SóProvas


ID
3040384
Banca
FCC
Órgão
TRF - 4ª REGIÃO
Ano
2019
Provas
Disciplina
Português
Assuntos

                                     A era das compras


      A economia capitalista moderna deve aumentar a produção constantemente, se quiser sobreviver, como um tubarão que deve nadar para não morrer por asfixia. Mas a maioria das pessoas, ao longo da história, viveu em condições de escassez. A fragilidade era, portanto, sua palavra de ordem. A ética austera dos puritanos e a dos espartanos são apenas dois exemplos famosos. Uma pessoa boa evitava luxos e nunca desperdiçava comida. Somente reis e nobres se permitiam renunciar publicamente a tais valores e ostentar suas riquezas.

      O consumismo vê o consumo de cada vez mais produtos e serviços como algo positivo. Encoraja as pessoas a cuidarem de si mesmas, a se mimarem e até a se matarem pouco a pouco por meio do consumo exagerado. A frugalidade é uma doença a ser curada. Não é preciso olhar muito longe para ver a ética do consumo em ação – basta ler a parte de trás de uma caixa de cereal: “Para uma refeição saborosa no meio do dia, perfeita para um estilo de vida saudável. Um verdadeiro deleite com o sabor maravilhoso do “quero mais!”.

      Durante a maior parte da história, as pessoas teriam sido repelidas, e não atraídas, por esse texto. Elas o teriam considerado egoísta, indecente e moralmente corrupto. O consumismo trabalhou duro, com a ajuda da psicologia e da vontade popular, para convencer as pessoas de que a indulgência com os excessos é algo bom, ao passo que a frugalidade significa auto-opressão.

(Adaptado de: HARARI, Yuval Noah. Sapiens – uma breve história da humanidade. 38. ed. Porto Alegre: L&PM, 2018, p. 357-358) 

Ao retratar o consumismo moderno no âmbito da vida social e dos valores da pessoa, o autor

Alternativas
Comentários
  • GABARITO: D

    d) contrapõe posições historicamente divergentes quanto ao consumo de produtos e serviços, apontando traços essenciais dessa divergência.

    Observa-se isso a partir dos seguintes trechos do texto:

    - "A ética austera dos puritanos e a dos espartanos são apenas dois exemplos famosos. Uma pessoa boa evitava luxos e nunca desperdiçava comida."

    - "O consumismo vê o consumo de cada vez mais produtos e serviços como algo positivo. Encoraja as pessoas a cuidarem de si mesmas, a se mimarem e até a se matarem pouco a pouco por meio do consumo exagerado."

  • GABARITO: LETRA D

    → de acordo com o texto: Durante a maior parte da história, as pessoas teriam sido repelidas, e não atraídas, por esse texto. Elas o teriam considerado egoísta, indecente e moralmente corru pto → contrapõe opiniões históricas divergentes, manifestando a mudança que o sistema operou nas pessoas.

    → logo: contrapõe posições historicamente divergentes quanto ao consumo de produtos e serviços, apontando traços essenciais dessa divergência.

    FORÇA, GUERREIROS(AS)!! ☺

  • Gabarito''D''.

    RESOLUÇÃO:

    Ao longo de sua exposição, o autor contrapõe a lógica capitalista do consumo desenfreado com a necessidade de se viver frugalmente devido à escassez. Faz sua análise baseando-se em relatos históricos, que dão autoridade a sua exposição.

    Fonte:Direção Concursos.

    Estudar é o caminho para o sucesso.

  • #Análise das alternativas com os erros marcados em negrito:

    A) coloca-se em posição de isenção, uma vez que não toma qualquer aspecto moral ou ético como referência válida para sua análise.

    Incorreta. Durante todo o desenrolar do texto, o autor insere sua opinião. Dessa forma, vários exemplos descreveriam tal posicionamento, tal como o seguinte: "Encoraja as pessoas a cuidarem de si mesmas, a se mimarem e até a se matarem pouco a pouco por meio do consumo exagerado. A frugalidade é uma doença a ser curada."

    B) inclina-se para aceitar a fatalidade histórica do consumo desenfreado, deixando ver que reconhece as inequívocas vantagens desse fenômeno.

    Incorreta. Pelo contrário, o autor tece inúmeras críticas acerca do consumo desenfreado, conforme enxerto a seguir - "Encoraja as pessoas a cuidarem de si mesmas, a se mimarem e até a se matarem pouco a pouco por meio do consumo exagerado."

    C) recrimina a antiga austeridade regida pela escassez, encontrando na realidade do mercado moderno um modelo a ser mantido.

    Incorreta. Pelo contrário, autor enaltece a antiga austeridade, consoante trecho a seguir - "A ética austera dos puritanos e a dos espartanos são apenas dois exemplos famosos."

    D) contrapõe posições historicamente divergentes quanto ao consumo de produtos e serviços, apontando traços essenciais dessa divergência.

    Correta. É exatamente isso que o autor expõe no decorrer do texto, contrapontos posições historicamente divergentes, conforme os trechos a seguir:

    "A fragilidade era, portanto, sua palavra de ordem. A ética austera dos puritanos e a dos espartanos são apenas dois exemplos famosos. Uma pessoa boa evitava luxos e nunca desperdiçava comida. Somente reis e nobres se permitiam renunciar publicamente a tais valores e ostentar suas riquezas." (MODELO 1 DE SOCIEDADE = QUE VALORIZAVA AS NECESSIDADES ESSENCIAIS DEVIDO À ESCASSEZ DE RECURSOS)

    "Encoraja as pessoas a cuidarem de si mesmas, a se mimarem e até a se matarem pouco a pouco por meio do consumo exagerado. A frugalidade é uma doença a ser curada." (MODELO 2 DE SOCIEDADE = A CONSUMISTA DESENFREADA)

    E) desconsidera o peso da vontade popular na dinâmica do consumo que o mercado moderno estabeleceu como um caminho inflexível.

    Incorreta. Item claramente incorreto, uma vez que o autor considera o peso da vontade popular, em conformidade com o trecho citado a seguir - "O consumismo trabalhou duro, com a ajuda da psicologia e da vontade popular, para convencer as pessoas de que a indulgência com os excessos é algo bom, ao passo que a frugalidade significa auto-opressão".

    Gabarito: item "D"

    Espero ter ajudado.

  • Gabarito letra D.

    Essa questão pede novamente a dicotomia básica do texto: pessoas atentas às necessidades básicas no passado x pessoas consumistas e apegadas ao desnecessário na sociedade moderna.

    O autor usa esse paralelo histórico como argumento para criticar o consumismo atual: contrapõe posições historicamente divergentes quanto ao consumo de produtos e serviços, apontando traços essenciais dessa divergência.

     

  • De todos os cargos, essa prova de Língua Portuguesa para OJAF foi a que mais deu trabalho.