção de dignidade humana, por meio da interpretação dialógica. Amplia também ao máximo a noção de incompletude mútua através de um diálogo que se desenrola, por assim dizer, com um pé em uma cultura e outro, noutra.

    No caso Bámaca Velásquez vs. Guatemala, o juiz Cançado Trindade criticou o relativismo cultural e ressaltou a importância do multiculturalismo.

  • A chamada "hermenêutica diatópica'' diz respeito à proposta de superação da polêmica entre o universalismo e o relativismo, defendida por Boaventura de Sousa Santos, sob o fundamento de que os referenciais de uma cultura "são tão incompletos quanto a própria cultura a que pertencem", ou seja, no reconhecimento das limitações dos valores dos universos culturais. O objetivo dessa hermenêutica pode-se dizer, em síntese, é estabelecer um "diálogo intercultural".



    PORTELA, Paulo Henrique Gonçalves. Direito Internacional Público e Privado: incluindo Noções de Direitos Humanos e de Direito Comunitário. 9ª ed. rev. e atual. e ampl. – Salvador: JusPODIVM, 2017, p. 847.

  • Diatópica: 02 topoi. Compreender os direitos humanos com os olhos na cultura do outro. Um pé aqui, outro lá.

  • Há duas teorias para superar a dicotomia universalismo x relativismo: Hermenêutica diatópica de Boa Ventura Santos e o Universalismo de chegada ou confluência (e não racionalidade intercultural como está na alternativa) de Herrera Flores.

    A única resposta compatível é a referente a Hermenêutica diatópica de Boa Ventura Santos.

    Hermenêutica diatópica: ideia de multiculturalismo e dos valores de cada cultura que devem ser respeitados; traz a ideia de territorialidade, localização geográfica, à medida que determinado direito em alguns Estados poderá ser mais ou menos respeitados.

    Universalismo de chegada ou confluência: não nega a universalidade dos Direitos Humanos, porém esse universalismo não pode ser de partida e sim de chegada, devendo ser construído democraticamente a partir de diálogos construtivos entre as diversas culturas. O determinado deve chegar no Estado e ali ser construído, conforme as concepções daquela nação.

  • Gabarito: Letra A. A hermenêutica diatópica proposta por Boaventura de Sousa Santos prevê o diálogo entre as nações, tendo em vista o multiculturalismo, para a aplicação dos Direitos Humanos. Assim, entende o autor que os direitos humanos apenas podem se desenvolver em ambientes multiculturais, uma vez que o universalismo é falso.

    B) ERRADA. A comunicação não-violenta de Marshall Rosenberg diz respeito a uma proposta voltada para transformar potenciais conflitos de comunicação em diálogos pacíficos e empáticos.

    C) ERRADA. A racionalidade intercultural de Herrera Flores se trata de uma proposta que se afasta tanto do universalismo quanto do multiculturalismo.

    D) ERRADA. A universalização progressiva, de Jurgen Habermas é um teste de universalidade, que serve para encontrar a melhor das versões éticas de justiça e equidade.

    E) ERRADA. A teoria de Geertz sustenta-se nos parâmetros da hermenêutica, construída em uma atmosfera de diversidade, pluralismo e conflito

  • como decorei c método tosco. não deixem de ler a doutrina

    Hermenêutica diatópica

    di·a·tó·pi·co

    (dia- + tópico)adjetivoLinguística] Que se distribui ou se diferencia de forma geográfica

    "diatópico", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2020, https://dicionario.priberam.org/diat%C3%B3pico [consultado em 14-02-2020].

    pelo significado associo com multiculturalismo, pra lembrar do Boaventura - lembro de bom dia com aventura.

    A comunicação não-violenta de Marshall Rosenberg

    maravilha resolvermos nosso conflito sem violência, porque aí sobra tempo de desviar esse navio do iceberg

    Universalismo de chegada de Herrera Flores

    Depois de uma viagem cansativa sem aventura em q tudo deu errado na Universal Studios , receber Flores de alguém na chegada de sua casa é a melhor coisa, é aí que você percebe que o melhor ''parque da Universal '' é o seu netflix no sofá mesmo

  • A alternativa A está correta e é o gabarito da questão. A hermenêutica diatópica proposta por Boaventura

    de Sousa Santos prevê o diálogo entre as nações, tendo em vista o multiculturalismo, para a aplicação dos

    Direitos Humanos. Assim, entende o autor que os direitos humanos apenas podem se desenvolver em

    ambientes multiculturais, uma vez que o universalismo é falso.

  • A racionalidade intercultural de Herrera Flores se filia a uma visão descolonial dos direitos humanos em que é preciso ultrapassar a concepção da racionalidade moderna desses direitos. Seria uma "nova racionalidade para o sentido de justiça, de equidade, de igualdade, de respeito. Uma racionalidade intercultural, capaz de, não somente levar em consideração, mas transformar a realidade de exclusão de quase 80% da humanidade" em relação ao acesso aos bens materiais e imaterias que tornam uma vida digna. FONTE: https://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/quaestioiuris/article/view/20017/17931

    A universalização progressiva, de Jurgen Habermas é um teste de universalidade, que serve para encontrar a melhor das versões éticas de justiça e equidade. Habermas é um cognitivista que não rejeita a incorporação de valores na tomada de decisão e que estes são úteis no caminho da procura da decisão mais justa. Teoria mais conectada às bases hermenêuticas.

    A teoria de Geertz sustenta-se nos parâmetros da hermenêutica, construída em uma atmosfera de diversidade, pluralismo e conflito. "GEERTZ propõe que o desafio antropológico está no fato de que a circunstância de coexistência entre uma concepção uniforme do homem e uma perspectiva culturalista torna muito difícil traçar uma linha distintiva entre o que é natural, universal, e o que é convencional, local e variável. E, além disso, problematiza a ideia de que, se classificar em um ou em outro grupo, não ajuda a entender as questões sociais concretas que se colocam diante de nós. Em sua proposta reflexiva, GEERTZ ajuda a entender que, no lugar de sermos seres acabados, somos seres dinamicamente reconstruídos pela cultura". FONTE: http://publicadireito.com.br/artigos/?cod=f5b254a4a2688a14

  •  → A hermenêutica diatópica visa possibilitar o diálogo entre as diversas culturas regionais e os direitos

    humanos. Isto ocorre porque os direitos humanos são considerados universais, todavia, a soberania dos

    Estados impede a sua total aplicação. Hermenêutica representa um método de interpretação que tem como

    objetivo superar o conceito absoluto de soberania e adequá-lo às realidades regionais e, assim, superar o

    debate em torno do universalismo e relativismo cultural.

  • Hermenêutica diatópica de Boaventura Santos – pretende superar o conflito entre universalismo e relativismo no campo dos Direitos Humanos através do diálogo intercultural. Boavenura defende que deve-se respeitar o multiculturalismo para que os Direitos Humanos sejam ampla e legitimamente aplicados. Ele defende que uma postura que leva em conta a própria cultura (que é um topoi) e a cultura do outro (outro topoi).

    Topoi no grego é algo semelhante a lugar.

    Comunicação não violenta de Marshall B. Rosenberg – Não é uma teoria de Direitos Humanos, mas uma técnica estabelecer uma comunicação gerando empatia entre as pessoas. Marshall é um psicólogo americano e judeu que cresceu em meio a conflitos raciais e religiosos nos EUA nas décadas de 1940 e 1950. Logo, ele sentiu na pele o que uma comunicação voltada para o conflito pode gerar. Então, desenvolveu técnicas para o entendimento.

    Racionalidade intercultural de Herrera Flores – na verdade, ele trata de 2 temas diferentes ao tratar de DH: racionalidade de resistência / prática intercultural.

    Sobre a prática intercultural, ele defende que tanto universalistas quanto multiculturalistas têm visões estáticas do debate em DH. Para ele, as coisas estão em mutação contínua. Ele defende uma prática nômade, que não busque pontos finais, uma prática híbrida e anti-sistêmica.

    Quanto à questão da racionalidade de resistência, as palavras dele são bem ilustrativas "O que negamos é considerar o universal como um ponto de partida ou um campo de desencontros. Ao universal há de se chegar – universalismo de chegada ou de confluência – depois (não antes) de um processo conflitivo, discursivo de diálogo ou de confrontação no qual cheguem a romper-se os prejuízos e as linhas paralelas.

    Universalização progressiva, de Jurgen Habermas- não encontrei nenhuma explicação coerente e plausível sobre “Universalização progressiva, de Jurgen Habermas” o que leva a crer que tal teoria ou não existe ou não pertence a Habermas. Nas pesquisas que fiz sobre Habermas não encontrei nada referente a “ Universalização progressiva”

    Antropologia simbólica de Clifford Geertz – o tema está mais afeto à antropologia do que aos DH,

    Geertz discorda da abordagem etnocêntrica da antropologia. Geertz afirmou que o problema humano no estudo antropológico não é de estranhar o outro, mas de estranhar a si mesmo.

    A Antropologia Simbólica enfatiza a dependência do ser humano dos símbolos. A cultura é um sistema de concepções expressadas em formas simbólicas por meio das quais os homens se comunicam e perpetuam e desenvolvem seus conhecimentos e atitudes ao longo da vida.

    A denominada “antropologia simbólica” não é uma teoria antropológica, mas uma coleção de propostas que redefinem tanto o objeto como o método antropológico, em oposição declarada ao que se considera como as formas simbólicas dominantes.

  • Vamos analisar as alternativas:

    - alternativa A: correta. A hermenêutica diatópica, de Boaventura de Sousa Santos, busca o diálogo intercultural e defende que, de fato, o multiculturalismo deve ser respeitado. O autor reflete sobre o tema no artigo "Uma concepção multicultural de direitos humanos". 

    - alternativa B: errada. A comunicação não-violenta não tem relação direta com as concepções universalistas e relativistas de direitos humanos. 

    - alternativa C: errada. O autor, na obra "A (re)invenção dos direitos humanos", desenvolve uma série de conceitos, e, dentre eles, as ideias de racionalidade de resistência e prática intercultural. De acordo com Roberta Andrade, "uma racionalidade que se negue a chegar uma síntese universal de direitos e não descarte a virtualidade de lugar pelo reconhecimento de diferenças; e que proponha uma prática não universalista, mas intercultural".

    - alternativa D: errada. A ideia de universalização progressiva dos direitos humanos é parte de um processo que poderia levar à criação de uma comunidade internacional, uma cidadania pós-nacional. Cristiano Santiago de Sousa explica que, "segundo esta concepção, [os direitos humanos] não devem ser usados como armas, mas sim para engajar o outro em um processo de aprendizado recíproco". Assim, não é correto afirmar que esta teoria é condizente com as exigências de respeito ao multiculturalismo.

    - alternativa E: errada. A antropologia simbólica e interpretativa é o estudo de símbolos culturais e sobre como esses símbolos podem ser usados para se obter uma melhor compreensão de uma sociedade em particular. Geertz desenvolve o tema em "A intepretação das culturas", mas estas reflexões não tem relação com as concepções de direitos humanos. 

    Gabarito: a resposta é a LETRA A. 
  • Onde é que eu to Jesus?

  • A alternativa A está correta e é o gabarito da questão. A hermenêutica diatópica proposta por Boaventura de Sousa Santos prevê o diálogo entre as nações, tendo em vista o multiculturalismo, para a aplicação dos Direitos Humanos. Assim, entende o autor que os direitos humanos apenas podem se desenvolver em ambientes multiculturais, uma vez que o universalismo é falso.

    A alternativa B está incorreta. A comunicação não-violenta de Marshall Rosenberg diz respeito a uma proposta voltada para transformar potenciais conflitos de comunicação em diálogos pacíficos e empáticos.

    A alternativa C está incorreta. A racionalidade intercultural de Herrera Flores se trata de uma proposta que se afasta tanto do universalismo quanto do multiculturalismo.

    A alternativa D está incorreta. A universalização progressiva, de Jurgen Habermas é um teste de universalidade, que serve para encontrar a melhor das versões éticas de justiça e equidade.

    A alternativa E está incorreta. A teoria de Geertz sustenta-se nos parâmetros da hermenêutica, construída em uma atmosfera de diversidade, pluralismo e conflito.

  • TODA A TEORIA DE BOAVENTURA BEM COMO DE HERRERA FLORES SE BASEIA NA CARACTERÍSTICA DA UNIBERSALIDADE, INERÊNCIA E TRANSNACIONALIDADE DOS DIREITOS HUMANOS.

    Universalidade, inerência e transnacionalidade.

    - A característica da universalidade indica que os direitos humanos constituem uma categoria comum a todas as culturas.

    -O universalismo recebe a crítica dos adeptos do relativismo cultural, teoria que defende que a concepção de direitos humanos adotada na Declaração Universal seria ocidental e desconsideraria as diferentes culturas existentes no mundo.

    -Universalismo vs. relativismo cultural: hermenêutica diatópica e o universalismo de chegada ou de confluência.

    > Boaventura de Souza Santos (a hermenêutica diatópica) e a de Herrera Flores (o universalismo de chegada ou de confluência).

    Boaventura parte da ideia do multiculturalismo e dos valores que devem ser respeitados de cada cultura. Assim, a teoria da hermenêutica diatópica lança olhos para o problema da incompletude das culturas, o objetivo da teoria é maximizar a consciência dessa incompletude através de um diálogo.

    >Herrera Flores não nega que os direitos humanos possam alcançar a universalidade, mas afirma que esse universalismo não pode ser de partida, e sim de chegada, os direitos humanos devem ser erigidos democraticamente a partir de diálogos construtivos entre as diferentes culturas.

  • EITAAA, que nunca nem vi isso. Valha me Deus!!!!

  • feijão com arroz