SóProvas


ID
2850679
Banca
FCC
Órgão
SEAD-AP
Ano
2018
Provas
Disciplina
Português
Assuntos

Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo, do escritor e crítico profissional de literatura e teatro Décio de Almeida Prado.


                                         Vocação de escritor


      Os escritores, como os oficiais das forças armadas, são promovidos, seja por merecimento, seja por antiguidade. Alguns impõem-se ao público e aos seus pares em poucos golpes de audácia e talento. São os escritores natos, de vocação imperiosa e irresistível. Outros - e talvez seja este o meu caso - crescem na estima da classe intelectual graças à continuidade de um trabalho de muitos e muitos anos. Escrevem por força do ofício, mas é possível que preferissem permanecer como leitores inveterados.

      Quando vejo e revejo a minha vida, que já vai longa, passam-me pela memória várias imagens, as mais antigas às vezes, mais nítidas que as recentes. Verifico então, não sem surpresa, que fiz muitas coisas com as quais não contava e deixei de fazer outras tantas que planejara, é verdade que no plano superficial da vontade, não das forças mais profundas da personalidade.

      Na minha meninice, sonhei muito em ser poeta. Depois, já na adolescência, na hora difícil de optar por uma profissão, desejei ser médico, como meu pai, casando, de certo modo, clínica e literatura. Já no fim dos estudos superiores, na falta de melhor, tentei ser professor de filosofia, matéria que, apesar de não ter “a cabeça metafísica”, ensinei por bastante tempo em colégios estaduais, sem qualquer proveito para Aristóteles e Kant, mas com imenso prazer pessoal e alguma aquiescência dos alunos. Não podia imaginar que, levado, certa vez, a escrever uma crítica de teatro, estava definindo, para sempre, o meu futuro. Confesso que tenho orgulho em haver contribuído, na medida das minhas forças, para que o teatro saísse da posição humilhante de primo pobre que ocupava entre as artes literárias brasileiras.

(Adaptado de: PRADO, Décio de Almeida. Seres, coisas, lugares. São Paulo: Companhia das Letras, 1997, 181-182)

No segmento no plano superficial da vontade, não das forças mais profundas da personalidade, no contexto do 2° parágrafo, fica estabelecida uma oposição entre

Alternativas
Comentários
  • GAB: A



    Oposição entre a exterioridade dos desejos aparentes e a consistência das motivações mais pessoais.


    Acredito que o terceiro parágrafo apresenta esse contraste entre o que o escritor desejava e o que, de fato, aconteceu. Seus anseios e motivações.


    Na minha meninice, sonhei muito em ser poeta. Depois, já na adolescência, na hora difícil de optar por uma profissão, desejei ser médico, como meu pai, casando, de certo modo, clínica e literatura. Já no fim dos estudos superiores, na falta de melhor, tentei ser professor de filosofia, matéria que, apesar de não ter “a cabeça metafísica”, ensinei por bastante tempo em colégios estaduais, sem qualquer proveito para Aristóteles e Kant, mas com imenso prazer pessoal e alguma aquiescência dos alunos. Não podia imaginar que, levado, certa vez, a escrever uma crítica de teatro, estava definindo, para sempre, o meu futuro. Confesso que tenho orgulho em haver contribuído, na medida das minhas forças, para que o teatro saísse da posição humilhante de primo pobre que ocupava entre as artes literárias brasileiras.


    Bons estudos!



  • Questão do demônio. Cérebro bugou aqui...

  • Verifico então, não sem surpresa, que fiz muitas coisas com as quais não contava e deixei de fazer outras tantas que planejara, é verdade que no plano superficial da vontade, não das forças mais profundas da personalidade.

    Pessoal lendo essa parte inteira do parágrafo da pra mata a questão!

    O autor diz que as coisas das quais ele deixou de fazer foram as do plano superficial de sua vontade, ou seja, as forças mais profundas da sua personalidade ele não deixou de fazer.

     

    GABARITO- A - a exterioridade dos desejos aparentes(essa primeira parte não entendi muito bem) e a consistência das motivações mais pessoais( ou seja, a consistência de suas personalidades mais profundas).



    "Qualquer erro me avisem , bons estudos "

  • Só queria acertar todos as questões de português da fcc.
  • :(

  • Parabens a quem entendeu, porque eu...

  • pergunta digna de recorrer!!

  • A "a" não fez sentido pra mim pq "plano superficial da vontade" tá relacionado ao que ele não contava que ia fazer e fez, já "forças mais profundas" tá ligado ao que ele, de fato, planejou fazer e não conseguiu.. Se ele queria fazer e não fez, como essas "forças profundas/motivações mais pessoais" podem ser consistentes?! 

  • Ao meu ver, o que ele quis dizer com "[...] é verdade que no plano superficial da vontade, não das forças mais profundas da personalidade" foi o seguinte:

    Tem coisas que a gente tem vontade de fazer, mas não passa de mera vontade mesmo. Não usamos todas as "forças profundas" que temos para realizar isso.

    No caso do texto a gente vê que ele teve vontade de ser poeta e médico, mas deixou de fazer pois eram apenas desejos aparentes. Dessa forma, a exterioridade dos desejos aparentes e a consistência das motivações mais pessoais formam uma oposição, ou seja, os desejos que a gente aparentemente tem não são tão fortes como as nossas motivações pessoais.

    Use sua "força profunda da personalidade" para ser aprovado no cargo dos seus sonhos ;D

  • kkkkk....As questões de Português da FCC aumentam o risco de Depressão na sua vida.

    Mas senhores, a persistência é o caminho do sucesso.

    Segue o Breve apontamento que me levou a responder a questão:

    Superficial = Pouco Profundo, aquilo que está na superfície,

    Personalidade = aquilo que é pessoal

    ...................No segmento no plano superficial da vontade, não das forças mais profundas da personalidade, no contexto do 2° parágrafo, fica estabelecida uma oposição entre:

    ......A) a exterioridade dos desejos aparentes e a consistência das motivações mais pessoais. (É a alternativa mais concreta que se equipara ao segmento) (CORRETA)

    As outras alternativas utilizam palavras e conotações que divergem do sentido do enunciado.